terça-feira, janeiro 29

Rolling Stone


A foto acima é do Araquém Alcântara, uma das feras da fotografia brasileira. O Araquém foi contratado pela revista Rolling Stone, aquela mesma de música, para acompanhar um repórter até uma cidadezinha chamada Colniza, no MT, considerada a cidade mais violenta do Brasil. A média de assassinatos é de 165,3 por cem mil habitantes. A região é uma das principais fontes de madeira ilegal no Brasil. E de cocaína, vinda da Bolívia. Pois a Rolling Stone foi lá e fez uma belíssima reportagem, daquelas do velho e bom jornalismo de investigação. Isso foi no número de Dezembro de 2007. A seção chama-se "Conexão Brasilis" e ocupou oito páginas da revista, incluindo um show de fotos do Araquém como a que está acima.
Em janeiro de 2007 a "Conexão Brasilis" ocupou-se com Belém, camelôs, pirataria, tecnobrega. Mais uma bela matéria, com a competente fotografia de Flavya Mutran.
Dias atrás fui procurado por um repórter da revista, acompanhado de um fotógrafo de quilate igual aos já citados. Estavam na cidade, queriam conversar. A pauta principal da "Conexão Brasilis" era o Padre Lauro Trevisan; o repórter havia lido o blog e queria incluir outros palpites para explorar outros temas - vide blogue - .
Fiquei surprêso com o profissionalismo da revista. Hospedou a dupla no Continental, tinham carro alugado, equipamento de ponta, tudo o que um profissional sonha.
A Rolling Stone parece ter gostado de Santa Maria. Pelo que vi, se fosse por eles, os temas seriam muitos. Visitaram o Recanto Maestro, o Parque Oásis, a UFSM, tiraram fotos do Padre Lauro na frente do reluzente Chrysler 300, enfim, forraram o poncho de material e se foram campo afora.
A ver em abril, eu acho.

O líder

Caiu-me nas mãos um exemplar da revista "Performance Líder". Trata-se de uma publicação da Associação Ontoarte, de São João do Polêsine. A matéria e foto de capa é o "multifacetado Antonio Meneghetti", dono da novel faculdade de administração que hoje publica nos jornais a lista dos aprovados no seu primeiro vestibular.
O Sr. Antonio declara-se um cientista, possuidor de quatro doutorados.
Fico com pena dos doutores; se esfalfam para terminar umzinho doutorado e o Sr. Antonio esbanja quatro, em Sociologia, Filosofia, Teologia e Psicologia. Eu, por exemplo, peno meus pecados para terminar uma tese bem pequena e não consegui até agora. Mas, como o Marquês de Sade diz, não desisto, "encore un effort." Me recolho, então.
Uma pena que as teses do Sr. Antonio não estão disponíveis em nenhuma biblioteca pública.
As opiniões dele, no entanto, estão na revista. São, de fato, bem heterodoxas. Vejamos o que ele diz sobre "família":
"Em curto espaço de tempo teremos o problema da família. Ela resistirá? Não, a família não resistirá. Teremos sociedades que recorrerão à clonagem. Diante das leis da vida somos muito pequenos, muito relativos."
"Quando estive na prisão analisei toda a questão da droga. Eu conheço as coisas por dentro. Portanto, não sou polêmico. Eu digo, as coisas estão assim, vá ver. É inútil discutir, não serve para nada. Na minha evolução, frequentei os grandes colégios internacionais, a máxima formação do mundo, de valores europeus. Não tenho nenhuma estima pela inteligência norte-americana, pelas universidades americanas. Possuo competência, estudo, experiência e preparo através dos meus doutorados. Fui muito amado pelos Estados Unidos, no início. Era uma inteligência que eles queriam comprar para contribuir com seu domínio intelectual."
Vai por aí.
Fui para os livros. Encontrei, por exemplo, isso:
"Dalbosco (1998) afirma que o “cientista-acadêmico”— termo como os discípulos se referem a Meneghetti — recebeu, em 1994, o título de Dr. Honoris Causa, em Física, pela descoberta de algo denominado "campo semântico", que teria sido conferido por uma Universidade Pro Deo, de Nova York - USA, instituição cuja existência não foi possível comprovar. Outra referência informa que a comenda teria sido ofertada pela Universidade de Nova York (Editorial, 1994), o que também não ocorreu. A contracapa de um dos seus livros (Meneghetti, 1999), informa que recebeu um PhD em Ciências Médicas, do qual não foi possível, mais uma vez, obter confirmação."
A passagem está no capítulo 5 do livro Mota R, Flores RZ, Sepel L & Loreto ELS. 2003. Método Científico & Fronteiras do Conhecimento. Santa Maria: CESMA. pgs. 67-88.
"Campo semântico"?
Vou levar meu matungo para pastar.
A ontopsicologia é um caso de sincretismo conceitual, acrescido de vaguezas, obscuridades e inconsistências. Foi banida como prática pela Ordem dos Psicólogos, tanto quanto sei.
Volta o livro já citado:
A ontopsicologia não é, apesar da denominação, uma especialidade, ramo ou divisão da psicologia. Exemplos de especialidades, ramos ou divisões, oficialmente reconhecidas, da psicologia são a psicanálise, a psicologia cognitiva e a terapia de família. Ela não é ministrada ou ensinada em qualquer curso de psicologia no Brasil. Ocasionalmente, é possível encontrar-se algum curso de especialização "latu sensu", em universidades ou faculdades de pequena expressão, no interior do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
A ontopsicologia não é reconhecida como método ou técnica pelo Conselho Federal de Psicologia. Assim, é vedado ao psicólogo a prática desta atividade. Para termos um ponto de comparação, uma outra prática que recebe idêntico tratamento ao que é dado à ontopsicologia é a regressão a vidas passadas. Apesar disso, no portal da A.B.O, encontramos que, entre os instrumentos de intervenção desta suposta ciência, estão a psicoterapia individual e a psicoterapia de grupo. A entidade oferece um curso de pós-graduação em psicoterapia aberto a médicos e psicólogos, mas que não tem reconhecimento oficial.
O Conselho Regional de Psicologia do Estado de S. Paulo (Cartas, 2000) recomenda: " ... esta prática não constitui uma técnica científica reconhecida pela psicologia. Portanto, seu uso por parte de psicólogos infringe a ética, devendo ser denunciado ao CRP SP”.

Pois é, agora é faculdade ali no vizinho município.
Caiu-me das mãos o exemplar da revista.
Vá entender.
Isso que eu não falei de um tal de 'monitor de deflexão' que o homem inventou.
Fica para outra vez.

Maior apoio

Na terça-feira passada comentei sobre a reunião do Conselho Universitário, que seria feita na sexta. A página da Ufesm noticiou a reunião, detalhando os processos aprovados. Louvável iniciativa, que poderia seguir em frente, imitando o que faz o Conselho do Centro de Educação, que disponibiliza as atas das reuniões.
Há uma iniciativa que merece registro. Está no finalzinho da matéria e diz assim:
"O Conselho Universitário também aprovou, na última sexta-feira, a criação de uma Comissão para analisar a atual forma das relações da UFSM com as Fundações de Apoio. A solicitação, oriunda do Departamento de Odontologia Restauradora, se deu a partir das ações deflagradas pelo Ministério Público Federal, tendo como foco as fundações de apoio à Universidade. A comissão terá atribuição política e não-deliberativa, com fins de debater, esclarecer a comunidade universitária e sistematizar as bases ético-normativas de uma proposta de regulamentação para definir os princípios que deverão reger as relações da UFSM com as fundações, de acordo com a legislação vigente. A comissão deverá ter 8 membros, que ainda não foram escolhidos."
Ufa. Debater, esclarecer, propor, sistematizar, é bastante trabalho, não?
Para uns, lembra um leitor do blogue, a proposta terá vindo tarde demais.
Para outros, está chegando bem cedo.
A Comissão vai dar uma curva no sindicato, como diz a gurizada.
A ver.

sexta-feira, janeiro 25

Nonada

"Nonada" é a primeira palavra-frase em Grande Sertão:Veredas.
"A ira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles, o irado desvario, que aos Aqueus tantas penas trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades de valentes, de heróis, ....". É o começo da Ilíada.
"Alguém certamente havia caluniado Joseph K. pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum". É a primeira frase do Processo.
Veja o começo de Um deus passeando pela brisa da tarde, de Mário de Carvalho:
"Brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça, o gesto flácido. Debaixo de sombras irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer".
Guimarães Rosa, em uma palavra, faz um manifesto contra a flacidez da língua portuguesa. "Não é nada" tem cinco vogais, "nonada" tem três e indica a tonalidade sonora do romance, onde abundam aliterações com "m" e "n", uma estratégia para deixar o texto mais sombrio, dizem alguns comentadores.
Homero faz da Ilíada o poema da ira, e essa é a primeira palavra, de fato.
Kafka sintetiza em uma linha o drama de uma vida.
Um deus passeando pela brisa da tarde está me parecendo - estou no comecinho - um presente de Mário de Carvalho para a literatura em nossa língua.
Saiu pela Cia das Letras, em 2006, mas só agora me chegou às mãos, sugerido pelo Jairo José da Silva, que, por sinal, escreveu um belíssimo livro de filosofia da matemática - Filosofias da matemática - Ed. Unesp, 2007.

quarta-feira, janeiro 23

Lagarto, lagarto.


O assunto voltou hoje na imprensa. A Razão conta que os professores Renan Rademacher, Luis Pellegrini e Dario Trevisan foram reintegrados à UFSM pela juíza Simone Barbisan. Eles haviam sido afastados pela mesma juíza. O Diário e a ZH informam que a Polícia Federal indiciou mais gente. Foram incluídos Hermínio Gomes Junior (ex-diretor técnico do Detran), Luiz Carlos de Pellegrini (professor da Ufsm) e Rosmari Greff Ávila Silveira, servidora da Universidade.
Dizem que mais gente pode ser indiciada.
A ver.
Eu gostaria de saber a resposta para as seguintes perguntas:
1. Quem assinou pela Fatec os contratos com o Detran?
2. Se o contrato foi precedido por um convênio, e examinado no Conselho Universitário?
3. Se sim, qual foi o parecer da Procuradoria, etc, etc, etc. Adianto minha opinião: não teria havido tal pronunciamento pelo Conselho Universitário. Vou conferir isso lendo as atas do Consu da época.
4. Se não, foi um ato de motu proprio da Fatec, e nesse caso o então Reitor teve qual tipo de participação? Em nome do que o Conselho Universitário teria sido esquinado, se o projeto envolvia milhões? Urgência? E para que serve o "ad referendum"?
5. Se não, aqueles que dizem que o caso Detran pouco tem a ver com a UFSM, em sentido restrito e especial, tem uma certa razão.
6. Nesse caso, volta a pergunta: quem assinou pela Fatec - entidade de direito privado - o tal contrato, arcando com tal responsabilidade, que, em sentido restrito e especial tirava o Consu da jogada?
Cabe aqui lembrar que o cargo de Diretor é privativo de ocupante de cargo de direção na Ufsm. Isso configura uma entidade muito curiosa, de direito privado, mas cujos cargos são privados, para funcionários públicos.
7. O "pernicioso", nesse episódio, tem a ver com as regras da fundação ou com a forma como a afundação foi conduzida?
A ver.
O lagarto brincou de cuca comigo e escafedeu-se por entre as moitas que enfeitam o estacionamento ao lado do prédio da Fisiologia. Levei um susto.

Lagarto


No evento do Andes em Goiânia decidiu-se, como se lê na página do Sindicato, "após uma semana de intensos debates", que "a greve é a alternativa mais eficaz de enfrentamento à intransigência do governo Lula em não atender as reivindicações contidas na pauta da campanha salarial dos docentes para 2007". Teve mais, como já comentei no poste anterior. No dia 17, os congressistas aprovaram, com algumas modificações, uma proposta apresentada por Santa Maria tratando do tema fundações de apoio.
Cito uma passagem da notícia:
"A partir de sugestão de alguns delegados do encontro, e que foi deliberada pela maioria dos participantes, o texto assinala que se deve 'continuar denunciando que as fundações de apoio são desnecessárias e perniciosas', ou seja, acrescentou-se o adjetivo perniciosa, qualificando-se então, as fundações, como prejudiciais aos interesses da universidade pública."
Então tá.
Com todo o respeito e licença, "desnecessárias e perniciosas", para mim, são propostas de greves como essa, escritas no vocabulário das acusações ao "privativismo neoliberal do governo Lula" e que geram o que estamos vendo agora no campus da ufesm, quase vazio, de aulas dadas em pleno calendário escolar, aprovado para o lagarto ver, pelo jeito. Os governos não estão nem aí para greve de classe média que gosta de cantar "Reunião de Bacana" para ficar em paz com a consciência.
Para quem não lembra, "Reunião de Bacana" é a música composta por Ary do Cavaco, que tem o refrão "Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão".
A ironia - a lembrança foi de um dos leitores do blogue, mas eu a faço minha - é que ao menos um dos componentes da delegação tem um projeto graúdo na Fatec.
Desnecessário e pernicioso é a gente ficar comendo a própria carne, feito Macunaíma.
O lagarto não está nem aí para esses gritos.

terça-feira, janeiro 22

FATEC

O Sindicato dos Professores aprovou recentemente, noticiam os jornais, uma moção recomendando algo como o fim das relações entre a Fatec e a Ufsm.
Vejamos.
Na sexta-feira haverá uma sessão do Conselho Universitário. Dos 49 processos que estão na pauta da reunião, 17 tratam de convênios entre a Ufsm e a Fatec. Entre eles, o processo sobre um convênio para a execução do projeto "Edificação do Centro de Convenções", algo em torno de 10 milhões de reais.
Ou seja: se cessassem as relações entre a Fatec e a Ufsm, como quer o sindicato, a Ufesm travaria as pernas.
Acho que o furo está em outro lugar. Quando as fundações foram criadas, no final dos anos setenta, o espírito era apoiar os pesquisadores, etc.
Se o espírito se perdeu em algum lugar, não creio que a melhor solução seja matar o carteiro que deu a notícia.
PS: na reunião há um processo no qual a Fundae encaminha a documentação necessária para a renovação do seu credenciamento como fundação de apoio da Ufesm.
Ao longo desses anos todos ninguém topou seriamente mexer nas regras das universidades públicas. Com isso, a funcionalidade das fundações manteve-se em alta.
Eu toparia conversar sobre o fechamento das fundações, no contexto de uma abertura das universidades. Mas essa conversa não interessa a ninguém, faz vinte e tantos anos...

Cafofos


Fiz algumas fotos dos alojamentos provisórios de estudantes, na União Universitária. Fui levar ali repórter e fotógrafo da Rolling Stone, que vieram fazer uma matéria sobre Santa Maria e aproveitei para fazer algumas fotos. Esses alojamentos destinam-se a hospedagem provisória - por um ano, por exemplo... - de alunos que não conseguem apartamentos nas casas de estudante. Ali ficam grupos de oitenta pessoas, por vezes, em beliches, que é todo o espaço que dispõem para morar. Eles chamam esses espaços, protegidos por panos, de 'cafofos'. Para ver as fotos, clique aqui ou em "algumas fotos", ao lado.

sábado, janeiro 19

Polêsine

Amanhã o sr. Menegheti, informa A Razão, inaugura a nova faculdade de administração em Polêsine.
Conversei com uma nona que mora ali na Santa Lúcia, um vilarejo a mil metros do Recanto Maestro. Ela me pergunta se esse don Antonio é o mesmo que foi objeto de uma reportagem da Rede Globo - no Jornal Nacional - , uns cinco ou seis anos atrás, quando foi denunciado por haver algumas informações sobre problemas do cujo com a justiça italiana.
Foi o próprio cujo.
Em 1993 o sábio italiano foi condenado por homicídio culposo de uma discípula, Marina Furlan, disse a Globo. A matéria da Globo aludia a diversas denúncias, incluindo furtos, falsificações e exercício ilegal de Medicina. Para um acadêmico, o homem tem um currículo bem pouco ortodoxo, lembra o Renato Flores.
Para detalhes, digite no santo google "Zamora Flores + ontopsicologia".
Ontopsicologia, para ser breve, é um caso de pseudociência.
O MEC, espero, deve estar sabendo o que faz.
A nona não está entendendo mais nada. E?, pergunta ela?
Pois é, digo eu, assim é a vida, e monto no matungo e volto para o rancho para ouvir a bachiana brasileira 1, "pour ensemble de violoncelles", a "Embolada". Eita coisa bonita!

quinta-feira, janeiro 17

Leitura

Steve Jobs, no lançamento do novo notebook da Apple, aproveitou para alfinetar a Amazon, que lançou um dispositivo eletrônico, o Kindle, que se destina exclusivamente à leitura de livros digitalizados. Ele disse que o produto não vai vingar, pois as pessoas não mais lêem. Eis o que ele disse:
“It doesn’t matter how good or bad the product is, the fact is that people don’t read anymore,” he said. “Forty percent of the people in the U.S. read one book or less last year. The whole conception is flawed at the top because people don’t read anymore.”
O lado local da coisa: os professores, de todos os níveis, queixam-se dos seus alunos, que não lêem o quanto deveriam e como deveriam. É uma verdade.
Sempre me ocorre perguntar, a quem se queixa disso, sobre qual livro está lendo, quantos leu esse ano, etc. É surpreendente, por vezes, a resposta. Mas o que importa não é bem isso. O que eu fico pensando é se essas dificuldades de levar o aluno a ler induzem alguns de nós a pensar em desistir da tarefa, em substituir a leitura por alguma outra atividade na aula, cedendo, assim, à pressão dos alunos por não ler.

domingo, janeiro 13

Barato

Conversei com um advogado que tem algumas informações sobre o caso Detran/Fatec neste final de semana. Ele me lembrou o quanto é fácil um caso como esse arrastar-se por 10 anos na Justiça. Com um prazo desses de demora, ninguém vai preso. O advogado, meio que em tom de consolo, disse que isso não seria tão grave, pois já existe uma condenação moral dos acusados, combinada com o bloqueio dos bens.
Achei o raciocínio defeituoso. A condenação moral por certo existe, mas é genérica, difusa e se abate sobre todos os envolvidos de forma indiscriminada, sem pesos e medidas, que é a essência da condenação por meio de processo bem conduzido. A condenação moral é como o travesseiro de penas. Isso sem falar que deve haver, imagino, penas e pesos diferenciados para quem é arquiteto de um crime e para quem tenha se envolvido de forma menor, coisa que nada tem a ver com moral. e se houver algum inocente no meio, como é que fica?
O mesmo advogado lembrou de uma conversa que teve, antes do acontecido, com um dos mentores, a quem perguntou se ele tinha vontade de voltar a fazer política como político que fora, um dia. O mentor teria respondido que "era mais barato comprar políticos."

segunda-feira, janeiro 7

O seis de janeiro

No dia seis completou-se dois meses do caso Detran/Fatec/Ufsm. A Polícia Federal, pelo jeito, vai precisar de mais tempo para concluir o inquérito. Para refrescar a memória, reli o relatório da Juíza Simone Barbizan , da Terceira Vara da Justiça Federal, que autorizou as prisões temporárias, bloqueio de bens, etc.
Chama a atenção o trecho da decisão, com a seguinte redação:

"Ante o exposto, reconheço a competência da Justiça Federal, remetendo à fundamentação tecida pelo Ministério Público Federal e, em conseqüência: A) Decreto a prisão temporária dos seguintes investigados, pelo prazo máximo de 5 dias (observadas as determinações constantes na fundamentação), ficando a autoridade policial autorizada a, verificado o esgotamento de sua utilidade para a investigação, proceder de imediato à sua soltura:"

Segue-se a relação de nomes.
Eu imagino, na minha ignorância jurídica, que a decisão da juíza tem dois parâmetros importantes. Um deles é introduzido pela expressão "ante o exposto". "Ante o exposto, reconheço..." A exposição que ela faz é uma espécie de recapitulação dos fatos, necessária para o segundo passo, decretar a prisão. Ela indica ao leitor que teve acesso a todo tipo de informação, como escutas, fotografias, filmes, documentos das empresas, etc., e que leva isso em conta, sem ter que necessariamente revelar o teor das escutas, etc. Esse é o segundo parâmetro.
Fiz uma lista de todos os nomes citados por ela em negrito no despacho. São 20, ao todo, alguns citados muitas vezes e acusados, de forma mais ou menos evidente e explícita. Desses vinte, 13 foram detidos para investigações.
Veja o seguinte trecho:

"Constatou-se ainda, a contratação de empresas da família do ex-Reitor da UFSM, Paulo Jorge Sarkis, por uma das empresas beneficiárias do esquema, a Pensant. Tal empresa, após a contratação para execução do contrato DETRAN, na gestão de Sarkis à frente da reitoria, contrata a empresa de sua esposa e filhos (Sarkis Engenharia Estrutural), para a qual repassa, nos anos de 2004 e 2005, cerca de R$ 74.000,00. Ademais, outra empresa da família Sarkis também vem possivelmente sendo beneficiária do esquema, recebendo recursos diretamente da FATEC, qual seja a World Travel Turismo Ltda."

Expressões como "beneficiária do esquema", no contexto do documento, não são neutras. Não é preciso dizer que também é incriminadora a informação que o reitor da ufesm concordou, em alguma instância, que empresas de sua família fossem contratadas dentro do "esquema". Por outro lado, nunca foi segredo para ninguém que a WTT era fornecedora exclusiva de passagens para a ufesm. Ela ganhou essa condição por meio de uma licitação, ou algo equivalente. (O que as pessoas criticavam, à boca pequena ou grande, era o estilo de um reitor que achava isso completamente normal, da mesma forma como achou que era completamente normal que ele presidisse a sessão do conselho universitário que o elegeu.) Ser cara-de-pau, no entanto, não é um delito previsto no código penal. Estilo é estilo, alguém diria.

O que me intriga nisso tudo é que, se de um lado algumas pessoas que foram presas são citadas e junto ao nome a juíza indica alguns fatos incriminadores, como no exemplo acima, em outros casos isso não acontece: há apenas o nome e a indicação do cargo desempenhado. Nesse caso o leitor assume, por sua conta, uma premissa que deve - ou não - estar nos autos do processo?

quarta-feira, janeiro 2

Correspondência

Correspondência para o editor do Morana pode ser encaminhada para ronairocha@gmail.com que ele dá um jeito de chegar ao cujo.

Fatec em Caxias do Sul: sobrou para o CCSH?

O texto que transcrevo abaixo está no sítio do Ministério Público do Rio Grande do Sul:

"Ilegalidade está na dispensa de licitação, contratação e execução do contrato referente ao projeto de segurança pública de Caxias do Sul:
O Ministério Público obteve liminar em ação civil pública ajuizada contra o município de Caxias do Sul e a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência – Fatec. A Justiça local determinou a suspensão do contrato firmado entre as duas pessoas jurídicas para execução de projeto de segurança pública. O ajuizamento da ação ocorreu nesta quarta-feira, pela Promotoria de Justiça Especializada de Caxias do Sul, através do promotor de Justiça Adrio Rafael Paula Gelatti.
Além da suspensão dos pagamentos, a Justiça decidiu, ainda, pela quebra de sigilo bancário referente às movimentações financeiras de instituições educacionais relativas à execução do contrato. Tão logo foi notificado, o Município comunicou o cumprimento da liminar, determinando a suspensão de qualquer pagamento referente ao contrato.
De acordo com o Promotor de Justiça de Caxias do Sul, o contrato assinado entre o Município e a Fatec (de Santa Maria-RS) é específico para a prestação de serviços de pesquisa, diagnóstico e concomitante desenvolvimento de software, para elaboração do Plano Municipal de Segurança Urbana. E destina-se à aplicação em processo de seleção de guardas municipais, para aplicação de cursos de atualização/capacitação e tem como referências projeto de segurança e currículo oriundos do Ministério da Justiça. O valor total é de R$ 242.480,00.
Gelatti disse que o contrato, firmado com dispensa de licitação, foi assinado com a Universidade Federal de Santa Maria, através da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência, "com cláusula que vedava a subcontratação parcial ou total do objeto". Segundo ele, foram identificadas ilegalidades como:
A- assinatura do contrato com pessoa jurídica estranha ao despacho de dispensa de licitação; B- na justificativa de preço da dispensa de licitação, com juntada de orçamentos (propostas) para execução do objeto do contrato por outras duas instituições de ensino que são inidôneos para justificar o preço praticado no contrato; C - superfaturamento do valor do contrato em relação ao objeto executado; D - execução ilegal do contrato pela Faculdade da Serra Gaúcha (FSG), de Caxias do Sul, tendo a Fatec servido como “fachada” de contratação da FSG; E- a Fatec ficou apenas com questões formais como representação perante o Município de Caxias do Sul e emissão de alguns documentos, o que somente ocorreu para manutenção de aparência de licitude; F- a Fatec, para o fim de intermediar a execução do contrato pela FSG – servir como “fachada”-, segundo o acerto identificado na investigação, cobrou 10% do valor do contrato, tendo, inclusive, a FSG adiantado parte desse valor na forma de pagamento de gráfica para edição de obra (livro) publicada pelo Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM.
Adrio Gelatti ressalta que "o município de Caxias do Sul manteve postura colaborativa com as investigações, atendendo prontamente às requisições de documentos e informações feitas pelo Ministério Público". A investigação contou com o apoio da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Porto Alegre, Promotoria de Justiça Especializada de Santa Maria e Promotoria de Justiça Especializada de São Leopoldo."

Sobrou para o CCSH/UFSM: que livro é esse?

Fatec em Caxias do Sul (1)

Mestre Guina informou, em comentário mais abaixo, sobre problemas da Fatec/Ufsm em Caxias do Sul. Aqui nesta postagem transcrevo o que saiu faz pouco no sitio Videversus, que versa sobre a notícia transcrita por Guina.

"Justiça anula mais um contrato da Fatec, com a Prefeitura de Caxias do Sul:
A Justiça do Rio Grande do Sul determinou a anulação de contrato entre a prefeitura de Caxias do Sul e a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), feito para a elaboração de um plano municipal de segurança. O contrato tinha valor de R$ 242,4 mil. A Fatec é uma fundação de direito privado, que se utiliza do nome da Universidade Federal de Santa Maria para angariar contratos com dispensa de licitação, o que é uma ilegalidade. A Fatec também é um dos principais pivôs da fraude apurada pela Operação Rodin, conduzida pelo Ministério Público Especial Junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, a Procuradoria da República, a Polícia Federal e a Receita Federal, que produziu um desvio de mais de 40 milhões de reais do Detran-RS.
A prefeitura de Caxias do Sul, dirigida por José Ivo Sartori (PMDB), é useira em utilizar destes contratos sem licitação. A liminar foi obtida pelo Ministério Público estadual na última sexta-feira. O promotor Adrio Gelatti sustenta que houve irregularidades no contrato, como dispensa de licitação e uso da Fatec como instituição de "fachada" para a subcontratação ilegal da Faculdade da Serra Gaúcha (FSG), que não tem habilitação para realizar os serviços. A Justiça ordenou a suspensão dos pagamentos e a quebra do sigilo bancário referente às movimentações financeiras. O contrato vedava a subcontratação parcial ou total dos serviços. As mesmas instituições que montaram a Operação Rodin deveriam investigar o contrato de outra fundação de direito privado, a Faurgs, com a prefeitura de Caxias do Sul, na área de saúde. Aliás, essas fundações de direito privado, sem qualquer vinculação com as universidades das quais se apropriam dos nomes, deveriam ser fiscalizadas habitualmente pelo Ministério Público Estadual (Curadoria das Fundações). É o que manda a lei. Mas, até hoje, a Curadoria das Fundações não fiscalizou as contas dessas fundações de direito privado. Esse é um grande Mistério Público Estadual no Rio Grande do Sul. Por que será que os promotores e procuradores não fiscalizam as fundações? E mais uma coisa: a quem pertence a Faculdade da Serra Gaúcha? Qual é o parlamentar que tem ligações ostensivas com esta instituição?"

2008

O espírito de 2008 visto a partir de "O Rei Lear":

Lear: Como, estás louco? Mesmo sem olhos um homem pode ver como anda o mundo. Olha com as orelhas. Vê como aquele juiz ofende aquele humilde ladrão. Escuta com o ouvido, troca os dois de lugar, como pedras nas mão; qual o juiz, qual o ladrão? Já viste um cão da roça ladrar prum miserável?
Gloucester: Já, meu senhor.
Lear: E o pobre diabo correr do vira-latas? Pois tens aí a imponente imagem da autoridade: até um vira-lata é obedecido quando ocupa um cargo. Oficial velhaco, suspende tua mão ensangüentada! Por que chicoteias essa prostituta? Desnuda tuas próprias costas. Pois ardes de desejo de cometer com ela o ato pelo qual a chicoteias. O usurário enforca o devedor. Os buracos de uma roupa esfarrapada não conseguem esconder o menor vício; mas as togas e os mantos de púrpura escondem tudo (...).

Veterano

O som do "progresso" no centro da cidade


O Augusto, do Restaurante, passou anos pedindo que fosse canalizada a sanga que passa nos fundos. Nunca conseguiu. Pois ao que se sabe, o dono da obra estalou os dedos e a Secretaria de Proteção autorizou a canalização da dita sanga. No vídeo, ouve-se o ruído do "progresso", rumo à canalização.

Saracuras


Este conjunto de árvores fica no centro de Santa Maria. As maiores delas, os guapuruvus no lado direito da foto, devem ter mais de vinte metros de altura. Pois a Secretaria de Proteção Ambiental autorizou o abate de grande parte delas. Liguei hoje de manhã para o 32178863, da tal Secretaria de Proteção e não havia ninguém. Vou tentar de novo pela tarde, para saber se ao menos os guapuruvus vão ser poupados. No Ibama disseram que eles não tem nada a ver com isso.
Uma saracura que mora ali já entrou em estresse por causa da motoserra que funciona sem parar desde as oito horas da manhã. A saracura foi parar no meio da Tuiuti, quase foi atropelada, arriscou um vôo de volta ao mato.
Na construtora responsável pelas obras informam que está tudo nos conformes municipais. E o que diz o Plano Diretor? O Geraldo Cervi me disse que as mudanças obtidas por pressão das empreiteiras é que permitiriam esses absurdos.

terça-feira, janeiro 1

Ano Novo

Espero que os amigos do blog tenham passado bem nessas festas de fim de ano. Que todos tenhamos um bom 2008.

segunda-feira, dezembro 31

Intuição

Prometendo "passeios ecobiológicos", surge, no apagar das luzes de 2007, no vizinho município de São João do Polêsine, uma "Faculdade Antônio Meneghetti", que oferece um curso de Administração de Empresas. O jornal A Razão, de 29/30 de Dezembro de 2007 publica duas páginas de publicidade da dita faculdade. Nelas ficamos sabendo que haverá no curso algo como "Psicologia Financeira na Experiência Internacional com descobertas inovadoras sobre a Intuição".
Houve autorização do MEC, diz o texto.
Ontem eu assisti "King Lear", na interpretação de Laurence Olivier. Ao ler sobre esse novel curso me lembrei das palavras do vilão Edmundo: "Se seguires as instruções aí escritas, abres caminho a destinos gloriosos. Aprende: a ocasião faz o homem. Ânimo delicado não assenta a que usa espada."
Para que não leu a peça, o vilão instruía um soldado sobre o destino da dileta Cordélia.
Não sei porque, me pareceu que a frase rimava com o curso de Polêsine.

sábado, dezembro 29

Pedro Freire e Sérgio Assis Brasil

Pedro Mauá Duarte Soares Pinto Freire Júnior. Esse era todo o nome, grande como foi a importância do Freire. Junto com Sérgio Assis Brasil, deixam uma lacuna na vida cultural da cidade. Freire era um apaixonado pelo teatro, e marcou a cidade com seu trabalho na área. Era o que mais próximo podíamos ter de um Bogart gaudério e cosmopolita, ao mesmo tempo.
Sérgio era a generosidade em pessoa. Emprestava, com o mesmo despreendimento, tanto seus livros quanto o motordrive da Nikon F2, objeto de desejo de uma geração. Poucas semanas antes de morrer topou fazer comigo um projeto de fotografar o campus da Ufesm, para uns cartões postais. O caranguejo o levou antes.
A impressão que fico é que com a morte deles um ciclo começa a se fechar. O teatro e o cinema da cidade tem pouco a ver com o bogarismo do freire e com o romantismo do Sérgio.

Profae

Montei no matungo e voltei para casa, fui me instruir sobre o que é o tal do Profae.
O Profae é um projeto do Ministério da Saúde, "Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem". Ele começa por volta de 2000 e em 2003 estava esparramado pelo Brasil. Esse espraiamento incluiu a Ufesm, aFatec, etc. O Profae era um projeto coordenado pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, considerado o principal instrumento para a qualificação da força de trabalho atuante na área de saúde. A qualificação profissional de 225 mil auxiliares de enfermagem e 90 mil técnicos em enfermagem era a principal meta do Projeto. Cito um trecho de apresentação do Profae no sítio do Ministério da Saúde:
"Dentre as ações que visam o fortalecimento institucional, estão o Curso de Formação Pedagógica para a especialização de Enfermeiros; a Modernização e Criação de Escolas Técnicas de Saúde do SUS; a elaboração e implantação de um Sistema de Certificação de Competências Profissionais; e a implementação de um Sistema de Informação sobre o Mercado de Trabalho em Saúde, com foco em Enfermagem. (...) É o maior programa nacional de qualificação profissional do setor saúde em desenvolvimento no Brasil, abrangendo os trabalhadores que atuam na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, seja nos ambulatórios, postos e centros de saúde, rede hospitalar pública, privada ou filantrópica. Por meio da formação profissional dos trabalhadores da área de enfermagem, busca-se com o projeto conferir melhor qualificação técnica e preparação para a humanização dos cuidados em enfermagem."
O Profae era um cavalo encilhado, e foi montado na Ufesm, com toda a pompa e circunstância. Provavelmente a competência da Ufesm foi apresentada pelas autoridades de plantão. Convênios foram assinados e as burras da Fatec foram abarrotadas com milhares de reais. Até o Colégio Industrial teve (ou não?) curso de enfermagem. No início, o Profae funcionava perto de uma pró-reitoria da Ufesm, na gestão do Prof. S.. Depois foi removido para as dependências do Curso de Enfermagem. Depois, depois, eu não sei, mas parece que foi assumido por uma instituição privada no centro da Boca do Monte.
Assim vai o mundo. O dinheiro público começa na Ufesm, com todo o apoio de reitores e deputados e ex-ministros. Depois, amada, depois, ninguém sabe, ninguém viu.
Que venha 2008, para ver se a gente lembra de alguma coisa.

Enfermagem

Eu li em algum lugar, creio que foi em um informativo da Ufesm, que lá pelos anos de 2000 o Colégio Técnico Industrial, tinha um curso técnico em enfermagem, com quase dois mil alunos. Achei que estava lendo mal. Fui atrás, numa dessas páginas do sítio da Ufesm e de fato estava lá esse trecho:
"No ano de 2000 foi criado um novo curso técnico no CTISM (Técnico em Enfermagem).
O Colégio Técnico Industrial, em 2004, conta ainda com 1521 alunos matriculados no Curso Auxiliar de Enfermagem PROFAE e 813 alunos matriculados no Curso Técnico em Enfermagem - PROFAE: Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Estas turmas estão em andamento e por iniciar."
Ontem passei, só de curioso, no Colégio Industrial, para saber dessa coisa tão estranha, um curso de enfermagem em um colégio industrial, mas não passei da portaria. Perguntei se ali tinha um curso de enfermagem e o rapaz me olhou com pena, como se eu fosse um desmiolado. Onde se teria visto tamanha impropriedade, ele parecia dizer.
Eu montei no matungo e voltei para casa.
Onde teriam ido parar tantos alunos? Devo estar mesmo desmiolado. É esse sol, esse fim de ano.

O silêncio

O Prof. Sarkis, ex-reitor da Ufsm, rompeu o silêncio que mantinha desde a madrugada do dia 6 de novembro. Ele divulgou uma nota, por meio de "A Razão", na qual se queixa do tratamento incorreto que recebeu por parte de "jornal local".
O Diário de Santa Maria é o tal jornal local, por certo. O tom geral da declaração é familiar: "Jamais tive ciência de que qualquer atividade dentro desses contratos [Detran/Fatec/Fundae] fosse ilegal ou irregular."
Vai aqui um dos trechos:
"Em todos estes projetos, a minha participação se limitava à apresentação inicial da Instituição e de suas potencialidades na área em discussão. A discussão sobre a forma de operacionalizá-los, orçamento, forma de pagamento, texto de contratos ou outros ajustes, passava a ser feita entre os grupos diretamente envolvidos na execução do projeto. Quando a UFSM era parte nos acordos, os textos dos mesmos eram analisados pelas instâncias legais da Universidade. Quando a Fatec era contratada diretamente, cabia ao órgão interessado e à Fatec definirem os termos dos ajustes, nada tendo a ver, nesses casos, as instâncias da Universidade. Na relação Detran-RS/Fatec, minha participação se deu em duas reuniões ocorridas no Detran-RS. Na primeira, fiz a apresentação da UFSM e de sua qualificação, com base da experiência do Peies. Na segunda, testemunhei a assinatura do contrato Detran-RS/Fatec. Como a Universidade não era parte neste contrato, a sua execução e renovação se deu sem qualquer participação minha. Isto é verdadeiro, inclusive nas renovações de 2006 e 2007, fora do período da minha gestão na UFSM."
O trecho é rico em informações. Como diria Charles Travis, seguindo Frege, questões sobre a verdade dos enunciados são posteriores à questões sobre interpretações. Nesse caso fico na dúvida sobre os seguintes pontos:
a) como compreender a frase "apresentar as potencialidades da instituição na área", se, depois, a operacionalização do projeto parecia depender da contratação de empresas de fora, como a Pensant? A "potencialidade" estava fora da Ufsm, então?
b) a Ufesm não era parte no contrato do Detran, diz o texto; ela então apenas emprestou o terreno para a construção do prédio e emprestou um gerente que pertencia aos seus quadros? Esses empréstimos ocorreram então a que título? E os demais professores e estagiários de cursos da Ufsm que participaram do projeto?
Esse estilo de declarações tem se repetido e tem sido usado pelos atuais dirigentes da Ufms: a Ufsm nada tem a ver com esses projetos, são da Fatec, etc...
Em 2008 devem estourar outros escândalos envolvendo a Fatec. O mecanismo é o mesmo: dinheiro público que é trazido para dentro da Instituição, pela sua respeitabilidade; o dinheiro é trazido com fins nobres, por exemplo, para formação complementar de profissionais na área tal e tal. O dinheiro é guardado na Fatec, e o executor do projeto, algum professor respeitável, toma as decisões administrativas, faz despesas sem licitação, mediante a simples apresentação das notas fiscais. Isso envolve, porém, a estimativa de custos de prestação de serviços, de difícil avaliação. Essa é a porta aberta para um pequeno paraíso. Na origem, normalmente há dinheiro público. Eu digo "normalmente" porque em alguns casos o dinheiro do projeto abrigado na Fatec vem de empresas privadas. Milhões, diga-se de passagem. As empresas privadas usam a Ufsm para certificar produtos, por exemplo. O tempo de trabalho, no entanto, é da Ufsm, e por isso questiona-se, faz muito tempo, a singeleza da interpretação usualmente feita: se o dinheiro é privado, a Ufsm nada tem a ver com isso. Essa interpretação significa o esvaziamento progressivo do conceito de planejamento institucional, pois pesquisa-se aquilo que for demandado no balcão pessoal de negócios do professor.
Um reitor que entende que é bom para a Ufsm meter-se no trânsito tem um estilo. Como ele mesmo diz, que o tempo e a Justiça Federal que o julguem.

domingo, dezembro 23

quarta-feira, dezembro 12

Palestra

Está confirmada a palestra de Desidério Murcho, para amanhã, quinta-feira, às 15.00 horas, na sala 2323 do prédio 74. O tema será ensino de filosofia.

segunda-feira, dezembro 10

Senza Paura!


Longo lo cammino ma grande la meta. Contro il saracino seguiamo il profeta. Vade retro Satan. Vade retro Satan. Senza armatura, senza paura, senza calzari, senza denari, senza la brocca, senza pagnotta, senza la mappa, senza la pappa.

Pimenta e colírio

A culpa é da UFSM, me relataram os que ouviram o deputado Pimenta hoje, no jornal da tevê. Teria sido esse o tom das declarações do deputado. Na falta da tevê, li a nota, na coluna claudemirpereira.com.br; estaria eu lendo mal? O Claudemir me deu a impressão de ser mais um a comprar o boi pelo dinheiro pedido. Agora tudo é culpa da Ufesm. A emenda do deputado veio a cair na mão dos correligionários do cujo e a culpa é da Ufesm?
Ou seria da "quadrilha" a que o deputado se refere? Se é da quadrilha, o círculo formado pelas ações que começam com o deputado cedendo aos nobres apelos do ex-reitor é como a cobra do Paul Valery, que come o próprio rabo e se queixa do gosto de serpente que sente. A cena é comovente: um ex-reitor apela aos nobres sentimentos do deputado para fazer emendas. O nobre deputado fica sem saber o uso de suas emendas, snif, snif.
E o soneto, como fica? A instituição, o Conselho Universitário, quando vão se manifestar?
Se tem quadrilha, tem chefe. O chefe da "quadrilha" vai cair sozinho?
O MP quer as notas fiscais e o demonstrativo de pagamentos. É tão difícil isso? Não acho.
Vem bomba.

Gabriel

Na terça feira passada, dia 4 de Dezembro, foi feita uma homenagem ao Gabriel, com o lançamento de um livro de textos e fotos dele. Fiz algumas fotos da cerimônia, que estão em
http://gallery.mac.com/ronairocha

domingo, dezembro 9

Laboratório de Ensino

Terça, dia 11, 15.00 horas, haverá uma sessão de trabalho sobre currículo de filosofia para ensino médio na sala do Laboratório de ensino de filosofia, prédio 74. Entrada franca para estudantes e professores de filosofia.

sábado, dezembro 8

Zero Hora

"Mais uma vez o bom nome da Universidade Federal de Santa Maria está no meio de uma confusão". A frase, de Rosane de Oliveira na ZH de domingo, 9 de dezembro, é sobre o tema abordado por Iara Lemos no Diário: a emenda do Deputado Paulo Pimenta, destinada à UFSM, no valor de 150 mil reais, que acabou em meia dúzia de sapatilhas de balé. A ZH deu página inteira ao tema. Os versos cantados pelos personagens ouvidos são os de sempre: ninguém sabe, ninguém viu, ninguém é responsável por sapatilha nenhuma. O diretor da FATEC diz que, se houve erro, o problema é do pró-reitor. O pró-reitor diz que só tem a ver com a autorização financeira. Conclusão: esses projetos - existem dezenas deles - tem sempre um triângulo das bermudas.
Ou das calças curtas.
Mais uma vez a UFSM, onde tem tanta gente boa e tanto projeto correto, está no meio de uma confusão. E isso vai continuar, como adivinha quem olha para as fumaças.
Pedi uma vez e peço de novo para o povo da Reitoria e da Fatec: tornem pública a lista de todos os projetos abrigados na casa, com autores, temas e recursos, empresas de assessoria vinculadas, etc. E não me venham com a conversa de "cláusula de sigilo" que os executivos da Fatec usavam. Desde quando uma instituição de pesquisa de conhecimento aceita cláusulas de sigilo?
Acho que vou convidar o Mestre Guina para ser meu líder, eu fico como fiel escudeiro, e, com o apoio de dom Bressan e dos leitores do blogue, vamos montar um exército de Brancaleone e rumar para a Reitoria da Ufesm, rataplan, eia sus, oh sus e etc.

Diário de Santa Maria

O Diário de Santa Maria deste final de semana (8 e 9 de dezembro) traz uma matéria assinada por Iara Lemos, "Uma emenda e muitas dúvidas" que mereceria o primeiro lugar no jornalismo investigativo da Boca do Monte neste ano.
O Diário se recuperou ao longo do ano. A meu juízo, o jornal foi ingênuo no tratamento que deu ao assunto das antenas; comprou o boi pelo preço que pediram e com isso deu a impressão de fazer o papel de relações públicas do grupo que hoje está na berlinda.
A matéria da Iara é muito boa. A minha principal dúvida, depois de lê-la é sobre quem, na UFSM, foi o responsável pela proposição conceitual do projeto. Vamos aguardar os próximos dias, pois o assunto, pela natureza explosiva, vai dar o que falar. Parabéns à Iara Lemos!

Palestra de Desidério Murcho

Na próxima quinta-feira, dia 13 de dezembro, estará em Santa Maria o professor Desidério Murcho. Ele vai dar uma palestra abordando o tema do ensino de filosofia, na sala 2323 do prédio 74, no Campus, as 15.30 horas. A palestra é aberta ao público. O Prof. Desidério é um dos autores do "Arte de Pensar" e de muitos outros livros. Também é o responsável pelo sítio "críticanarede".

sábado, dezembro 1

Cachorros grandes no Projovem

O texto abaixo está no sítio do Ministério Público:
"Vereador Adeli Sell entrega dossiê sobre ProJovem à Polícia Federal.
O vereador Adeli Sell (PT) entregou ontem à Polícia Federal um dossiê apontando supostas irregularidades na administração do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), promovido pela prefeitura de Porto Alegre.
Ele espera que seja investigada a administração do projeto realizado pela Fundae, da Universidade Federal de Santa Maria, entidade envolvida no esquema de fraudes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), desarticulado há cerca de duas semanas pela Polícia Federal.
De acordo com o vereador, o ProJovem da Capital recebeu, R$ 11,2 milhões do governo federal, dos quais R$ 10,4 milhões foram repassados para a Fundae. "Não encontrei o delegado Ildo Gasparetto, mas deixei o documento no gabinete dele e confio na seriedade do seu trabalho", afirmou Sell.
Ele ressaltou também que o ex-secretário municipal da Juventude Mauro Zacher chegou a apresentar números divergentes sobre os alunos beneficiados. Sell alegou que no início do ano o então titular da pasta disse que havia 330 formados no programa e 1.621 prestes a concluí-lo. Porém, em abril, afirmou que seriam 1,2 mil formados, o que significaria uma reprovação de 751 alunos."
Sei não. Tem briga de cachorro grande nessa história. A Ulbra está assumindo o Projovem, depois do fim do contrato da Fundae. Há centenas de instrutores envolvidos, e muito desse dinheiro teve o destino correto, por certo. Se o grande argumento do homem do chapéu é a diferença de formandos, ao redor de trezentos e poucos, sei não... A ver.

Projovem

Volto ao tema do Projovem, que promete. O sítio da Presidência, como disse abaixo, informa o nome do responsável pelo Projovem no Rio Grande do Sul. Dei um copiar e colar:

"Porto Alegre/RS
Instituição Formadora: FUNDAE - Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura
Nome do Responsável: Professor Johanne Basso Vieira.
Porto Velho/RO
Instituição Formadora: FUNDAE - Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura
Nome do Responsável: Professor Johanne Basso Vieira".

O notável, diz uma leitora do blog, em conversa pessoal, é que não se trata de um professor, e sim de uma professora.
O sítio da PR, com todo o respeito, informa erradamente. A ver.

terça-feira, novembro 27

Constrangimento

Reproduzo o artigo de Delmar Bressan, publicado no Diário de Santa Maria, de sexta-feira passada.

Constrangimentos na Academia

Delmar Bressan
Professor da UFSM

O episódio envolvendo a Fundação de Apoio à Tecnologia e à Ciência (Fatec) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) desnuda a crise de representação que assola o meio universitário. A reação estratégica de constrangimento geral, como se a Fundação fosse um corpo estranho à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é um claro sintoma desse problema.
O fato é que não há papel para anjos nessa cena. Basta ler com atenção o documento estatutário que, em seu artigo 8º, reza: “A Fundação é dirigida por um Conselho Superior”. E quem, afinal, compõe essa instância superior ? Pró-reitores, diretores de Centros de Ensino e do Hospital Universitário, representantes indicados pelo Conselho Universitário da UFSM, Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, entre outros.
Entre as funções desse conselho sobressaem-se: escolher a diretoria executiva, aprovar atividades e proposta orçamentária, julgar contas, apreciar relatórios. Portanto, definir os dirigentes, os rumos e a lisura das práticas sob a tutela fundacional.
O que teria acontecido, então ? Estariam os conselheiros participando de eventuais desvarios na Fundação ? É óbvio que não. Ao que parece, o egrégio conselho não está desempenhando as suas funções na plenitude e por isso deve fazer o seu ato de mea culpa. Ato de contrição a ser seguido por todos, já que são modestos os registros de questionamentos, excluídas as habituais escaramuças das bancadas estudantil e sindical. Em bom português: ninguém, em tempo algum, esteve impedido de verificar o modus operandi da fundação.
O que resulta insuportável é ler e ouvir manifestações compungidas de certas “reservas morais” da academia, acompanhadas de propostas ingênuas de transparência. Como se, sob as asas da Fundação, estivesse abrigada toda sorte de especialistas em evasão de dinheiro público.
Pergunta-se: por que tais soluções não foram formuladas anteriormente, por exemplo, via diretores de Centros de Ensino ? Assim soa oportunismo. Significa colocar a totalidade dos projetos lá desenvolvidos na mesma cesta das maçãs maculadas pelos descuidos na colheita. Significa, igualmente, desconsiderar a colaboração que esse tipo de organização tem emprestado às universidades nas últimas décadas.
Enfim, antes de embarcar na canoa ligeira da demagogia, convém, aos integrantes da academia e da comunidade, propor intervenções saneadoras, a cada momento, em suas respectivas instâncias de representação. Trata-se de agir bem antes dos maus acontecimentos, sob pena de sobrar a opção do lamento constrangido."

domingo, novembro 25

Ser e Tempo


O Prof. Ernildo Stein, na palestra de encerramento do Colóquio realizado na PUC de Porto Alegre, por ocasião dos oitenta anos da publicação de "Ser e Tempo".

quinta-feira, novembro 22

Com paixão

 

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quarta-feira, novembro 21

Projovem (2)

Ouvi coisas muito boas sobre o Projovem e resolvi me informar mais a respeito do mesmo. Fui para o sitio, uma página oficial, evidentemente, da Presidência da República, Secretaria Geral. A Coordenadora Nacional do "Programa Nacional de Inclusão de Jovens" é Maria José Vieira Feres. Os grevistas dos anos oitenta lembram dela, uma das mais combativas e importantes militantes do movimento docente. Depois foi autoridade universitária ainda mais importante, ocupou todos os cargos na hieraquia acadêmica. É um grande quadro.
O sítio do Projovem traz a lista dos coordenadores do programa em cada estado. No caso do Rio Grande do Sul, consta como Coordenador do Projovem o Sr. Johanne Basso Vieira. A mesma pessoa também consta como coordenador do Projovem de Porto Velho, Rondonia. E nos dois casos, em nome da FUNDAE de Santa Maria. Fiquei curioso para saber mais sobre como funciona isso? Alguém sabia que a Fundae, de Santa Maria, toca um projeto do Projovem em Porto Velho, RO?
E quem é o representante da UFSM junto a esse programa? Até julho de 2006, se me lembro bem, a Coordenadora era uma professora do Centro de Educação da UFSM.

Nomes

De fato, o que nos sobra, no final das contas, é o nosso nome, já percebia bem o velho Homero, na Ilíada.
A passagem mais importante sobre isso está no Canto VI, Héctor e Andrômaca: o adeus, na linha 120

"Então Glauco Hipolóquio e o filho de Tideu se defrontam, no meio de ambas as facções, ávidas de combater. Diomedes, voz altíssona, fala primeiro:
"Quem és, mortal bravíssimo, que antes não vi na guerra que dá glória?

E etc.

terça-feira, novembro 20

Leituras da noite

De Simone Weil, no livro "O Enraizamento", Edusc, (2001).

“A verdadeira definição da ciência é que ela é o estudo da beleza do mundo”. (p. 236)

“A investigação científica não é senão uma forma da contemplação religiosa”. (p. 236)

A falta que nos faz.

Perguntas para um jornalista

1. Quem negociou a "Operação Maranhão" em nome da FATEC/UFSM em São Luís?
2. Quais os critérios acadêmicos de formação universitária que foram invocados para justificar tamanha "operação Rondon?"
3. Qual a opinião do presidente do Conselho Universitário da UFSM/Fatec sobre essas estocadas quase internacionais?

Res extensa

Deu em um jornal do Maranhão:

"O governador Jackson Lago mandou suspender o contrato entre a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), da Universidade Federal de Santa Maria RS, e o Departamento Nacional de Trânsito (Detran-MA), para realização de exames nos candidatos a motorista. A decisão foi anunciada pela secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal, que resolveu intervir no processo em função das denúncias de irregularidades que estouraram no Detran do Rio Grande do Sul envolvendo a Fatec.
O diretor-geral do Detran, Fernando Palácio, disse que o contrato assinado com a Fatec, no dia 19 de outubro último, "foi feito dentro da legalidade" e que a documentação apresentada pela empresa estava regular. Palácio explicou também que não foi feito ainda nenhum pagamento à Fatec, mas que o Governo resolveu agir de forma preventiva para evitar eventuais danos. Na terça-feira, o diretor-geral já havia alertado que se viesse a aparecer indício "da existência de qualquer irregularidade" o contrato poderia ser suspenso.
A Fatec passou a trabalhar para o Detran após a fundação anterior, a Carlos Chagas, haver solicitado a revogação do contrato de prestação de serviço em caráter definitivo, o que obrigou o órgão a buscar alternativa para garantir a expedição de carteiras de habilitação. Mas a Fatec, segundo a imprensa nacional, estaria cometendo irregularidades no Rio Grande do Sul, o que levou a Polícia Federal a investigar denúncias de desvio de recursos."

Perguntas por partes, como diria Jakson, o estripador.
1. Então o contrato já estava assinado?
2. Porque a Fundação Carlos Chagas rompeu o contrato? Por falta de pagamento, dizem.
3. E o que motivou a FATEC, no meio da sulina pampa a sair em desabalado galope rumo aos lençóis maranhenses para assinar um contrato com um estado inadimplente? Qual foi a vocação extensionista a motivar tal gesto abnegado?
Que segredos não nos guarda São Luís...

Projovem

Conversei longamente com Marcos Rolim faz poucos minutos. Alguém lhe informou sobre a postagem abaixo, "Espera", e ele tomou a iniciativa de me ligar, para trocar uma palavra. Contou que sim, prestou assessoria (mais do que isso, trabalho efetivo de formação) à Pensant e à Fundae, vinculada exclusivamente ao projeto Projovem. Mas apenas no Projovem.
"Pode escrever no blogue que nunca tive nenhuma relação com o Detran".
Felizmente para mim e para os leitores do blogue, nunca passou pela minha cabeça que houvesse essa relação, como se pode ver abaixo. Tenho por Marcos Rolim o maior respeito humano, político e intelectual, e foi em nome disso que expressei minha convicção que poderia esperar a palavra dele sobre essa conjuntura que envolve uma empresa na qual ele prestava assessoria. Foi a experiência dele na área de inclusão que lhe motivou a aceitar o convite que recebeu para trabalhar com políticas que conhece muito e há muito tempo.
Como eu e tantos outros, Marcos Rolim espera que as investigações sejam levadas a efeito da forma mais exata e o mais rapidamente possível. Certos juízos, quando postos diante de um horizonte mais largo, devem ser temperados pela espera.
Mestre Guina, mais um banquinho, por favor.

segunda-feira, novembro 19

O baile

Em um sítio do Ministério público estão resumidos os fatos da Operação Rodin. São esses, literalmente:
Fato 1, segundo o MP: "O Detran contratava, sem licitação, a Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia, e sua sucessora, a Fundação para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura, ligadas à Universidade Federal de Santa Maria, para elaboração dos exames de avaliação teórica e prática de habilitação de motoristas."
Resposta: as pedras do Arroio Cadena estão cansadas de saber isso. Isso nunca foi segredo para os mosquitos do arroio que passa atrás do Restaurante do Augusto.
Opinião da PF 1: "Como isso não é pesquisa universitária, a licitação era necessária", declarou o chefe do Núcleo de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, delegado Alexandre Isbarrola.
Digo eu: a Fatec faz qualquer coisa, inclusive abriga alguns projetos de pesquisa autenticamente universitária, mas isso os caramujos do fundo do meu pátio andam de caracol cheio de saber.
Fato Hipotético 1: "Na seqüência, as fundações cometeriam a irregularidade de terceirizar os serviços que prestariam ao Detran para empresas privadas pagando preços superfaturados e também por serviços não prestados.
Bueno 1: "Bueno, digo eu, vamos formalizar:
a) Existe um x tal que x, nas condições y, faz z.
b) e etecetera e tal.
c) se provarem que pê, pagamentos de precos super e serviços não prestados...
d) então... começaria o baile da afundação.
Finalmente: "Quando recebiam o pagamento, as fundações ficariam apenas com o valor equivalente aos seus custos e repassariam o restante às empresas terceirizadas. Estas, por sua vez, fariam parte da verba chegar aos agentes públicos que haviam dispensado as licitações"
A primeira parte é acaciana. A segunda parte, "estas, por sua vez, etc...", se provada, acaba com a aposentadoria dos até hoje indiciados.
Isso não é pouco.
Mas é tudo, no final das contas.
Em todo caso, a palavra agora está com o MP e com a PF, que estão com uma nota promissória na rua.

Singeleza

Mário Gaiger, atual presidente da Fundae, assinou uma nota nos jornais do final de semana, explicando o affair. O núcleo da descrição dos fatos é esse:

"O DETRAN-RS mantinha contrato com a FATEC, o qual foi rescindido em abril de 2006;
No dia 06 de abril de 2006 a FUNDAE foi procurada por empresa de consultoria que, sob o argumento de que não poderia haver solução de continuidade nos exames para obtenção da CNH, propunha que a Fundação assumisse o lugar da FATEC;
Foi agendada reunião em Porto Alegre para que o assunto fosse tratado junto ao DETRAN-RS, com a intermediação da referida empresa de consultoria;
A FUNDAE, naquele momento, não dispunha de know how, nem equipe montada para assumir tamanha obrigação na data prevista, qual seja 15 de maio (40 dias após o primeiro contato);
A solução apresentada à diretoria da FUNDAE era singela: bastaria que a FUNDAE contratasse a FATEC para que esta que já dispunha do conhecimento e pessoal continuasse a dar o suporte necessário. A FUNDAE assumiria os contratos dos encarregados de examinar os pretendentes a obtenção ou renovação da Carteira Nacional de Habilitação. A FATEC continuaria prestando os serviços de suporte no que se referisse ao software, enquanto a empresa de consultoria prestaria os serviços de supervisão, auditoria de soluções de tecnologia da informação e comunicação".

Afinal, porque mesmo foi rescindido o contrato do Detran com a Fatec em abril de 2006?

O parecer da Juíza diz que "ao que tudo indica, a rescisão deu-se por conta da manifesta resistência do novo Reitor da UFSM, Clóvis Silva Lima, à atuação das sistemistas. Considerando ter o reitor da UFSM peso expressivo no comando da FATEC, como já assinalado acima, a opção dos mentores do esquema foi no sentido de retirar o contrato de tal fundação, repassando-o à outra, qual seja a FUNDAE, na qual não tem participação na administração. Possivelmente, assim, o fato se relacione com a perda de influência de José Antônio Fernandes (principal sócio da Pensant Consultores) e de Paulo Jorge Sarkis (ex-reitor da UFSM), responsáveis pela configuração original do esquema, junto à FATEC."

Sistemistas são as empresas que faturaram os tais 31 milhões de reais (ou 40, em outras versões).
Na descrição do presidente da Fundae, ele foi procurado "por empresa de consultoria", isto é, por uma das sistemistas. A cena é patética: a Diretoria da Fundae, reunida, ouve uma exposição feita por uma empresa privada (que iria ganhar uma enorme fatia do bolo). A empresa propõe a assinatura de um contrato milionário. A diretoria retruca que não tem como fazer o serviço. O consultor responde: "E precisa?"
A Fundae não foi procurada pelo Detran nem pela UFSM. Ela assinou sabendo que tudo ficaria como dantes no quartel. Está na nota publicada ontem n'A Razão.
Falando em A Razão, é cobertura ou fechadura?
No mais, aceito a oferta do banquinho para esperar no que vai dar. Entro com um chimarrão bem cevado.

domingo, novembro 18

Afundações

Em Porto Alegre, na UFRGS, tem afundação. Lá, no entanto, há um Conselho Universitário que não se mixa. Aqui, que me lembro, as vozes que ergueram a favor de um pouco de ceticismo quanto às boas intenções foram esquecidas. Os dirigentes superiores das duas últimas reitorias deram curso a um processo de "integração" da pesquisa com a "comunidade" que se pautou pela anomia e pelo patrolamento do Conselho Universitário. Não faria mal comparar o funcionamento das duas instituições. Não faria mal perguntar porque certas empresas - especialmente no setor das ciências rurais e florestais - tem manifestado uma grande preferência pela ufesm (por muitos anos vamos ter que escrever assim, em caixa baixa); não tiveram chance na UFRGS.
Depois de duas semanas de crise, a Fundae pariu uma nota de perplexidade: não sabiam de nada, nunca antes, etc.
Depois de duas semanas de crise, a ufesm não pariu nenhuma nota sobre nada da afatec.
Segundo arazão, o vice-disse que ia fazer de conta que não havia visto os protestantes-estudantes quebrarem os vidros, etc. Ninguém sabe, ninguém viu.
E o Conselho Universitário daqui, vai continuar fazendo de conta que a afatec não fica dentro do Campus? E que culpa temos nós se os diretores de centro não entendem de contabilidade? Não deveriam contratar contadores isentos para examinar a papelada?
O povo, na rua, continua perguntando sobre auditorias mal havidas sobre projetos que financiaram, além de coquetéis, investimentos no ensino superior privado.
Como diria a Marilena do Oiapoque ao Chauí, vamos esperar que os promotores públicos e a polícia federal façam mais denúncias e prisões ou alguém de dentro da diretoria da afatec tem alguma coisa roxa para mostrar e enxotar as lebres?
Eu levei uma mijada de um Diretor de Centro, quando, no Conselho Universitário, pedi ao atual Vice-Reitor, assumindo o cargo, que desse umas vassouradas na afatec. A autoridade diretiva me ironizou, dizendo que o dito vice já estava perfeitamente a par de tudo, etc. Fiquei na minha. Vassoura nova pode apresentar surpresas, confiei. Deve estar em alguma ata do Consu, como estão em atas do Consu algumas brigas minhas com alguns que hoje andam na mira da polícia.
Confio, por mais uns dias.
Depois, me esperem. A vida é curta.

sábado, novembro 17

quinta-feira, novembro 15

Mesa de abertura


Da esquerda para a direita, professores Noeli, Frank e Marcelo. Sessão de abertura do IX Colóquio Conesul de Ciências Formais, sem patrocínio de afundacões.

Prof. Oswaldo


O Prof. Oswaldo Chateaubriand, na sessão de abertura do IX Colóquio Conesul das Ciências Formais, organizado pelo Prof. Frank Sautter.
Tem mais no Flickr ("Algumas fotos", link ao lado).

quarta-feira, novembro 14

XI COLÓQUIO CONESUL DE FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS FORMAIS

O tema este ano é "Negação", o local é o Hotel Itaimbé. O organizador é o Prof. Frank Sautter.
A programação é essa:

Quarta-feira, 14.11.2007:
20:00 – 20:30 Cerimônia de abertura
20:30 – 22:00 Conferência de abertura:
Jairo José da Silva (UNESP): O conflito entre as demonstrações reais da matemática e suas versões formais

Quinta-feira, 15.11.2007
09:30 – 10:20 Rogério Correa (UFG): A negação como operação formal
10:20 - 11:10 Alexandre Noronha (UFBA): Negação e proposições da Lógica no Tractatus de Wittgenstein
11:10 – 12:00 André Porto (UFG): Domínios, a regra da eliminação da indução e possibilidade em princípio
15:00 – 15:50 Guido Imaguire (UFC): A intensionalidade oculta das estruturas extensionais
15:50 - 16:40 Dirk Greimann (UFSM): A negação fregeana do número 2 (segunda parte)
As duas palestras acima terão, como debatedor, Jaime Rebello (UFRGS)
16:40 - 17:00 Coffee-break
17:00 - 17:50 Luiz Carlos Pereira (PUC-Rio): Negação no último Wittgenstein
17:50 – 18:40 Abel Lassalle Casanave (UFSM): Negação como operação formal em Hilbert

Sexta-feira, 16.11.2007
09:30 - 10:20 Décio Krause (UFSC): ¬∀x (Entidade(x) → Identidade(x))
10:20 – 11:10 Marcelo Coniglio (UNICAMP): Lógicas da inconsistência formal e negações paraconsistentes
11:10 - 12:00 Marcelino Pequeno (UFC): Handling exceptions in nonmonotonic reasoning
15:00 – 15:50 Javier Legris (UBA): Sobre la interpretación de la negación intuicionista
15:50 - 16:40 Jorge Molina (USC): Negação e dupla negação no intuicionismo de Brouwer
16:40 – 17:00 Coffee-break
17:00 – 17:50 Oscar Esquisabel (UNLP): El problema de la negación em Leibniz
17:50 - 18:40 Oswaldo Chateaubriand (PUC-Rio): Negação em Logical Forms

Sábado, 17.11.2007
09:00 – 09:50 Carlos Miraglia (UFPEL): A concepção darwinista do refutacionismo de Popper frente à ontologia dos três mundos
09:50 - 10:40 Wagner Sanz (UFG): Negação: verdade ou falsidade?
10:40 - 11:00 Coffee-break
11:00 - 11:50 José Seoane (UDELAR): Metáforas en lógica: una aproximación preliminar
11:50 – 12:40 Frank Sautter (UFSM): A noção kantiana pré-crítica de negação
15:00 - 16:30 Conferência de encerramento:
Marco Ruffino (UFRJ): Sensibilidade contextual e minimalismo semântico

Domingo, 18.11.2007
10:00-12:00 Reunião do Projeto de Cooperação Acadêmica PUC-Rio/UFSM/UFC (restrita aos integrantes do referido projeto e aos convidados do XI Colóquio Conesul de Filosofia das Ciências Formais)

terça-feira, novembro 13

Empresas e esperas

Quase meia dúzia de empresas estão saindo indiciadas nesse inquérito da Polícia Federal. Eu espero que algum dirigente da UFSM solicite formalmente à Fatec a lista de qualquer outro projeto tocado pela FATEC que eventualmente tenha negócios com as empresas formalmente indigitadas.
Ou será que vão esperar que alguém com assento no Conselho Universitário formalmente exija isso?
Ou será que alguém vai fazer de conta que não pensa?

Mala preta

Todo projeto ancorado na FATEC e tocado por gente da Usm tem que pagar um pedágio; afinal, usa-se gente, instalações, tempo da Usm. Assim, cada projeto deixa no caixa da Reitoria um tantinho, cinco, seis por cento, não sei. Desse caixa, a parte dourada fica para o Gabinete do Reitor, e o restante é repartido com os centros de ensino, para os Diretores. Essa caixa pode ser usada à discrição e conveniência dos envolvidos, bastando que existam notas fiscais, etc. Bueno, agora que fica evidente que havia mal havida moeda, como fica a Usm, que, em princípio, pode ter usado dinheiro mal tido?

segunda-feira, novembro 12

Espera

Um dos think tank da política gaúcha, ex-aluno da UFSM e reserva moral da esquerda tem sua palavra ansiosamente aguardada por muita gente. Marcos Rolim consta do site da empresa Pensant como um dos seus consultores, e o mesmo se aplica à Fundae. Rolim é um dos maiores conhecedores do tema "segurança" no Brasil. Em seu currículo consta um ano ou mais em Oxford, estudando o tema. Foi convidado pela Pensant para dar consultoria para ações de inclusão da juventude. Diz no site:
"O Jornalista Marcos Rolim, especialista em Políticas Públicas para a juventude e Consultor da Fundae, fala sobre o ProJovem.
'As prefeituras de capitais que têm aderido ao ProJovem talvez não tenham a exata dimensão do significado histórico do programa. Em muitos casos, como em Porto Alegre, dificilmente a administração municipal terá a chance de executar um programa social de maior impacto e importância'.
Na ZH de hoje, Rosane de Oliveira diz que o Projovem está entrando na berlinda. Estou seguro que Marcos Rolim, fiel ao seu perfil histórico, não nos deixará sem sua palavra sobre esta conjuntura.

Pacto pelo Rio Grande

O sítio da Pensant traz a relação da equipe que trabalhou no projeto "Pacto pelo Rio Grande", trabalho que consta na relação de projetos tocados pela empresa. A lista é esta:

"Equipe Pacto Pelo Rio Grande
Presidente
Deputado Fernando Záchia
Comissão Executiva
Coordenador Deputado Cézar Busatto (PPS) 
Deputado Raul Pont (PT) 
Deputado Jair Soares (PP) 
Deputado Márcio Biolchi (PMDB) 
Deputado Giovani Cherini (PDT) 
Deputado Luis Augusto Lara (PTB) 
Deputado Ruy Pauletti (PSDB) 
Deputado Reginaldo Pujol (PFL) 
Deputado Berfran Rosado (PPS) 
Deputado Heitor Schuch (PSB) 
Deputada Jussara Cony (PC do B)
Assessoria Técnica: 
Coordenador Prof. José Antônio Fernandes MSc Economista / Modernização
Prof. Paulo Jorge Sarkis Msc Engenheiro / Desenvolvimento
Darcy Francisco Carvalhos dos Santos - Economista / Realismo Orçamentário
Prof. José Odim Degrandi Msc Administrador 
Prof. Marcos Rolim - Jornalista
Dra. Denise Nachtigall Luz - Advogada
Dra.Gabriela Nehme Bemfica - Advogada
Dra. Liz Beatriz Sass - Advogada
Dr. Ferdinando Fernandes - Advogado
Francene Fernandes Msc Psicóloga /Gestão de Pessoas 
Ipojucan Seffrin Custódio - Administrador
Juliana dos Santos Cauzzo - Administradora
Diogo De Gregori – Bacharel em Direito
Assessora Executiva: 
Stela da Silva e Silveira
Auxiliares Técnicos: 
Mário Jaime Gomes de Lima - Acad. de Economia 
Mariana Todeschini - Acad. de Relações Públicas
Consultores Especiais:
Prof. Pedro Silveiro Bandeira Dr. Economista - UFRGS
Prof. Roberto da Luz Júnior Msc Economista - UFSM
Prof. Pedro Einstein dos Santos Anceles Msc Tributarista - UFSM
Colaboradores da UFSM:
Dr. Mauro Valdir Schumacher - Créditos de Carbono
Dr. José Fernando Schlosser - Agronegócios
Dr. Geraldo da Silveira - Recursos Hídricos
Dr. Felix Alberto Farret - Fontes Alternativas de Energia
Msc Elder Estevão de Mello - Desenvolvimento Econômico e Social
Dr. Doadi Brena - Cadeia Produtiva de Florestas"
A informação, by the way, é pública.

sábado, novembro 10

A Nova Corja

http://www.insanus.org/novacorja/
Walter Valdevino, em "A Nova Corja" visita o episódio do Detran e faz algumas conexões.

Devassa

Os jornais de hoje noticiam que a diretoria da FATEC decidiu contratar, por licitação, uma auditoria nos mais de 400 projetos da Instituição, para ver se há algo errado no reino.
Acho que não caiu a ficha para esse povo. Não se deram por conta do tamanho do buraco em que nos metemos.
A UFSM, a partir de agora, vira sinônimo de falcatrua, mesmo que fique provado que a grande maioria dos presos é inocente. Eu não acredito que todos os citados e afastados até o momento sejam desonestos, quadrilheiros, etc. Mas a mancha veio para a instituição, ponto, e vai ser difícil reverter isso.
Isso de fazer auditoria lembra outro rumor que corre na instituição. Um dos projetos da FATEC, que envolvia a área da saúde e uma das empresas citadas no imbroglio, foi motivo de auditoria no ano passado. A empresa contratada, segundo esse rumor, pertence a um dos presos pela PF...
A diretoria da FATEC poderia esclarecer isso, informando ao distinto público qual foi a empresa contratada para fazer a auditoria do projeto distinguido pela atenção da bancada estudantil no Conselho Universitário?
Digamos que venha a tal da auditoria, que vai dizer que está tudo ok ou mais ou menos.
Fica tudo lá dentro.
Tem 400 projetos? Que a FATEC publique uma página na internet, com os seguintes datos:
1. Nome do projeto.
2. Quem o desenvolve?
3. Quais são as instituições e ou empresas que o financiam?
4. Há bolsas e remuneração a docente, servidores estudantes? Para quem e quanto?
Ponto.
Depois disso, que venha a consultoria, auditoria. Antes disso, tudo parece como antes no quartel do abrantes.

quinta-feira, novembro 8

Acabou

Uma das possíveis candidaturas a um dos centros de ensino da UFSM terminou nas páginas da denúncia oferecida pela juiza, que justificou o pedido das preventivas. A ver. O documento da juíza pode ser lido na página do www.claudemirpereira.com.br. Alguém lembra de uma conversa aqui no morana sobre tapetão? A ver. E então tá.

Lista


Começam os protestos no Campus. Haviam hoje dois enormes cartazes como esse, um no arco e outro na frente do Hospital Universitário.
O Departamento de Filosofia fez uma proposta muito interessante hoje ao Conselho Superior da FATEC, por meio do Diretor do CCSH, prof. Koff. O pedido foi que a FATEC publicasse uma página na internet contendo o numero de matricula de todas as pessoas que tem projetos ali, seguidos do valor das bolsas recebidas, das empresas vinculadas, etc. Afinal, essas pessoas são trabalhadores da UFSM, uma entidade publica, e o tempo para esse trabalho é tempo público. Depois e ademais: vamos parar com essa história que todo mundo ganha bolsa. Alguns ganham. Certamente merecem e não temem. Pois vamos mostrar isso, para o povo deixar de ficar falando mal e que não existe transparência-brasil aqui na Ufesm. O Prof. Koff garantiu que iria apresentar essa proposta hoje à tarde. Isso é que é Departamento, meu!

terça-feira, novembro 6

Ex

Pois não é que gogleando se descobre que um certo ex-deputado (na verdade, são quase dois ex-deputados) tem relações de assessoria com algumas das vítimas da prepotência da polícia federal?

O Sitio da Ufesm

São quase onze da noite. Até agora o sítio da Ufesm não disse um "ai". Faz mais de vinte anos que se discute o papel das Fundações de apoio. Há quem diga que as universidades federais não funcionariam sem elas. Pois quem sabe agora, tapados de manchetes, a gente ache um tempo para pensar como as universidades poderiam funcionar sem elas. Os incomodados, quem sabe, deveriam se mudar. E se o ministério público começar a investigar algumas ligações que começam a ser feitas entre professores da Ufesm e instituições de ensino superior bocamontinas para o funcionamento de projetos milionários, envolvendo empresas privadas na outra ponta do triângulo? Eu, hein? Como disse o ex-deputado, rei-tor ou rei-momo?

Fundae

O sítio da Fundae continua fora do ar. Antes que pensem qualquer coisa, ponho minha mão no fogo pelo Mario Gaiger e pelo Padre Chico e vários outros, da direção da Fundae. Não duvido, no entanto, que eles queiram colocar algumas coisas ou outros no fogo.

Yahoo

No Yahoo:
"Segundo policiais que comandaram a operação, o Detran contratava sem licitação a Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia (Fatec), e sua sucessora, a Fundação para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), ligadas à UFSM, para elaboração dos exames de avaliação teórica e prática de habilitação de motoristas.
"Como isso não é pesquisa universitária, a licitação era necessária", destaca o delegado Alexandre Isbarrola, chefe do Núcleo de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal no Rio Grande do Sul. Na seqüência, as fundações também cometiam a irregularidade de terceirizar os serviços que prestariam ao Detran para empresas privadas, pagando preços superfaturados e também por serviços não prestados.
Quando recebiam o pagamento, as fundações ficavam apenas com o valor equivalentes aos seus custos e repassavam o restante às terceirizadas. Estas, por sua vez, faziam parte da verba chegar aos agentes públicos que haviam dispensado as licitações."
O que me parece: alguém fez sarcasmo com os promotores e procuradores e eles aceleraram o troco. Se houver prova do superfaturamento e serviços não prestados, aí, como diria o Mestre, bomba atômica. Caso contrário, chabu radioativo.

Imprensa: O Globo digital

"A Polícia Federal já cumpriu 12 mandados de prisão durante a "Operação Rodin", desencadeada em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público, na manhã desta terça-feira (6). O objetivo é desmontar uma quadrilha suspeita de desviar recursos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A Receita Federal estima que cerca de R$ 40 milhões tenham sido desviados dos cofres públicos desde 2002.
Segundo as investigações, o grupo utiliza fundações de apoio universitário e empresas administradas por "laranjas".
A operação foi desencadeada em Porto Alegre e Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e São Luís, no Maranhão. Catorze mandados de prisão temporária foram expedidos pela Justiça Federal, a requerimento da Procuradoria da República.
O seqüestro de bens e de contas bancárias, além da realização de buscas de documentos e computadores foram autorizados pela Justiça. Cerca de 50 auditores e analistas da Receita Federal e 250 policiais federais participam da operação nos dois estados.
Na investigação, a polícia federal identificou que a organização atuava no Detran/RS, efetuando contratos para a avaliação teórica e prática na habilitação de condutores de veículos automotores -- sem licitação -- com fundação de apoio universitária. Os serviços eram prestados com a utilização da estrutura física e de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm).
Na fraude, os responsáveis efetuavam subcontratações ilegais, cujos serviços, quando prestados, eram superfaturados. Tanto o Detran/RS quanto a Ufsm são vítimas do grupo investigado.
Os presos vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, fraude a licitações, tráfico de influência, sonegação fiscal e estelionato."

Coperves

O Prof. Jorge Cunha assumiu temporariamente a presidência da Coperves. O Prof. Dario foi afastado, temporariamente. A notícia não saiu ainda no sitio da Ufesm, que por enquanto - 18.09 - desconhece o assunto. As prisões - chegariam a uns 10 ou 12 ao todo, entre os da casa e dos de fora - são temporárias, como se sabe, para investigação e pirotecnias. A ZH chegou a dizer que o ministro Tarso Genro recomendou não liberar assim no mais os nomes, de pessoas e de empresas. Então tá, de novo.

Assunto antigo por aqui

O leitor curioso leia as postagens aqui do "morana" feitas no dia 7 de maio de 2006, "Daqui para frente" e "Afundações". Um dos citados ali vai passar uma ou duas noites dando explicações na PF.

Reitoria

A Reitoria sabia disso? Lasier Martins, da Rádio Gaúcha entrevista o vice-reitor da Ufesm. Ele responde que o acontece lá na Fatec não é da responsabilidade da Reitoria. Então tá.

Afundações

Uma fundação com sede em Santa Maria presta serviços em Viamão. Veja o que o sítio da cuja informa:
"Em Viamão, o Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária (ProJovem) está sendo desenvolvido desde novembro de 2006, quando foi assinado o contrato entre a Prefeitura e a Fxxxxx. As atividades estão previstas para começar em janeiro de 2007 com a implantação de 05 núcleos e a Fxxxxxx já selecionou os educadores que irão atuar no Programa e que em breve estarão sendo contratados."
Esse ProJovem vai dar o que falar.

Much

Much ado, vai dar chabu. Não senti muita firmeza na operação. Mas ficará essa fumaceira horrível em torno da Ufesm. O curioso é que durante o dia algumas páginas na internet foram desaparecendo. Estou tentando entrar na página da Fundae, por exemplo, e ela está fora do ar desde as onze da manhã.

Núcleo Pensante

Diz o delegado Alexandre, em entrevista para a Rádio Gaúcha, que havia um "núcleo pensante" que "bolava as operações" em Santa Maria, na Universidade...

Na Folha

Folha Online
A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira ao menos 12 acusados de fraudes em contratos públicos realizados pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul.
A operação Rodin também já cumpriu 43 mandados de busca em apreensão em Porto Alegre, Canoas e Santa Maria.
Estimativas da Polícia Federal apontam prejuízos de cerca de R$ 40 milhões aos cofres públicos desde 2002. De acordo com as investigações, o órgão contratava, sem licitação, a Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).
A fundação seria a responsável pela avaliação teórica e prática para habilitação de condutores de veículos automotores, e usava a estrutura física e os servidores da universidade.
Os presos devem responder pelos crimes de formação de quadrilha, fraude a licitações, tráfico de influência, sonegação fiscal, estelionato, peculato e corrupção ativa e passiva.

Pensando bem

A escultura mais conhecida de Rodin chama-se "O Pensador". Uma das empresas que presta serviços as afundações
(afinal, são duas afundações boca-montenses) que prestam serviços ao Detran tem um nome parecido com esse, pensare, pensant, algo assim. Alguém na PF não resistiu à ironia, dupla, quem sabe, para cutucar os pensadores.

Nunca antes

Deu no sítio da Polícia Federal:
"OPERAÇÃO RODIN DESMONTA ESQUEMA DE FRAUDE EM CONTRATOS PÚBLICOS
PORTO ALEGRE/RS - A Polícia Federal desencadeia, na manhã de hoje, 06, a Operação Rodin, que desarticula uma quadrilha especializada em fraudes em contratos públicos realizados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS). Participam da ação 252 policiais federais e 46 servidores da Receita Federa que já cumpriram 12 mandados de prisão temporária e 43 mandados de busca em apreensão em Porto Alegre, Canoas e Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
Estimativas da Polícia Federal apontam prejuízos de cerca de R$ 40 milhões aos cofres públicos desde 2002. De acordo com as investigações, o órgão contratava, sem licitação, a Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia (FATEC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Esta fundação seria a responsável pela avaliação teórica e prática para habilitação de condutores de veículos automotores, e usava a estrutura física e os servidores da universidade. Ocorre que esse tipo de contratação só é permitida para a promoção de ensino, pesquisa e extensão, mas os responsáveis legais burlavam a legislação e efetuavam a subcontratação de empresas que prestavam serviços superfaturados ou inexistentes. Funcionários dessas empresas eram ligados, indiretamente, a determinados dirigentes do órgão estadual, os quais eram responsáveis pelas licitações ou pela dispensa delas, e que recebiam benefícios pecuniários indevidos em razão do esquema. Os presos estão sendo encaminhados para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, onde serão ouvidos. Eles responderão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude a licitações, tráfico de influência, sonegação fiscal, estelionato, peculato e corrupção ativa e passiva. Também participaram das ações o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul e a Receita Federal. Será concedida entrevista coletiva na Superintendência Regional da Polícia Federal em Porto Alegre às 14h30 , localizada na Av. Ipiranga, 1365 – Porto Alegre/RS."

Operação Rodin


Deu no Claudemir Pereira:

"Operação Rodin. Ação contra fraude envolve Fatec, UFSM e Detran. Já são 12 pessoas presas
Santa Maria está em ebulição. Pelo menos as que, de alguma maneira, são ligadas à UFSM. Já teriam sido detidos, segundo informações divulgadas pelas emissoras de rádio da cidade, o presidente da Coperves/UFSM, Dario Trevisan, o ex-reitor da UFSM, Paulo Sarkis; e o diretor geral da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia (Fatec), Luiz Pelegrini. Informações oficiais a respeito ainda não foram divulgadas pela Polícia Federal, que realiza a operação que já prendeu 12 pessoas no Estado, inclusive o presidente do Detran-RS, Flávio Vaz Neto - como conta reportagem distribuída pela versão digital do jornal Zero Hora."

Pós-escrito: no dia 7, quarta-feira, a informação acima foi confirmada apenas em parte. Paulo Sarkis e Luiz Pelegrini não haviam sido detidos.

A ver

Achei a coisa meio mal descrita. O triângulo UFSM/FATEC/Detran sempre foi público. O próprio governador do Rio Grande esteve ali na sede hoje invadida pela Policia Federal, de manhã cedo, inaugurando o programa "Trabalhando pela vida". O problema é essa acusação: "Os responsáveis legais estariam burlando a legislação e efetuariam a subcontratação de empresas que prestavam serviços superfaturados ou inexistentes." A ver.

Zero Hora

Deu na Zero Hora Digital:
"A Polícia Federal realiza desde a madrugada desta terça operação para desarticular um grupo suspeito de realizar fraudes em contratos públicos realizados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran- RS). Entre os presos estão o atual diretor-presidente do órgão, Flavio Vaz Netto, e o ex-diretor-presidente Carlos Ubiratan dos Santos. A prisão é temporária para efeitos de investigação.
Participam da operação 252 policiais federais e 46 servidores da Receita Federal, que já cumpriram 12 mandados de prisão temporária e 43 mandados de busca em apreensão em Porto Alegre, Canoas e Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
Estimativas da Polícia Federal apontam prejuízos de cerca de R$ 40 milhões aos cofres públicos desde 2002. De acordo com as investigações, o órgão contrataria, sem licitação, a Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia (FATEC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). De acordo com a PF, esse tipo de contratação só é permitida para a promoção de ensino, pesquisa e extensão. Mas os responsáveis legais estariam burlando a legislação e efetuariam a subcontratação de empresas que prestavam serviços superfaturados ou inexistentes.
Também participaram das ações o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, o Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul e a Receita Federal."

Explicações

É bom que venham e que sejam claras, de um lado e de outro. O que a cidade espera é que tudo seja muito bem esclarecido. O preço que a Ufesm vai pagar pela madrugada de 5 de novembro será muito alto.

Afundações

Afundou.

Um dia bom

"Porque assim é a natureza humana: as penas padecidas simultaneamente não se somam em nossa sensibilidade; ocultam-se, as menores atrás das maiores, conforme uma lei de prioridades bem definidas." (Primo Levi, É Isso um Homem? Editora Rocco, 1988, p. 83)

segunda-feira, novembro 5

A Vida de Johnson


Em meio a uma discussão sobre provas e refutações em Filosofia, na aula da semana passada, lembrei de recomendar a um aluno em apuros alguns procedimentos inspirados pelas narrativas de Boswell em "Life of Johnson". Aqui vai o original:
"After we came out of the church, we stood talking for some time together of Bishop Berkeley's ingenious sophistry to prove the non-existance of matter, and that every thing in the universe is merely ideal. I observed, that though we are satisfied his doctrine is not true, it is impossible to refute it. I nevel shall forget the alacrity with Jonhson answered, striking his foot with mighty force against a large stone, till he rebounded from it, "I refut it thus.! This was a stout exemplification of the first truths of Pere Bouffier, or the original principles of Reid and of Beattie; without admitting which, we can no more argue in metaphysicks, than we can argue in mathematics without axioms."
(Life of Samuel Johnson, LL.D, by James Boswell)

sexta-feira, novembro 2

Ensino noturno

Saí do prédio do CCSH ontem por volta de 22.25, depois de aplicar uma prova. Caía uma chuvinha fina. Meu carro era o único no estacionamento.