terça-feira, julho 25

Festival de Inverno


Todas as noites, no Festival de Inverno de Vale Vêneto, tem concertos abertos ao público. A série foi aberta com a apresentação do Quinteto de Sopro, na Igreja. Foi belíssima. O grupo, formado por músicos de Santa Maria, liderados pelo Prof. Jordelei Santos, tem apenas alguns meses de idade. Trata-se de uma formacão clássica na área de sopro, como Canadian Brass, Empire Brass Quintet, etc. Esse povo de Santa Maria é muito bom, e foi recompensado por uma platéia cheia. Vale a pena assistir uma apresentação deles.
Logo depois, no salão do colégio, foi a vez dos concertos dos professores do Festival. Primeiro tocou Eduardo Meirinhos, violão. Eu não sou da área, não sabia quem era o cara. Logo de cara ele tocou uma peça de Leo Brouwer, chamada "Variações sobre um tema de Django Reinhardt" que arrasou. E por aí ele foi destruindo. Gogleei ele hoje e descobri que o sujeito é referência na viola, cedês gravados, peagadê no pinho. Depois entrou Brian Zator, um mágico na marimba, deixou todo mundo de boca aberta com a delicadeza das peças que tocou. Zator é americano do Texas, músico, professor de percussão, outro arraso.
Hoje eu tinha compromisso por aqui, não deu para ir. Se foi parecido com ontem...
O clima é o da foto, só música na noite. E para os boêmios, o bicho pega no bar da dona Romilda depois das dez da noite.

domingo, julho 23

Dois novos links


Acrescentei na lista ao lado dois links. Um deles é para o blogue do Mestre Guina, com importantes dicas de blogues de ciências, entre outras coisas; o outro é para algum fotografismo de final de semana. Neste final de semana cliquei a meninada do Grupo de Percussão de Camobi, um belo trabalho que foi apresentado na tarde cinzenta do domingo.
Vale lembrar que amanhã, segunda-feira, tem apresentação do Quinteto de Sopro por volta de 18.00 horas em Vale Vêneto.
Aproveito para agradecer ao Frank a dica do "Mercador de Veneza", com Al Pacino no papel de Shylock. Demais de bom!

Tanques invadem Vale Vêneto


Tanques invadem Vale Vêneto
Originally uploaded by ronairocha.
A semana cultural de Vale Vêneto não é mais a mesma.

quinta-feira, julho 20

Carlos Gerbase e a jornada de Lula

Para quem curte a elaboração de roteiros e tem uma idéia do tema da jornada do herói, o texto de Carlos Gerbase que está no endereço abaixo é imperdível. O que Carlos Gerbase fez foi colocar Lula no lugar do personagem da jornada do herói, em especial para dar seu pitaco sobre os motivos e causas do prestígio que ele desfruta no imaginário popular. Vale a visita. Obrigado ao Pedro pela dica.
http://www.nao-til.com.br/nao-82/jornada.htm

terça-feira, julho 18

Si non e vero e bene trovato

A entrevista de Marcola que se encontra em diversos sites da internet é o assunto da hora de muitas rodas da classe média brasileira. Li, acho que não é verdadeira; que ele leia Dante, não me parece o ponto; as perguntas são patéticas, o texto tem um tom pseudo geral, e o autor se trai nas "soluções" que coloca na boca do Marcola. Agora, reconheço que algumas passagens fazem sentido nessa geléia em que vivemos. Se você ainda não leu, de uma gogleada em "marcola entrevista". Vai entender o pânico branco. By the way, se o Marcola leu Dante, ao menos não citou corretamente. Mas isso importa?

quarta-feira, julho 12

Discutindo Filosofia

Transcrevo o mail que recebi, que pode ser do interesse de algum leitor:

"A revista DISCUTINDO FILOSOFIA está recebendo colaborações para a edição n°5.
Trata-se de uma revista de divulgação que integra um projeto didático da editora Escala Educacional. O projeto, em linhas gerais, é o seguinte: uma revista de filosofia voltada para o público do ensino médio, mas lida também por universitários ou pessoas interessadas no assunto. Em especial, para este número, estamos interessados em um texto de 6 páginas sobre a obra e o pensamento de Freud. A revista tem uma tiragem de 40.0000 exemplares e tem tido boa aceitação. Em parte porque há um crescente interesse social pela filosofia, em parte porque a filosofia enquanto disciplina curricular do ensino médio carece de material paradidático e em parte também porque a revista tem um preço de mercado bastante acessível R$6,90. O n°1 alcançou o total de 20.000 exemplares vendidos, o n°2 17.000. Não sabemos ao certo o quanto o n°3 vendeu, mas deve estar em torno desta média. A expectativa é que a circulação da revistaaumente, especialmente em razão da aprovação, pelo Conselho Nacional de Educação, da obrigatoriedade da disciplina no ensino médio em todo o país.
O n°4 da DISCUTINDO FILOSOFIA, que trás Lévinas na capa, deve chegar às bancas nas próximas semanas. Gostaria de convidar a todos a colaborar, escrevendo para a revista. Os textos são curtos, devem adequar-se ao público alvo (os alunos do ensino médio) e podem versar sobre os mais variados temas do campo filosófico. Todas as colaborações serão remuneradas, embora ainda seja bastante tímida. Em anexo segue esclarecimentos que explicam em detalhe o que se espera das colaborações. Terei prazer em dar maiores informações aos interessados. Os que quiserem conhecer os números anteriores, ao menos o índice e alguns textos, podem consultar a página eletrônica da revista:
http://www.discutindofilosofia.com.br
Nela também estão contidas informações sobre assinatura.
Agradeço a todos a atenção e as possíveis colaborações. Igualmente, agradeceria imenso a gentileza de divulgarem o lançamento do n°4 e o pedido de colaborações para o n°5. Ponho-me à disposição para qualquer outro esclarecimento.
Cordialmente,
Marta Vitória de Alencar
Coordenadora geral
Profª de filosofia da Escola de Aplicação FE/USP"

terça-feira, julho 11

"Vendo um crioulinho"


Dias atrás passei no prédio antigo do Forum, atual Centro Cultural do Município, para dar uma olhada. Visitei o Arquivo Municipal e conversei um pouco com a estagiária que ali trabalha. Entre outras coisas perguntei para ela qual seria o documento mais antigo ali existente. Ela abriu a gaveta da escrivaninha e me mostrou uma folha A4, amarelada, que conteria, segundo ela, um contrato de compra e venda de um "crioulinho", datado de 1867. Hoje voltei lá e fiz uma foto do mesmo, da qual transcrevo aqui o que entendi.
"Pelo presente escripto de venda declaro, que sou senhora e ligitima possuidora, de um crioulinho por nome Fernando, de idade trêz annos pouco mais ou menos, livre de hypotheca, embargos ou outra qualquer obrigação; e com todos os achaques vizíveis ou invizíveis, dele faço venda como pelo presente vendido tenho ao (...) Joaquim da Silveira, pelo preço e quantia entre nós ajustado de seis-cento e cincoenta mil réis - que recebi do presente em moeda legal; ficando (...) Silveira obrigado a satisfação da respectiva (...) correspondente a esta importância. E para que o referido (...) possa gosar d'hoje em diante do dito crioulinho, lhe transmitto todo o direito, senhorio, domínio e posse que no mesmo tenho: podendo por esta forma considerá-lo como sua verdadeira propriedade d'hoje para sempre; obrigando-me a fazer boa e valiosa venda, dando aqui (...) bem expressadas quaisquer cláusula ou cláusulas das de esse direito permittidas que aqui deixem de ser especificadas como se de cada uma fizesse particular asserção. - Em firmeza do que, faço esta venda de (...) espontânea vontade e livre de constrangimento algum pelo que pedi a Firmino Carneiro da Rocha que, por eu não saber ler nem escrever este por mim fizesse; o qual depois de me ser lido o achei bem conforme (...) do que assigna o mesmo (...) a meu rogo, com as testemunhas que abaixo vão assignadas.
Vila (...), 13 de março de 1867
Maria Antunes Paz"
Isso é um pouco do passado de Santa Maria. Fiquei pensando se um neto do Fernando não mereceria uma cota dessas que o povo erudito anda discutindo.

domingo, julho 9

A pedido

Andar


"É certo que quem anda devagar às vezes não alcança a meta, mas quem corre demais muitas vezes também pode passar por ela sem parar." O texto é de Kierkegaard, nas Migalhas Filosóficas.
Fiquei deitado no chão, olhando pro jabuti e pensando nos méritos da ligeireza. Para um sujeito que carrega todo esse peso nas costas, o bicho até que anda muito rápido.
Baita migalha, essa aí do Kierkegaard, pensei.

sábado, julho 8

A cauda do pavão


O pavão também mora ali no Passo da Ferreira, no Criatório Conservacionista São Brás.

O olho da coruja e a cauda do pavão


Estou ficando velho. No final deste ano estarei a apenas quatro anos dos sessenta, e certos pensamentos nessa idade nos assaltam com naturalidade, pedem intimidade e, na nossa distração, vão ficando. Um deles me acompanha faz tempo. Dividir as pessoas entre as boas e as más deixaria muita gente boa de fora - a imensa maioria de nós transita entre momentos disso e daquilo -, mas sempre a mania taxionomica volta. Assim, inspirado numa frase de um amigo distante, pensei em classificar as pessoas da seguinte forma: diante de um problema, as que se sentem como parte dele, ou como parte da solução. Por problema, aqui, entendo desde esse tema de ensino de filosofia (e essa carona que a sociologia pegou, vamos reconhecer!) até a questão da violência urbana. De um lado, a turma da imaculada concepção, que tem a solução para todo e qualquer problema: o mundo visto de fora; de outro, a plebe, que faz parte do desgraçado do problema. Eu, que tenho sangue de português, uma antepassada negra e outro índio, faço parte do problema; eu mesmo tenho vontade de não dizer nada e esperar mais um pouco, até que a coruja me pisque o olho.
O ensino de Filosofia, por certo, vai ter que disputar espaço com outras disciplinas. Se não for bem feito - isto é, apoiado em muita pesquisa séria, corre o risco que ser diluído e gradativamente perder espaço. Nunca escondi que defendo a volta da Filosofia de forma gradual, passo a passo; e dessa forma, ela já está voltando em 17 estados, como reconhece o MEC. Essa "volta por cima" tem seu riscos, sim.
A coruja está ali no São Brás, no Passo da Ferreira. Ainda não achei nenhuma no Campus. Quem souber, me avise.

sexta-feira, julho 7

Deu na Voz do Brasil

Deu na Voz do Brasil, faz poucos minutos:
"O Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu nesta sexta-feira, 7, por unanimidade, que as escolas de ensino médio devem oferecer as disciplinas de filosofia e sociologia. A medida torna obrigatória a inclusão das duas matérias no currículo do ensino médio em todo o país, ampliando o que já era praticado em 17 estados.

Segundo o relator da proposta, conselheiro César Callegari, a decisão vai estimular os estudantes a desenvolverem seu espírito crítico. “Isso significa uma aposta para que os alunos possam ter discernimento quando tomam decisões e que sejam tolerantes porque compreendem a origem das diversidades”, declarou.

Na avaliação do titular da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), Francisco das Chagas, a medida vai ampliar o número de vagas para profissionais de filosofia e sociologia. “A falta de professores em algumas situações também vai se adequar porque, com o ensino obrigatório das duas disciplinas, os cursos de graduação formarão mais profissionais para atuarem no setor”, disse.

A proposta de mudança foi feita pelo Ministério da Educação em 2005, mas como é do CNE a prerrogativa de definir as diretrizes curriculares nacionais, a deliberação foi feita pelos conselheiros. Agora, o parecer será homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Segundo o documento aprovado, os estados terão um ano para incluir a filosofia e a sociologia na grade curricular do ensino médio.

Mudança – Para o professor de filosofia Aldo Santos, de São Paulo, a decisão vai promover uma mudança na estratégia educacional que desenvolve o pensamento, a reflexão e a ação dos estudantes. “Agora, o jovem vai entender o seu papel na história e saber que ele pode ser um agente transformador na sociedade”, analisou.

A inclusão das disciplinas de sociologia e filosofia no currículo do ensino médio foi comemorada por cerca de 150 professores e estudantes, que compareceram ao auditório do CNE. Houve até champanhe após a aprovação do parecer pelos conselheiros."

quinta-feira, junho 29

quarta-feira, junho 28

O BRAÇO CURTO DO PODER PÚBLICO

Delmar Bressan*

Está em curso no sul da América uma rumorosa polêmica tendo como epicentro uma essência florestal de origem australiana, o eucalipto.
Introduzida no Brasil em maior escala no alvorecer do século XIX e destinada à produção de lenha para as locomotivas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a espécie transformou-se no ícone do atual modelo de plantios extensivos para produção de celulose e papel.
Na situação mais próxima em exame – os plantios na metade sul do Rio Grande – as contradições e insuficiências são visíveis. Entre elas, observa-se, desde o princípio, uma inversão da ordem lógica das coisas, determinada pela dificuldade crônica dos agentes estatais de planejar o desenvolvimento regional e, a partir daí, de antecipar-se às demandas mediante a fixação de regras claras e duradouras.
Ao poder público, independente do governo em exercício, cabe planejar a ocupação do espaço territorial sob seu domínio e, por conseqüência, definir previamente as posições geográficas que apresentam potencial para receber as diferentes alternativas econômicas. Para o caso em foco, é possível adotar, por exemplo, as divisões hidrográficas como referência espacial, definindo áreas preferenciais para (re)florestamento, grau aceitável de transformação da paisagem, zonas de proteção previstas na legislação etc.
Além do ordenamento territorial, será sempre conveniente, à parte os já repetitivos estudos de impacto ambiental, exigir o desenvolvimento paralelo de pesquisas científicas – feitas por grupos independentes e financiadas por instâncias públicas – capazes de esclarecer o efeito das florestas de eucaliptos sobre a água, o solo e a biodiversidade regional, além de suas repercussões na estrutura fundiária e nas relações de trabalho. Se não existirem tais investigações, ficaremos todos à mercê de informações desencontradas, que ora prevêem um caos hídrico na região por conta dos eucaliptos beberrões, ora vaticinam a redenção econômica do sul decadente. Um pouco de ciência e de bom senso não fará mal a ninguém.
No entanto, o braço estatal, nesses tempos bicudos, anda curto. E tende a ficar cada vez mais curto, diante da “fuga iminente” de investimentos. Sendo assim, a definição destes regramentos, até onde se pode vislumbrar, passa a ser feita ou influenciada pelos interesses empresariais. Basta ver o modelo de aquisição de glebas de terras adotado por parte de empresa multinacional e o choque previsível com a Constituição brasileira que dificulta a concentração fundiária nas zonas fronteiriças em mãos estrangeiras. Ou ainda as sutis tentativas de cooptar setores do meio acadêmico e do parlamento estadual para obtenção de algum tipo de salvo conduto.
As críticas pertinentes à origem da espécie representam segregação duvidosa. Sem desconsiderá-las, há outras questões decisivas: o modelo de ocupação dos amplos espaços regionais, as pesquisas com o selo e o zelo públicos e o monitoramento das transformações socioeconômicas advindas das florestas implantadas em meio aos outrora gloriosos campos sulinos.

* Professor da Universidade Federal de Santa Maria

segunda-feira, junho 26

Fauna do Campus (I)


No entardecer da sexta-feira, nas proximidades do Prédio 74.

Postagens


Saiu uma fornada nova de postagens para a disciplina "Filosofia e Ensino de Filosofia". Elas estão numeradas, e tratam do tema da primeira unidade, que diz respeito ao problema da caracterização da Filosofia. De todas elas, a que mais me comove é um trecho de Sêneca, de uma carta que ele escreve para consolar uma nobre senhora da sociedade romana (Calígula era o imperador daqueles dias...) que havia perdido o filho, na flor dos anos. A passagem está numa das raras traduções de Sêneca para o português, nas "Cartas Consolatórias", publicada por uma obscura editora chamada Pontes, em 1992. A "carta consolatória" foi um gênero literário típico desse período, mas que perdurou por um bom tempo. Acho que ainda hoje faz sentido. Afinal, tem mãe que perde o filho, e tem filho que perde o rumo.
Na foto, Sêneca, que foi preceptor de Nero, posteriormente seu algoz.

terça-feira, junho 20

"O braço curto do poder público"

Delmar Bressan, na Zero Hora de hoje, retoma o tema dos eucaliptos, "ícone do atual modelo de plantios extensivos para produção de celulose e papel", com um artigo, na página 17 que tem o título que transcrevi acima. Bressan toca em feridas das quais pouco se fala, entre as quais a falta de pesquisas independentes sobre certas aludidas conseqüências do plantio da segregada australiana. Para quem não sabe, Delmar Bressan é professor do Departamento de Engenharia Florestal e editor da revista Ciência & Ambiente, aquela que, segundo algumas línguas, ia durar dois ou três numeros e se converteu, depois de trinta e duas edições numa referência conhecida em todo o Brasil.

sábado, junho 10

Carta de Londrina em favor da Filosofia

O encontro sobre Ensino de Filosofia, realizado recentemente em Londrina, decidiu por um manifesto em favor do ensino de Filosofia, como parte dos movimentos de pressão para a institucionalização do mesmo. Luis Valério postou a carta de Londrina no comentário do post abaixo.

quinta-feira, junho 8

Bloomsday

Tomo a liberdade de reproduzir o convite que recebi de Mestre Guina:

A CESMA, Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria, e o Ponto de
Cinema, convidam você para comemorar Bloomsday Santa Maria 2006.

Bloomsday 2006 Santa Maria – RS (BRASIL)

"Bloomsday: the day on which James Joyce's masterpiece Ulysses is set"

16 de junho de 2006
Leituras, Filmes, Música, Arte, Poesia e Prosa
(tudo com um leve tempero Joyceano)

Sexta-feira, 16.06.2006 as 16:00 horas
Centro Cultural Cesma
Rua Professor Braga, 55
97015-530 Santa Maria - RS (Brasil)
fone: +55 55 3221.9165

Sexta-feira, 16.06.2006 as 18:30 horas
Ponto de Cinema Bar
Rua Ângelo Uglione, 1567
97010-570 Santa Maria - RS (Brasil)
fone: +55 55 3221.8800
http://amseverino.sites.uol.com.br/bloomsday.html
bloomsday.santamaria@gmail.com

terça-feira, junho 6

Praxis


Ontem foi inaugurada a nova sede do Praxis. O que eu sabia do Praxis era muito pouco. Alguns alunos do Curso de Filosofia participavam dele, e comentavam sobre as aulas de Filosofia, que faziam parte do mesmo. O Praxis era apresentado como um "cursinho pré-vestibular" popular, e funciona faz já vários anos. Andei pelo quarto andar, visitando as salas, para fazer umas fotos. O que vi me deixou impressionado. Segundo contam, ao redor de quinhentos alunos da UFSM, das diversas licenciaturas, já participaram. Vi gente de todas as áreas, de Matemática a Artes. O que mais me chamou a atenção foi o entusiasmo dos "professores". Não, os alunos também me pareceram muito contentes. A foto ali é do grupo de estudantes=professores da área de Letras. Não coloco uma dos alunos porque deu pane no meu hagadê e estou sem espaço para as fotos. Segundo me contou a Gisele, os alunos da Filosofia andam meio encolhidos na participação.

quarta-feira, maio 31

Os cancros de Ghiraldelli


Andrei, no post sobre Eutanásia, chama a atenção para o blogue do Ghiraldelli. Fui lá ver. Há um texto sobre o que ele chama de "cancros da filosofia" no Brasil de hoje. São três, ensino de filosofia, filosofia para crianças e filosofia clínica.
Transcrevo um trecho sobre o ensino de filosofia:
"Disse e digo mais uma vez: filosofia é, já, no momento em que está sendo feita, diálogo pedagógico, portanto, em certo sentido, ensino. Separar ensino e filosofia para, agora, tentar agrupá-los através da criação de uma área institucional chamada “ensino de filosofia”, que iria fazer uma reflexão sobre o assunto, é não entender nada de filosofia. Quem quer ver como se ensina filosofia ou como se aprende filosofia, uma vez que é filósofo, já viu. Pois se é filósofo, leu filosofia e viu que filosofia é assim: o estudante lê acompanhado do filósofo, que aponta para ele relevâncias no texto. Quanto mais leituras ricas, mais relevâncias distintas e boas, melhor sua formação. E assim, em determinado momento, ele, aluno, se verá filosofando. Não há mágica. Nem ao menos, em certo sentido, há didática. Não há “ensino de filosofia” como algo que mereça uma reflexão. Quem fala em “ensino de filosofia”, em geral, é quem não conseguiu lugar na filosofia propriamente dita. “Ensino de filosofia” é lugar de fracassado da filosofia."
Eu não imagino quem é o alvo dele nesse caso. O que fica evidente é que parece haver, no entender dele, quem separa e depois tenta juntar, etc. O texto tem dois "em certo sentido" que precisariam ser especificado e uma caracterização do aprendizado de filosofia que conclui que não há didática para a mesma. No que me toca, acho que tudo isso merece nossa reflexão, mas vá lá saber quem ele quer cutucar.
A senhora da foto é Simone de Beauvoir, no alto dos seus quarenta e dois anos, clicada por Art Shay. Está no livro que saiu agora sobre ela, no Brasil.

terça-feira, maio 30

feel the vertigo

Para impressões de um estudante de jornalismo sobre o Maturana, clica no Vertigo. Maturana esteve em POA por esses dias, fazendo sucesso entre os muitos leitores que tem no Brasil. Mas essa nova geração não perdoa! Eu mesmo não vou dizer nada, como diria o Mestre, mesmo porque já falei demais em outros tempos sobre essas autopoiesis.

segunda-feira, maio 29

"Todos somos mais ou menos irracionais"

Confirmação aos navegantes: a Biblioteca Central da Ufesm tem o exemplar da VERITAS, vol. 44, março de 1999, com o texto intitulado Ética e Justificação, indicado por Ernst Tugendhat. O texto tem três partes: O Conceito de Moral em Kant, O Conceito de Liberdade em Kant e O Conceito de Liberdade como Imputabilidade. Para quem fez o curso, o texto vai soar familiar em muitos trechos. Ali ele desenvolve muitos dos conceitos apresentados no curso.
A.T e D.T, penso eu, se aplica aos estudos de Ética no Curso de Filosofia da Ufesm. Quem não participou vai ter que correr atrás. Como disse T antes da primeira aula sobre Kant, "hoje ele vai sofrer ...".
A frase acima está na palestra sobre eutanásia. Se alguém estiver interessado nos textos das palestras, é possível conseguir uma cópia.

quinta-feira, maio 25

Ô deputado, garfearam o elevador do 74!


O semestre começou, por fim.
Amanhã termina o curso do Prof. Tugendhat. Cláudio e José fizeram das tripas coração e devem inclusive entregar os certificado amanhã de tarde mesmo. Quem quiser o texto das palestras que ele deu aqui, sobre Antropologia e Eutanásia, também pode conseguir com os organizadores.
Nos links ao lado acrescentei os endereços dos blogues das disciplinas desse semestre, Filosofia e Ensino de Filosofia e Filosofia da Linguagem.
Segunda-feira, se tudo correr bem, o Mora volta ao normal.
Cheguei hoje no 74 por volta das três da tarde. Um grupo de estudantes ia descendo as escadas, saindo do corredor do terceiro piso. Uma aula que terminava cedo, pensei. Um deles, uma moça de óculos, descia dos degraus com duas muletas. Caminhava com segurança, ao ponto de poder notar que eu fiquei olhando para ela, olhando para as muletas, olhando para a perna encolhida da moça de óculos, e olhei de novo para ela, como se eu fosse dizer alguma coisa. Ela pareceu ter percebido, mas eu fiquei quieto, me distraí com um colega dela que dizia, "prédio bom esse, olhem só para a largura dessa escada", e ela descia, hábil com as muletas, e eu fiquei com a frase atravessada, e se ela precisasse não de muletas, mas de uma cadeira de rodas, como ficaria? e a frase era, está ali, moça, o poço do elevador do prédio novo, o velho Tuga também bufou nessas três semanas, mas que fazer, cadê o elevador, cheio de placas de inauguração, o 74, são três ao todo, agradecimento para deputado, placa para reitor, banheiro para deficientes em todos os andares, mas de que jeito os cadeirantes sobem? A moça desceu os degraus do terceiro piso, o rapaz continuou deslumbrado com a largura do corredor e eu fiquei lembrando da campanha para a reitoria da ufesm. No ano que vem, se o velho Ernesto não melhorar de forma, não vai poder subir no terceiro piso do 74. E se a moça estivesse de cadeira de rodas, de que vai adiantaria a largura dos nossos corredores? O dinheiro para o elevador, onde foi parar?

terça-feira, maio 16

Como devemos entender a moral, coño!

Conforme combinado, o texto "Como devemos entender a Moral?" já está disponível no xerox do DCE, no Campus, perto da parada final/inicial dos bus. Também está disponível na Digicopy, aqui na Floriano Peixoto, descendo pela calçada do bar do pingo.
Agora, filosofia.
No texto que ele pediu que lessem, o tema da etnologia é assim introduzido:
“Eu parto da maneira como a palavra é entendida na etnologia. Quando os etnólogos investigam os hábitos de uma sociedade (ou grupo étnico), designam como moral a totalidade daquelas regularidades no agir que dependem da pressão social. Respectivamente, entenderei como moral o sistema de normas sociais sob as quais os indivíduos se vêem ao longo de toda a vida. Digo 'ao longo de toda a vida' para diferenciar uma tal estrutura de normas daqueles sistemas de normas que são regulados por jogos sociais. Sobre tomar parte em um jogo, pode-se decidir livremente. Sob uma moral está-se, quer se queira ou não. A moral restringe o espaço de liberdade daqueles que se consideram submetidos a ela. Por isso, uma moral é, em contraste com um jogo, carente de legitimação."
Hoje pela manhã, ao conversar com ele sobre os erros de editoração ou tradução desse artigo - poucos, mas ele fez questão de os corrigir -, uma das preocupações que ele manifestou foi com essa comparação entre normas morais e as normas de um jogo. A palavra "carente" pode fazer alguém dançar no pedaço. Acho que o tradutor - Adriano - deixou o texto um pouco duro demais. Por exemplo, tome a frase:
"Sob uma moral está-se, quer se queira ou não".
Esse "está-se" pode ser gramaticalmente correto, mas é muito duro.
Eu diria: "Estamos sob uma moral, queiramos ou não."

segunda-feira, maio 15

Palestras: retificando

A palestra de quinta-feira, dia 18, será as 19.00 horas, no Auditório da Fapas. O tema será "A Antropologia como Filosofia Primeira". No dia 25, às 10.00 horas, no Campus, ocorrerá a segunda palestra, sobre "Aspectos Filosóficos da Eutanásia".
A Fapas não funciona mais junto ao Seminário dos Palotinos, e sim junto às instalações do Patronato Antonio Alves Ramos, no final da Avenida Presidente Vargas, em frente ao posto de gasolina. Há estacionamento amplo e seguro no local.

domingo, maio 14

Palestras

A primeira das palestras do Prof. Tugendhat deverá ocorrer no auditório da Fapas, na quinta-feira à noite. O auditório fica nas novas instalações da Fapas, no Bairro Patronato. Para ir até lá pode-se tomar qualquer dos ônibus que vão para o lado leste: Prado, Tancredo Neves, etc. O auditório tem 400 lugares, e o tema deverá ser "Eutanásia", com entrada livre. A segunda palestra deverá ocorrer no dia 25, no Campus, pela manhã, na sala 218 do prédio da Reitoria. O tema será "Antropologia Filosófica".

"O retorno da religião"

A Folha de S. Paulo de hoje tem um artigo de Clifford Geertz que vale a pena ler. O título é "O futuro das religiões", e começa assim:
"Enquanto se desenrola a história política explosiva do século nascente, o desdobramento mais notável -e o mais surpreendente- que as ciências sociais se vêem obrigadas a enfrentar na cena mundial é com certeza aquilo que se usa denominar, muitas vezes erroneamente, como "o retorno da religião".
Erroneamente porque na verdade a religião nunca desapareceu -foi a atenção das ciências sociais que se desviou a outros campos, enquanto estiveram dominadas por uma série de pressupostos evolutivos que consideravam o compromisso com a religião uma força em declínio na sociedade, um resíduo de tradições passadas inexoravelmente erodido pelos quatro cavaleiros da modernidade: secularismo, nacionalismo, racionalização e globalização."
Enquanto ia lendo foi inevitável lembrar: o melhor livro de filosofia da religião escrito nos ultimos anos (e bota anos nisso), de longe, foi escrito por um filósofo que, no momento, está se recuperando de um resfriado ali no Hotel Morotin. Para sorte nossa, o livro, "Egocentricidade e Mistica", vai ser publicado em breve no Brasil, numa tradução do Valério Rohden e do Adriano.

Melhor

Ele está melhorando.
Anote na agenda: no feriado da quarta haverá aula normal. A menos, é claro, etc, resfriado, gripe, mais etc.

sexta-feira, maio 12

O caranguejo

O caranguejo me levou livre hoje.

quarta-feira, maio 10

A natureza da Filosofia


O tópico, como se sabe, é imenso, arquipelágico, eu diria, se existisse a palavra. No caso do autor em pauta (ET), vale pensar sobre o que ele escreve na primeira das Lições que escreveu, ainda em 1976: "O que estamos buscando aqui não é a explicação de algo ainda não compreendido, mas o esclarecimento do que já se compreendeu". E esse esclarecimento, ele continua, "só pode ser atingido pela reflexão sobre nossa própria compreensão, e não pela experiência".
Disso se segue que devemos distinguir entre a esfera da "compreensão" e da "experiência".
Os apelos para que a Filosofia se atenha ao "momento" devem levar em conta essa partição; eu me inclino a pensar que a linha divisória entre essas esferas não é das mais claras, é movediça mesmo, mas faz sentido.
Um exemplo seria o que podemos pensar sobre coisas como "família", como alguém - anonimamente - reclamou dias atrás. Que "família" é um tema filosófico, quem negaria, desde o bom Platão? Outro problema é como pensar o tema sem fazer confusões com a dimensão sociológica do conceito. A meu juízo, grande parte das reflexões sobre o tema "família" que tem tom de queixa se beneficiariam com a leitura de sociólogos que abordam o tema e fazem distinções importantes. Um exemplo são os escritos de Anthony Giddens. Um começo seria o livro "Para além da esquerda e da direita". São Paulo. Editora da Unesp, 1996.
Ali a gente vê que dá para falar da "crise da família" sem chorumela e sem Filosofia no meio. Ganha a Filosofia, no final das contas.
Na foto, Alcíbio, Onélia e o gato. Uma família moderna.

Curso do Prof. Tugendhat

Está cancelada a aula de hoje, dia 10 de maio, do Prof. Tugendhat.
Desde ontem ele estava um pouco resfriado, e hoje não está se sentindo com forças suficientes para dar aula. Assim, fica suspensa a aula de hoje. Na sexta, esperamos, ele estará melhor. Oxalá.

terça-feira, maio 9

Sobre Stedile, as postagens, etc.

Tem gente que prefere perder o amigo a perder a piada. Eu, que gosto muito da Wrana, mulher de muita força e coragem, que defende com muita garra a universidade, fiquei pê da cara com essa piada, em especial porque foi contada na frente dela, que não merece ouvir isso. Na frente dela e na frente de centenas de professores, pois se tratava de um encontro de professores. Eu acho que o emessetê pode e deve ser visto como, em parte, eu disse, em parte, uma expressao compreensível dessa horrorosa estrutura social do Brasil. Quero dizer com isso que seria meio maluco e triste se não houvesse nenhum berreiro nesse lado de nossa sociedade, com esse indice de Gini que temos e que só piora. O que entristece é a apropriação disso por pretensos intelectuais de engenharia social, como o Stedile, na medida em que empulham com um discurso ambíguo - de um lado falam mal da academia, de outro, sem reconhecer isso, dão a entender que essa conversa sobre socialismo é bem fundada, com bases "científicas", rumos da sociedade futura, etc. O Stedile, por vezes me inclino a pensar assim, visto como sintoma, é compreensível, mas pouco mais, na medida em que faz uso descarado de estratégias de "manobrar" o discurso sobre socialismo e outras esperanças científicamente administradas. Esse negócio sobre a invasão da universidade me foi contado por um progrado da atual administração: a ufesm somente não teria sido invadida na época , isso quer dizer, poucas semanas atrás, porque o plano teria vazado e a segurança foi reforçada.
Sobre as postagens anônimas eu não permito nem despermito nada: o santo google é quem decide como funciona o template do blogue. Eu mesmo acho que o espírito da coisa não tem nada ver com anonimato. Se pode escolher uma máscara, brincar de personagem? Um pseudônimo? Isso eu entendo. Mas pseudo-anônimo? Isso é mais difícil de entender. Em todo caso, desde domingo, estou em fase de intensa aprendizagem de tanta coisa que por ora apenas digo isso, acho que anonimato é um lugar onde a gente se perde. Se isso é bom ou ruim? Depende só da gente, no mais das vezes.

Ernst Tugendhat: as palestras

Estão definidos os dias e os temas das duas palestras de Ernst Tugendhat em Santa Maria. Ele falará sobre Antropologia Filosófica e sobre Eutanásia. Uma delas será na quinta, 18, e a outra, na quinta, 25. Uma, no Campus, outra na Cidade. Uma, na sala 218, outra, se der certo, na Cesma. Estou meio atrapalhado sobre qual onde quando, amanhã vejo na agenda que esqueci no Campus. Tirando um resfriado de conseqüências incertas, ele vai indo bem. Pela segunda vez foi ao Ponto de Cinema.

domingo, maio 7

Ernst Tugendhat

Começa amanhã, às 16.00 horas, na sala 2323 do Prédio 74, no Campus Universitário, o curso de ET sobre Ética. Ele já está na cidade. Veio direto de Tubingen, pela Air France, mas teve que enfrentar o busão da Planalto na tarde do domingo. Sobreviveu. Até lá.

sábado, maio 6

Jornalismo local

Acrescentei nos links ao lado a ponte para a página de jornalismo da Unifra. O sítio é bem bom, coordenado pela Rosana Zucollo. Vale a visita. Coloquei também um laço com a página de Monica Herrera, do país hermano ao sul, aluna do mestrado em filosofia do prédio 74 e dona de um belo texto.

sexta-feira, maio 5

Finocchiaro & Betiol & Quintana

Depois de pegar o autógrafo de Gilda May Cardoso, Newton Marchiori, Theresinha Santos e Valter Noal, no belíssimo livro "A Arte Fotográfica e o Teatro em Santa Maria", de Getulio Schilling, uma bela iniciativa da Câmara de Vereadores, executada de forma magnífica pelos editores, começou o Sarau Literário feito pela Deborah Finocchiaro e Zoravia Betiol. Deborah declamou versos de Mario Quintana e Zoravia mostrava, no telão, obras que executou, inspirada em Quintana. Foi de dar sufoco no peito, de tão bonito. Não resisti e taquei a maquininha nelas.






A piada

A piada do Estedile, se me lembro bem, era assim:
Um professor universitário andava pela Cordilheira dos Andes, na Bolívia (já comecei a inventar...) quando encontra um velho quechua, pastoreando ovelhas. O sujeito desliga o motor da xeroki, furunga no painel, desce do jipão. "Tem duzentos e cinco ovelhas ali no rebanho, não?", diz o teacher para o pastor. O velho olha para o sujeito, meio maravilhado, e confirma, sim, mas como é que você sabe isso, nem parou para contar?"
"Well, liguei meu GPS, conectei com as antenas da boca do monte, peguei imagem do satélite e as ovelhinhas pularam aqui na minha tela."
- "E você é um professor universitário, não?",
- "Sim, sou. Mas como é que você sabe disso?"
- "Bueno ("bueno" é de gaúcho, mas dá o clima), tu chega no meu campinho sem ser convidado, me ensina coisa que eu não te perguntei e que eu estou cansado de saber, só podia ser professor de universidade..."
A Wrana Panizzi estava no auditório, e, respeitosa como é, havia feito aquela cara de ouvinte atenta para o Estédile. Aí ela foi desmanchando, ficou puta da cara, é fácil imaginar. Como Reitora, falou depois, tentou remendar, não é bem assim, etc. Mas o clima estava criado.
Caricatura tem hora. Que tem vagal e maluco nas ufesm da vida, quem vai negar isso? Mas isso tem nome, diria o Prof. Sautter, "parte pelo todo", etc.
Deixa prá lá...

quinta-feira, maio 4

Carvalho, Olavo de.

O tema me lembrou Drummond. "Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina."
Esses versos, que até hoje me incomodam, me ocorrem diante dessa conversa sobre eucaliptos e carvalhos. Eu não desconheço que tem quem queira desfazer Drummond, meio moda nos setenta, hoje deslembrado, quem sabe. Baita provocação, um guri criado no fundo do campo do Saicã, perto do Rosário, depois removido para o norte do Paraná, quer cantar a cidade, as coisas do dia, e lhe metem Drummond nas vistas, "não faças versos sobre acontecimentos, e etc.".
Olavo pega a Simone, operária da Renault, tuberculosa, combatente da Guerra Civil Espanhola, que pega os acontecimentos pela goela e pega seus sentimentos - dela - e tormentos pela goela e tenta dar-lhes voz - sai o que sai, danem-se, a responsabilidade é de quem a lê! - aí, seu Olavo pega ela pela goela e tenta tirar dali o quadrado das oposições, terceiro excluído, não-contradição, vamos, venhamos e me faça o favor!
Conceda-se: Olavo tem um bom livro, ao menos, sobre Aristóteles, comprei, li, tem outros, etc. Mas depois de escrever um belo livro sobre o velho Ari, empeza a filosofar sobre acontecimentos. "Pão ou pães, é questão de opiniães", como dizia o velho Rosa, Guima, Grande Sertão, logo ali na primeira página, para facilitar nossa vida.

Eu não lembro quem me colocou Drummondo nas mãos:
"Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"

Bueno, segue a trova, no mais, que tá bom!


As guanxumas, como se vê, escasseiam no Rincão. Lá embaixo, no entanto, na charge de Santiago, estão animadas.
Eucalipto, para mim, é como cinamono, árvore da infância, cheiro bom e mato limpo embaixo. Muito tempo depois descobri que as duas eram de longe, das austrálias uma, de onde não sei, a outra. Hoje, tem essa conversa que a primeira é beberrona, seca campo. O que me incomoda no assunto da mudança da paisagem? Talvez a legitimação apressada que a ufesm conferiu à empresa, ao contrário da ufrgs, talvez o pesadelo de ir até Santana do Livramento vendo apenas os tais.
Mestre Guina se preocupa com a possível invasão da ufesm por quetais mulheres e semelhantes finalidades. Que eu saiba, estava previsto, sim, e foi por pouco. Stedile odeia as universidades, não perde uma chance de desancar "professores universitários". Vocês não lembram da piada que ele contou em Porto Alegre faz poucos anos? Se quiserem, eu conto.
A cabrita, que não é alçada, está lá no Rincão.

quarta-feira, maio 3

A liberdade de opinião

"A liberdade de opinião e a liberdade de associação são geralmente mencionadas juntas. É um erro. Salvo no caso dos agrupamentos naturais, a associação não é uma necessidade, e sim um expediente da vida prática.
Ao contrário, a liberdade de expressão total, ilimitada, para toda opinião qualquer que seja, sem nenhuma restrição nem reserva, é uma necessidade absoluta para a inteligência. Por conseqüência, é uma necessidade da alma, pois quando a inteligência não está à vontade, toda a alma está doente".
Simone Weil, "O Enraizamento".
O livro está na caixa de saldos da Ana Terra, na feira do livro, pela bagatela de 15.
Fica como homenagem dupla ou tripla ou quádrupla: à Ana Terra, à Simone, ao dia da Liberdade de Imprensa, que parece ter sido hoje, à Feira do Livro de Santa Maria. Comprei ali faz pouquinho um pequeno pacote, incluindo essa Simone, para reserva técnica, para emprestar para os amigos.

O Rincão, de novo


Pago no fim de maio a dívida. Fui de novo no Rincão. A desculpa era preparar melhor o acesso das gentes, ver a luz de maio, sentir o primeiro vento frio, comer a fruta do cactus, fotografar as cabritas. E achar um canto para as barracas, Valter, Guina, Luís.

quarta-feira, abril 26

Santiago e os eucaliptos


A charge é de autoria de Santiago, que mandou para Bressan, que mandou para mim, obrigado e segue em frente.

sexta-feira, abril 21

http://filonovestiba.blogspot.com/

Cresce a blogosfera filosófica. Entrou no ar, faz alguns dias, o blog da Gisele, sobre filosofia no vestibular. Para quem não sabe, Gisele é a mais recente mestre do Curso de Pós-Graduação em Filosofia da UFSM (espero que já tenha entregado o texto definitivo!!!). Mais recentemente foi contratada pelo Fóton para responder pelas aulas de Filosofia.
Boa Sorte, Gi!

Filosofia no Vestibular (IV)

O sítio da Coperves mudou a enquete. A boa notícia é que na nova enquete a pessoa é convidada a escrever sua opinião sobre a inclusão da disciplina e oferecer sua percepção sobre que diabo de coisa é a tal da filosofia. Na seqüência está prevista uma pequena discussão sobre as eventuais postagens. Vamos ver se funciona.
Sobre a Simone: o Sr. Olavo de Carvalho, tanto quanto eu lembro (mais imagino do que lembro), do alto das tamancas de seu catolicismo, não pode mesmo gostar da forma como Simone se refere a Deus.

quinta-feira, abril 20

Simone Weil e o anônimo

Escolho uma das passagens citadas pelo anônimo:
"O desejo é impossível: ele destrói seu objeto. Os amantes não podem ser um nem Narciso ser dois. Don Juan, Narciso. Como desejar alguma coisa é impossível, deve-se desejar o nada."
A tradução é de Paulo Neves, da edição da Martins Fontes, p. 103/104.
O anônimo é alguém que desdenha Simone Weil, cita e traduz da edição francesa. Quem desdenha, quer o quê? Eu mesmo não sei. Agradeço sinceramente a ele, no entanto, por ter chamado a atenção para passagens como essa, de puro cristal.
Vale lembrar que as críticas de Simone Weil ao socialismo (que parecem ter incomodado o cujo) estão em outro livro, que ao contrário de "A Gravidade e a Graça", nada tem de aforístico.
Bom mesmo é o Frei Beto, não?

quarta-feira, abril 19

Deu na página da Ufesm

17/04/06
"Os professores da UFSM, Sérgio Prieb e Diorge Konrad, ministram o Curso de Formação Política - Da sociedade à revolução socialista. O evento, que acontece no auditório do curso de História, Antigo Hospital Universitário, no dia 27 de abril, das 19h às 21h30min, discutirá a História da organização política dos trabalhadores, A luta de classes, Projeto socialista, O que é a Formação Econômico-Social?, O que são Classes Sociais?, e O processo de trabalho.
Mais informações podem ser obtidas no curso de História da UFSM.
Falando nessas coisas, a Cesma já recebeu o livro do Frei Beto, "A Mosca Azul", uns vinte e seis reais. Folheei e tive uma vontadezinha de comprar, para ver como ele se sai dessa.
Deixei a vontade passar, por enquanto.
Formação política no Departamento de História? Não entendi.

Passo da Ilha


A estrada parece terminar no rio. Mas segue do outro lado. Devagar, a gente acha o passo, por entre as corredeiras. O lugar chama-se Passo da Ilha, fica perto de Tainhas, nos campos de cima da serra.

Leituras

Convite aos navegantes: está funcionando, no prédio novo, um grupo de leitura do livro de Ernst Tugendhat, "Egocentricidade e Mística". As reuniões são às quintas, das 19.00 às 21.00 horas, no terceiro andar. Não há pré-requisitos. Foram feitas até agora duas sessões apenas.
Está confirmada a vinda do Prof. Tugendhat, para o mês de maio. Ele vai dar um curso, a partir da segunda semana de maio, sobre temas fundamentais de ética. O pré-requisito é a leitura dos dois primeiros capítulos da "Fundamentação da Metafísica dos Costumes", de Kant. Ele fará também duas conferências abertas ao público.

terça-feira, abril 18

E se vão as guanxumas ...


As tarefas de ensino dos professores das federais decorrem, em sua imensa maioria, dos projetos pedagógicos aprovados pelos Conselhos Superiores, quer na graduação, quer na pós-graduação. Esses projetos passam por discussões nos Colegiados de Cursos, onde, na maioria das vezes, o assunto é escrutinado publicamente com algum cuidado. Depois, em tese, sucedem-se avaliações dos currículos e é possível acompanhar o andamento das disciplinas pelo diário de classe, etc.
Na pesquisa, as coisas se passam de forma diferente. A forma canónica da pesquisa nas federais segue um princípio de livre iniciativa combinado com o controle dos pares. Cada docente pode livremente decidir pelo objeto de suas pesquisas e submeter seu projeto aos orgãos finaciadores. Estes, no anonimato, julgam o mérito do projeto e liberam as magras verbas. Estou falando aqui, obviamente, dos projetos que envolvem grana.
Existem variantes, no entanto.
Surgiu nos ultimos tempos um modelo que envolve dinheiro - grosso - e nada tem a ver com controle de pares. Sobra apenas a livre iniciativa. Esta iniciativa livre, em um dos casos mais importantes que estamos vivendo, procura, na Universidade, um docente, devidamente titulado e capaz, por óbvio, e oferece a ele grana grossa, para financiar as pesquisas que ele quiser. Falo de muito dinheiro. Ele decide o que quer comprar e o quer pesquisar - obviamente, uma pesquisa que tem a ver com os interesses do financiador. Assim, suprime-se essa coisa de controle dos pares. Fica apenas a livre iniciativa, que não é tão livre assim, como se vê.
Um exemplo disso está no ultimo número do jornal da UFSM, na matéria sobre as relações entre a Stora Enso e a UFSM. O que a empresa quer, além da grife da UFSM para legitimar seu investimento e amenizar as futuras ondas de críticas? Pesquisa? Nem a velhinha de Taubaté acredita nisso, já que as tais de pesquisas nunca são discutidas em alguma instância pública: não passam pelos colegiados departamentais, pelos conselhos, e muito menos por algum referee anônimo.
Na UFRGS ficou falada a proposta da Stora Enso de morrer com grana alta num departamento que pesquisa impacto no meio ambiente. O pessoal tremeu a perna ao ver o tamanho do cheque que seria preenchido. De uma unica folha do talão da Stora sairia mais dinheiro do que de todos os projetos das agências de fomentos nacionais e internacionais juntos. Até agora estão resistindo. Não sei até quando.
Deixei com um desses professores o exemplar do jornal da UFSM, que casualmente tinha levado no carro.
A foto no alto é de um episódio do confronto entre o campo nativo e os exércitos invasores nos campos de cima da serra, arredores de Cambará do Sul.
Ali, o capim caninha, dono dos campos, meio bêbado do sol do entardecer, contempla as fileiras organizadas dos pinus, e espera o fim.
Aqui, nos campos da metade sul, a guerra do eucalipto contra a guanxuma vai apenas começando. E pelo jeito, com a benção da ufesm.

terça-feira, abril 11

Simone Weil (II)

Desde o final das aulas, no longínquo ano de 2005, que não tiro férias. Particularmente hoje, dia 11, cansei um pouquinho, mais pela emoção do que pelo trabalho. Amanhã pego meu exemplar de "A Gravidade e a Graça" e vou tirar cinco dias de descanso. Vou pensar um pouco no destrato do qual ela foi alvo (nos comentários abaixo ), certamente que não por causa dela, mas por alguma coisa que eu disse sobre ela que incomodou um anônimo.
Hoje passamos um dia de trabalho com esse assunto da filosofia no vestibular. No final das contas, ficou assim: cinco questões por dia, nos três primeiros dias. E as questões - essa foi a corrida atada - devem se pautar por temas bem fundamentais, sem decoreba de história da filosofia e erudição estéril.
Entre tapas e feridas, sobrevivemos. De minha parte, gostei do pessoal do Departamento. Essa moçada trabalhou direito e ainda vai dar muito o que falar: Frank, Gallina, Jair, Noeli, todos estavam ótimos. E os professores que participaram do evento: exageraram um pouquinho nos elogios, a caminhada vai ser bem dura, podiam ser mais críticos; mas no final das contas, tá só começando, faz bem começar com entusiasmo.
Não tem vitoriosos nem derrotados nessa história, by the way. Tem quem queira pegar junto, quem não queira.
A caravana segue.
E daqui uns dias volto à Simone.

segunda-feira, abril 10

Hildegard von Bingen

Procure, com um desses buscadores de música, "Hildegard von Bingen". Pode ser por meio de um grupo de artistas chamado "Sequentia". Existem muitos outros intérpretes. Hildegard foi uma religiosa medieval (1098-1179), cuja obra inclui não apenas textos, mas música. Da melhor que se pode ouvir. Evite as versões "new age", com instrumentos.

terça-feira, abril 4

Simone Weil e o misticismo ateu

Faz dias que estou por comentar que foi publicado no Brasil mais um título de Simone Weil. Trata-se de "Opressão e Liberdade". Saiu pela EDUSC (Editora da Universidade do Sagrado Coração), com capa de João Luiz Roth. A data de publicação é de 2001. Quem me chamou a atenção para o livro, à venda na editora da UFSM, foi o Róbson Reis.
Para quem foi iniciado na crítica ao marximo por Cornelius Castoriadis, nos anos setenta, o livro é uma fascinante surpresa. Ali a gente descobre que o careca Castoriadis tinha predecessores importantes. O essencial da crítica ao estalinismo, à burocracia, etc, etc, foi feito por Simone Weil desde os anos trinta. Um dos textos mais importantes do livro, "Reflexões sobre as causas da liberdade e da opressão social" é uma antecipação dos principais argumentos de Castoriadis, que surgirão vinte anos depois. Se esssa gurizada que fala hoje em socialismo lesse esses livros não diriam tanta bobagem, eu acho. Mas para isso seria preciso ler essa moça e o grego careca. Uma vez (uma das ultimas vezes) eu tentei convencer um desses rapazotes que "socialismo" era apenas uma expressão que indicava uma certa disposicão de luta por justiça social, e que como rótulo não fazia a menor diferença. Era como se, para dizer "sim" a gente deixasse de usar a palavra e apenas girasse o polegar para cima. Ou seja, "sim" não tem propriamente conteúdo, apenas marca uma tomada de posição. Assim, "socialista" seria como que uma tomada de posição desprovida de conteudo particular, uma espécie de marcador semântico. Ou seja, nada de compromisso com coisas muito especificas, salvações da humanidade em particular. O Marcos Rolim, lembro bem, achou interessante a idéia. Os outros me olharam tipo marciano.
Ah, se eu tivesse lido Simone Weil antes! Mas será que eu estaria receptivo? Essas leituras de Simone Weil estão valendo para algumas pessoas conhecidas nossas o rótulo de "místicos ateus".
Mas vou deixar esse assunto para mais adiante. É uma história que vale a pena contar em mais detalhes.

Maria Sylvia

E mestre Guina me manda, pelo velho e mal-falado Correio, uma entrevista com a filósofa Maria Sylvia de Carvalho Franco, esposa de Roberto Romano, outro filósofo, no qual ela se junta àqueles que entre Lula e Alkmin ficam p. cara, que escolha!!! A entrevista é muito boa, e só não transcrevo umas belas passagens sobre a consternação de Dona Maria porque deixei o xerox no Campus. Obrigado, Guina!

Martha Nussbaum (II)

Outro amigo e leitor do blog, Ney Gomes, me faz chegar às mãos dois belos textos em português de Martha Nussbaum. Um deles interessa sobretudo a professores da área de humanidades e direito, e tem como título "Cultivando a humanidade na educação jurídica". A traducão foi feita por Luiz Reimer Rodrigues Rieffel, mestrando em Teoria Geral do Direito na UFRGS, e a cópia que o Prof. Ney me alcançou indica que o trabalho foi feito pelo amor à arte.
O outro texto em português de Martha Nussbaum chama-se "A República de Platão: a boa sociedade e a deformação do desejo". O texto foi publicado por uma editora chamada "Bestiário", de Porto Alegre, "www.bestiario.com.br".
Obrigado, Ney.

Filosofia no Vestibular (III)

Ainda bem que escrevi "parece", no post anterior. O assunto está em debate. É possivel que surja uma proposta nova, mais ao encontro da idéia de uma integração maior da Filosofia com as demais disciplinas. Mas vamos deixar as novidades para a atividade de terça-feira, no Itaimbé. A programação do evento está disponivel na página da Coperves. Se você é professor ou aluno de Filosofia não deixa de ir, pois a gente vai se esforçar na parte que nos toca no latifundio. Um sagaz amigo deste blog me fez notar algo que eu não havia me dado conta. Se você digitar um ponto com depois de coperves, vai acessar a página da mesma, através de um dispositivo de redirecionamento. Eu mesmo não havia percebido isso.

terça-feira, março 28

Filosofia no Vestibular (II)

Serão ao redor de quinze perguntas de Filosofia, feitas no último dia do vestibular, junto com a prova de Redação. Essa parece ser a decisão da Coperves, a ser oficializada em breve. Para o próximo Janeiro.

segunda-feira, março 27

A democracia dos outros

O Prof. Paulo, ex da Ufesm, convoca as lideranças bocamontanas no Jornal "A Razão" de hoje para uma mobilização "para a defesa da manutenção da coordenação atual das atividades locais e da qualificação" e etecetera e tal, do Inpério, isto é, as atividades satelitais que ocupam aquela formosura de prédio que fica na direita de quem entra no campus. Expliquemos assim, no curto e grosso vernáculo: desde que o primeiro rabisco no papel foi feito o coordenador do Inpério é o mesmo. Registre-se que o dito cujo parece ser um gênio no assunto e nem a menor das minhas vírgulas questiona a competência do atual coordenador do Inpério. O porém é o seguinte: na democracia dos outros, vai tudo; na nossa, é diferente. O Prof. Paulo Jorge diz que a intenção da direção do INPE de substituir o coordenador da direção da subnidade local é uma regressão, é calar a voz da grande liderança das antenas, mesquinharia, etc. Eu, que nunca botei meus pés na tal da subunidade, mas que já tive que engulir as perguntas sobre afinal o que faz tanto vidro preto e tão pouco movimento (sem falar no panfleto recentemente publicado por uma casa editorial local, onde o que se lê são as loas de praxe a preço da praça) tenho uma perguntinha que é a de muitos: afinal, que instituição republicana é essa que tem o mesmo diretor faz uns bons - por baixo - dez anos?
Antes que me recriminem por falta de memória, eu me corrijo. Faz mais tempo, eu sei. Mas vamos dar um desconto. Dez anos de mandato equivalem a dois reitorados e meio. Que tal a gente ter um mandato dessa idade sem frescuras de eleição, nem direta, nem indireta? Já teve um caso importante na boca, eu sei, mas os tempos supostamente seriam outros.
Eta Prof. Paulo! Com todo respeito, uma no cravo e outra no bom senso da gente!
E o que dizer da coisa mesma, antenas e quetais? Com esses panfletos coloridos que começaram a circular por aí, quem somos nós para contestar, não é mesmo?

quinta-feira, março 23

Prof. Koff


O Prof. Koff assume a direção do CCSH na sexta-feira, dia 24 de março, às 10.30 horas. É o primeiro Diretor do CCSH que vem do Campus. A Professora Darcila não conta nessa lista, pois era do Campus mas já tinha se mudado para o Centro quando assumiu a Direção.
O campo, como se sabe, assusta algumas pessoas. Meio aberto demais, aquela coisa de alma que se sente confrangida diante dos horizontes. Armindo Trevisan, numa conversa pessoal, no dia em que fez sessenta anos, numa festa perto da praia, disse que gente como a gente, nascida nos entreveros de coxilhas e bocas do monte, costuma ficar com o peito meio assustado diante dos vazios da geografia da praia, aquelas lonjuras no olhar. A pobre alma do vivente se esvai diante das planura. Assim.
O CCSH, com um pouco de sorte, vai crescer no campo.
São meus votos.
Boa Sorte, Professor Koff.
A foto é de hoje de tarde, da minha janela, no terceiro andar do prédio 74.

Arthur Danto


Se nada há de Martha Nussbaum nas prateleiras, o mesmo não se pode dizer agora de Arthur Danto. Ele é um dos maiores filósofos, ponto. Escreveu um belo conjunto de livros sobre temas fundamentais da filosofia – ação, conhecimento, história, ética, mente e corpo; escreveu também um excelente livro de introdução à filosofia, Conexões com o Mundo, do qual traduzi alguns capítulos para uso em aulas. Seus últimos livros são todos na área de filosofia da arte, no entanto. Saiu agora, pela Cosacnaify, “A transfiguração do lugar comum”, traduzido por Vera Pereira. Não conferi se a Cesma já recebeu. Pode ser comprado na condição de um clássico contemporâneo, indispensável para a gente ter o panorama das discussões sobre o sentido da arte, em especial a partir das “instalações”. Em Santa Maria, um leitor fiel, quase um viciado, é o Prof. Casanova, do CAL.

quarta-feira, março 22

Filosofia no Vestibular

Muita gente pergunta sobre a presença de Filosofia no Peies e no Vestibular da UFSM. Vamos recapitular. Nos dias 22 e 23 de outubro de 2003 houve uma reunião da comissão de programas do Peies, da qual participou um representante do Departamento de Filosofia da UFSM e professores que representavam as diversas regiões do Peies. Esse grupo de professores elaborou um conjunto de quinze itens, como sugestão de um programa para Filosofia. Essa sugestão foi revisada por um grupo interno da Coperves, que manteve o espírito da coisa; no dia 27 de fevereiro de 2004 foi homologado, pela Coperves, o novo curriculo básico do Peies, que incluiu esses tópicos para a terceira série. Assim, em 2004 começou a contagem, que chega agora ao terceiro ano. Conclusão: em 2006, nas provas finais do Peies, está prevista a presença de uma avaliação em Filosofia. E em 2007, no Vestibular, idem. É isso, não?
Tanto quanto eu sei, os cursinhos já estão em plena temporada de contratação de professores, e em plena elaboração de apostilas.
Quem entrar no sítio da Coperves vai ver até uma enquete sobre se é bom ou ruim a tal de filosofia no Peies. Até hoje tem uns 1300 votos, e o ruim está ganhando de relho. Esse mundo não é fácil!

terça-feira, março 21

A Sra. Martha Nussbaum


Uma aluna escreveu pedindo uma dica de leitura sobre as relações entre filosofia e literatura. Eu mesmo, como diria o Mestre, leria o livro da Sra. Martha Nussbaum, Justiça Poética (Poetic Justice, 1996). Ocorre que o bom do livro somente está disponivel em inglês e em uma quase inacessível tradução para o espanhol. Vale tentar. Em espanhol: Justicia Poetica. La Imaginacion Literaria y la Vida Publica. Barcelona, Ed. Andres Belo, 1997. Há um outro estudo dela sobre o tema publicado em Estudios de Filosofia 11, Medellin, de fevereiro de 1995.
Martha Nussbaum é um desses vazios inexplicáveis nas editoras brasileiras.

domingo, março 19

I'll be back


A discussão sobre a santeria me deixou meio pensativo. Uma das postagens falou na questão do fetiche das bugigangas de consumo, e aquilo me cutucou. Continuo mantendo meu ponto de vista, mas acho que ele pode ser mais bem caracterizado; fiquei a semana toda tentando achar um gancho para voltar àquele ponto em especial. I'll be back, com uma boa dose do velho Jack. Abro o saloom em breve. Obrigado pela provocação, e um abraço.

quarta-feira, março 8

Cursos pagos

Deu hoje no Diário de Santa Maria: "Justiça proíbe novos cursos pagos na UFSM." Mas Ufesm vai recorrer, diz a matéria. Uma autoridade da mesma diz que esses cursos não visam lucro e que até ajudam a manter os cursos de pós-graduação não-pagos. O negócio funciona assim: diz-me onde tem desses cursos pagos que a gente fica sabendo onde o espírito de Humboldt foi expurgado.
Por falar em noticias, o Morana deu a notícia na semana passada. O Diário, hoje. Mas até agora a página da Ufesm não tá nem aí.

segunda-feira, março 6

Um bom bastão

Quando eu crescer

Quando eu crescer quero fotografar como meu sobrinho Gabriel. Vejam no Vertigo (link ao lado) o que saiu do Inferno na maquininha dele, uma coisinha de nada. O que ele não contou é que o assado da fotogênica ovelha foi um clássico do gênero.

Equipe


Outros membros da equipe: Pedro e Laura filmando Alcíbio. Nem ele, que parece ter parentesco com cabrito, dispensa o bastão para andar nas pedras. Assim fica o aviso para os convidados; podem ir providenciando um bom bastão para as caminhadas. Em tempo: vendo um Focus Ghia, 2001, bom de tudo, malvadão. Nunca fez trilha!

Os cactos


Os cactos do Rincão são um espetáculo à parte. Aqui, a flor de um deles, visitada pelas lichiguanas.

Geologia do Inferno


Clarice comenta sobre as rochas conglomeradas do Rincão. Benvinda, Clarice. Não entendo do assunto, mas lembrei do livro do Padre Balduíno Rambo, S.J., "A Fisionomia do Rio Grande do Sul", que tenho numa edição da Livraria Selbach, de 1956. A região ali é a da Serra do Sudeste, e ele diz: "A natureza geológica da Serra do Sudeste é sintetizada numa unica palavra: GRANITO." E ali o viajado padre se estende por páginas e páginas sobre o granito, suas formas de solidificação, sobre as idades geológicas. Ele escreve na página 95: "No vale do Camaquão (sic), ao sul de Caçapava, as condições geológicas forneceram o material de construção para a paisagem mais grandiosa no interior do Sudeste." O padre da geografia gaúcha não economiza na descrição. Na foto dessa postagem, fica parecendo que uma das paredes como que se derramou, líquida, sobre o paredão de pedra.

A Pedra Amarela


A Pedra Amarela é um dos pontos de referência no Rincão do Inferno. Ela fica na margem leste do Rio Camaquâ, bem na beira do rio, e tem esse formato regular, lembrando uma taça de pedra. Ela marca um dos locais mais usados para acampamentos e banhos no rio. O nome vem do fato que ela tem as paredes de baixo amarelada, pois ali algumas partes caíram (100, 200 anos?) e contrastam com a parte alta, que é cinza, algo esbranquiçado. Como quase todas as grandes rochas do Rincão, é possível ir até lá na parte superior, onde se vê a arvorezinha. Descer, segundo o seu Alcídio, é que são elas.

domingo, março 5

O Rio Camaquã


Nesse trecho do Rincão do Inferno, o leito do Rio Camaquã é interrompido por enormes pedras que dificultam a passagem de canoas ou mesmo as caminhadas. Em alguns locais se formam pequenas praias. A água é extremamente limpa, pois ali quase não existem lavouras. Com um bom guia, como o Alcíbio, é possível caminhar por muitas horas por trilhas de todos os níveis de dificuldades, com pequenas escaladas. Acho que uns três dias não bastariam para explorar os principais caminhos. Faço aqui um compromisso público com alguns leitores do blogue que gostam de caminhadas, em especial Valter e Mestre Guina: levo vocês lá, é óbvio!

Trio


Dentro do rancho: Alcíbio, Onélia, a música.

O homem da pedra (Rincão do Inferno II)


Alcíbio mora num rancho de barro sobre uma gigantesca rocha do Rincão do Inferno. Ele, a mãe, a sogra e o irmão moram sobre quarenta hectares de pedra, por generosidade de uma patronagem centenária. Eles não tem a escritura das pedras. No antigamente haviam duas lavourinhas, milho, mandioca, coisas assim, do tamanho de terreninhos urbanos, localizadas em intervalos entre as pedras e repartidas com as pacas e capivaras. Os cincoenta e tantos anos de pedra e sol hoje lhe pedem atividades mais amenas, como pequenas changas para os vizinhos, criação de abelhas, algumas cabras ariscas e duas dúzias de ovelhas. Sobre o nome do local ele diz que só o nome é feio: "Isso aqui é um paraíso." A luz é uma promessa, a água brota num fio de pedra, numa cacimba a cincoenta metros do rancho de barro. Ele caminha seis quilômetros para pegar um ônibus no Cerro do Malcriado, quando tem que carregar a bateria do celular, que fica ligado duas horas por dia.
Na foto, o rancho de barro, com Nenê sesteando. Repare na vista que ele tem do Rincão. Este é um dos tantos ranchos de barro ainda ativos na região. Eu visitei outros dois, no Passo do Salso, nas proximidades das Minas de Camaquâ: o do seu João e o do seu Pedroso. Ambos tem mais de sessenta anos, moram em lugares com vistas maravilhosas. Os três são negros.

No pampa de nuvens


Nessa outra foto Gabriel filma o lado oeste, como se estivesse procurando as bandas de Santana do Livramento.

O lado sul, amanhecendo


Gabriel filma o nascer do sol na segunda-feira de Carnaval. Ele está no lado sul do Rincão, no ponto mais alto das rochas. Em alguns dos dias do carnaval o nascer do sol se fazia em meio à intensa cerração.

Rincão do Inferno


O Rincão do Inferno é uma formação rochosa localizada entre os municípios de Bagé e Lavras do Sul. No Google Earth, informe as coordenadas 30º 51' 56.84 S e 53º 42' 36.29 W, e verá a formação. O local é uma das divisas entre os dois municípios. A área total da formação deve ocupar uns oitenta hectares, imagino eu. No verão, o rio é muito calmo e baixo, e suas águas são muito limpas. Na época de chuvas, o nível do rio sobe muito, pois a caixa do mesmo é bastante estreita na maioria dos pontos. Há um local no Rincão do Inferno no qual se pode ter um pé em cada município e o Camaquâ passando embaixo. A pessoa na foto é o Sr. Alcíbio, morador do lado norte. Os cachorros são o Estrangeiro e o Nenê.

sexta-feira, março 3

Ministério Público versus a UFSM: se a moda pega...

Devo, não nego, pago quando puder: a) retomar a conversa sobre a santeria: b) falar sobre o Rincão do Inferno e seus habitantes, etc. Por ora quero agradecer as visitas do carnaval, os comentários, a visita de Ana, e dar divulgação para um ofício que li hoje, na Ufsm, assinado pelo pró de pós-graduação, no qual ele comunica que a dita nossa Universidade perdeu a ação civil movida pelo Ministério Publico Federal contra a UFSM, sobre os cursos de especialização. Como até agora a página da universidade não noticiou o assunto, transcrevo:
"foi dada decisão em desfavor da UFSM (...). A imediata proibição da abertura de novos cursos eventuais (pagos), inclusive aqueles que estão com edital aberto ou em vias de abrir. Permitindo (sic) apenas a continuidade daqueles cursos que já estão com alunos em aula. Destacam ainda que foi fixada uma multa diária por descumprimento da decisão, no valor de RS10.000,00 (dez mil reais)."
O processo, na raiz, teve a voz dos estudantes. Os mesmos que hoje questionam a Afundação e seus desvairios pedagógicos.

sexta-feira, fevereiro 24

Santerias (2)

Vou ficar uns sete dias longe da internete, num lugar chamado Rincão do Inferno, nas bandas de Lavras do Sul. Prometo contar algo sobre isso na volta.
Eu quero agradecer a série de postagens feitas hoje, sobre a santeria, e não me importa que o autor tenha ficado anônimo. Ele foi franco e direto, e é evidente a seriedade da reflexão ali presente. Acho que estamos pensando junto, por alguns momentos, e isso é o que importa, no final das contas.
Obrigado, até breve.

Afundação da Universidade

Se o calçadão da Bozzano tivesse pedras, até elas teriam ouvido falar coisas escabrosas sobre um certo projeto da Afundação. O mal afamado projeto foi administrado de forma a provocar grandes buracos na falta de previsão orçamentária da mesma. Na quarta-feira passada, o Conselho Superior da Afundação reuniu-se para aprovar as contas de 2005. Tudo estava nos conformes, aparentemente, mas em nome do decoro as contas do tal projeto ficaram para outro dia, pois para ele foi contratada uma auditoria.
Eia sus, oh sus! Fica a curiosidade: como foi possível que tais despautérios passassem no meio dos fios das barbas dos mais experientes profetas? A gente fica na torcida para ver a qual será a aprendizagem institucional resultante do episódio.
Acho que vou fazer vestibular para Contabilidade e tentar uma vaga na bancada estudantil no Consu, para ajudar a pedir vistas nestas contas e auditorias.

quarta-feira, fevereiro 22

Tapetão

A respeito de um comentário aqui no blog sobre as eleições no CCSH: o que me chateou foi um problema semântico: "tapetão" (a expressão foi usada por um e-jornal local) é uma expressão consagrada para designar os tribunais que decidem sobre problemas não resolvidos no campo de futebol. Isso possibilita outros usos. O ex-reitor Benetti, por exemplo, costumava se referir ao fato que ganhou as primeiras diretas feitas na UFSM e que "perdeu no tapetão", referindo-se ao fato bem conhecido que os Conselhos não deram pelotas para as eleições.
Eu repito o que escrevi antes: as alternativas do CCSH eram fazer a consulta ampla com meia dúzia de alunos e professores, e com isso nada teria de ampla, ou deixar para junho, dando uma esticadinha de quatro meses no prazo previsto do estatuto.
O Conselho do Centro escolheu fazer a escolha no próprio Conselho e acho despropositado falar em "tapetão". Falando nisso, a matéria, no e-jornal, que usou esta expressão não estava assinada e minha chateação não visou ninguém em particular. Eu, se fosse eles, chamaria o CCSH de "legalista" ou coisa que o valha. Mas "tapetão"?
O CT, que estava na mesma canoa, mandou uma consulta ao Reitor para saber se podia descumprir os prazos. A resposta, dada na semana passada, foi - adivinhem só - que não podia. O prazo termina no dia 26 de fevereiro. E?
Vou pensar. Quem sabe não seria essa uma nova e revolucionária maneira de administrar? Do Estatuto, a gente só cumpre o que nos convém.
Desse jeito, daqui a quatro anos sou candidato a Diretor de Centro. De preferência, no campo, prá poder conversar bastante sobre a história da nossa Ufesm.

Conselho Fiscal?

Dei uma olhada no organograma e no estatuto da Fundação. Tem apenas um Conselho Superior, e a ele cabe a tarefa de examinar e aprovar as contas.
Entendi a preocupação do tal conselheiro. Onde achar o tempo necessário para mergulhar na papelada? E não basta ter tempo. Essas tarefas, nos dias de hoje, não são para diletantes. "O tempora, o mores", diria o catilinista!

Consu

Na única reunião do Conselho Universitário que fui neste nano mandato, vi coisas interessantes. Os estudantes haviam pedido vistas de um processo sobre a Fundação de Apoio, que continha o relatório de atividades do ano base de 2004. Pediram que fosse feita uma auditoria pública nas contas. Deu para ver que tem muita coisa para ser conversada sobre como anda funcionando a Fundação. O presidente da sessão chegou a dizer, na fala inicial, que "concorda com os fatos levantados pela bancada estudantil". Os "fatos", por certo, não são muito claros, mas no caso tinham a ver com as atividades vinculadas ao Detran, que funciona dentro da Universidade. Problemas de natureza conceitual, pelo que me pareceu; os estudantes queriam ter mais clareza sobre as relações didático-pedagógicas do Detran com a Universidade.
Outro conselheiro, que é Diretor de um importante centro, reconheceu que o "assunto é polêmico" (não especificou qual), e que "não compartilho com muitas coisas que ali existem". Um outro Diretor disse que existem problemas pontuais, que talvez fosse o caso de "auditoria num determinado projeto". Puxa e afrouxa, as contas de 2004 foram homologadas. 2004, veja bem.
Dias depois, conversando com outro membro da fundação, me assustei um pouco mais. Ele me deu a entender que existe um Conselho Diretor, que se relaciona com uma Secretaria Executiva. Nem sombra haveria de um Conselho Fiscal.
Se é assim, eu fiquei me perguntando, "que tal?".
O conselheiro me falou também sobre polêmicas sobre como interpretar regras de leasing. Como se sabe, o leasing gera uma posse temporária, digamos assim, de um bem, por um período xis (um aluguel, de certa forma), findo o qual o contratante pode optar por pagar o valor residual e ficar com o bem ou devolver o dito. A polêmica seria sobre os direitos gerados pelo pagamento do valor residual, se esse pagamento fosse feito depois de cessado um projeto qualquer. O conselheiro parecia preocupado, e eu lamentei entender pouco de santeria e zero de leasing.
Bom, gestão nova, vassoura nova. A esperar.

Apa kabar?

Segundo o Everyday Indonesian (Thomas Oey, Periplus Editions, 1992), contrariamente aos hábitos ocidentais, é muito comum para os indonésios perguntar ao visitante sobre sua religião. Para a maioria dos indonésios a religião não é tanto uma questão de crenças pessoais e sim uma parte da ética da pessoa ou de sua identidade cultural. Se o visitante disser que não tem religião ou que é ateu, a maioria das pessoas não compreende o que se está querendo dizer; não ter uma religião é parecido como não ter nome ou nacionalidade. As religiões mais professadas são o Budismo, o Hinduísmo, o Islamismo, o Catolicismo e o Protestantismo.
Tana Toraja, se lembro bem das histórias contadas por minha filha que andou por lá uns anos atrás, é famosa, entre outras coisas pelas cerimônias funebres que duram muitos dias; o morto fica exposto em construções especiais para a festa, e enquanto é velado muitos búfalos são sacrificados. Quanto mais bichos, melhor. Fortunas são gastas nestas ocasiões.
Alguém (não sei se bapak ou ibu - homem ou mulher, em indonésio) me pergunta como proceder com os talismãs no tal do reitorado republicano. A tal da caneta fica no bolso de cada um, deixa assim. O que me impressiona são coisas como o crucifixo que está pendurado na sala do Conselho Universitário, a imagem da Medianeira na antesala do Gabinete do Reitor. Eu apearia os dois, pois são espaços públicos ocupados por gente que tem efegê e cedê patrocinadas pela viúva.
A viúva tem nome e não tem religião.
Gostei muito do comentário, tanto que fui atrás do manual de indonésio que nunca pensei em usar.
Em tempo: Apa kabar quer dizer "como vais?"

quarta-feira, fevereiro 8

Santerias

Faz alguns anos entrei num gabinete de uma assessora de um assessor, etc, no terceiro andar da Reitoria, para tratar de um assunto graduado qualquer. A senhora me recebeu muito bem, com todas as alegrias do cargo nem tão pesado assim. Minha atenção na conversa, no entanto, logo foi desviada por uma interminável coleção de imagens religiosas que cercava a mesa peninsular da senhora: santos e santas, anjos e anjinhos, gnomos, fadas, enfim, qualquer fauna capaz de benção morava ao redor das mesas, disputando espaço com carimbos, bandejas de a responder e recebida, potes de canetas e de clipes. Ela parecia incapaz de imaginar que alguém pudesse sentir-se incomodado com tanto despacho na mesa. Na hora, me lembrei que no meu centro de ensino, na sala principal de reuniões, havia um crucifixo pendurado na parede, dominando todo o espaço, abençoando, em primeiro lugar, o presidente das sessões. Lembrei também que um colega de Departamento me acompanhou na queixa (bem humorada!) contra aquela intromissão da fé privada no espaço público. Chegamos a ponderar junto ao pendurador que ele não deveria fazer aquilo, colocar sua fé pessoal no espaço republicano da sala de reuniões. O dirigente, com humor aquoso, respondeu que ele era o diretor, e que o crucifixo era dele, colocava onde queria. O dirigente se foi, faz algum tempo, e o crucifixo foi ficando. Desde ontem, ao final da tarde, ele está à disposição do ex-dirigente.
Não pude fazer quase nada nesse meu nano mandato. Baixei o crucifixo da parede, por exemplo. É muito pouco. Eu gostaria de ser reitor, um dia, para baixar uma diretriz administrativa - talvez várias - que limpasse também essas mesas de santerias.

terça-feira, fevereiro 7

Chesterton (2)


Boas novas sobre Chesterton, obrigado ao Mestre Guina e ao Luis Valério. Temos então três possibilidades em língua nativa:
1) Chesterton, Ortodoxia, Editora: LTR Editora, ISBN: 8536101555, Ano: 2001.
2) Na tradução de Eduardo Pinheiro, Porto, Livraria Tavares Martins, 1974 (5.ª edição).
3) Luis Valério informa sobre um exemplar disponivel na Fapas, da mesma tradução de Tavares Martins, edição de 1958.
Gratíssimo.
Meu interesse súbito pelo Chesterton vem de duas fontes. Uma delas tem a ver com minha leitura do livro de Ernst Tugendhat, "Egocentricidad y Mistica" (ainda existem dois exemplares disponíveis na Cesma). O livro de Tugendhat é a melhor coisa que li nos últimos anos. Trata-se de uma ampliação muito bem feita do pequeno artigo que ele apresentou em Santa Maria, poucos anos atrás, ali no auditório do CCSH, sob o título de "As raízes antropológicas da religião e da mística". A palestra foi depois publicada no pequeno volume "Não somos de arame rígido", organizado pelo Valério Rohden e publicado pela Ulbra, em 2002. A Editora da UFSM costuma ter esse livro à venda. Vale cada centavo. Pois bem, depois desse artigo o velho Tuga entrou para valer no tema (raízes antropológicas da mística e da religião) e escreveu esse volume, publicado recentemente e já traduzido para o espanhol pela Gedisa. O livro é simplesmente imperdível. Não conheço nenhum texto que seja páreo para ele na qualidade do tratamento do tema, se a regra do jogo é a de falar da religião de um ponto de vista exclusivamente filosófico. É o tipo da leitura que nos estimula a querer ler mais. Daí entram esses autores que disseram coisas importantes sobre o tema, partindo de suas crenças: Chesterton, Simone Weil, C. S. Lewis seriam casos exemplares: gente que defendia credos particulares, mas com genialidade e graça. Tem mais sobre Chesterton, espero, amanhã.

segunda-feira, fevereiro 6

Chesterton

Alguém sabe de alguma edição em português da "Ortodoxia", de Chesterton? Cartas para a redação.

Maomeh

E como perguntou um blogueiro: mas se não tem imagem de Maomé, como sabem que é com ele?

Expandir?

Visitei o sítio do Mec e li um documento sobre o programa de expansão das Universidades Federais. Foram criadas recentemente quatro universidades federais: do ABC, do Pampa, da Grande Dourados e do Reconcavo da Bahia. Se eu somei direito, serão necessários nos próximos anos ao redor de 1.900 professores (para mais) e mais de 1.500 funcionários. As vagas docentes, segundo o governo, estão sendo tomadas emprestadas daquelas que ele deve às universidades já existentes (ao redor de 4.000, ocupadas por substitutos). As de funcionários, todos sabemos como vai o caso: à beira do caos em várias situações. Lembrando que a idéia de não dar aumento vem passando de governo a governo, há uma década, como fica essa história de "expandir"? Expandir o quê mesmo? Quem vai bancar e como essa expansão? E depois dessas quatro, novas em folha, tem mais seis universidades novas, a partir de unidades menores já em funcionamento. E é impressão minha ou quase não se fala nesses assuntos delicados?

quinta-feira, fevereiro 2

Desocupados

Para quem não sabe, presidi duas reuniões do Conselho do CCSH, na qualidade de Diretor Pro-Tempore, a convite do próprio Conselho. Na primeira reunião ficou decidido que haveria eleição do Diretor no próprio Conselho; na segunda, foi feita uma votacão secreta e uninominal, da qual saiu como eleito, com todos os votos dos presentes, o Prof. Rogério Koff.
Entre as razões pelas quais o Conselho decidiu pela escolha da lista tríplice no interior do próprio Conselho destacam-se duas que eu mesmo defendi junto aos conselheiros.
a) pelo Estatuto da UFSM o prazo para elaborar a lista tríplice termina no dia 26 de fevereiro;
b) no mês de fevereiro temos apenas um punhado de estudantes do CCSH em aulas; na melhor das hipóteses, trinta por cento; os demais não tiveram greve e somente voltarão em maio. A opção pela consulta à comunidade implicaria de duas, uma: consulta dentro do prazo, com esses trinta por cento; consulta fora do prazo, por volta do final de junho, com todos; a segunda opção implicaria descumprir o Estatuto da UFSM e deixaria o CCSH por seis meses com um Diretor pró-tempore. Diante desse quadro o Conselho optou pela eleição no interior do Conselho. Foi dado um prazo de oito dias para as inscrições, amplamente divulgado no Centro. Somente o Prof. Rogério se apresentou. Foi eleito por unanimidade. Isso inclui o voto dos estudantes presentes.
Algum desocupado (porém, de plantão!) chamou o que eu expus acima de "desculpas esfarrapadas". Disse ainda que essa escolha pelo Conselho atenta contra a democracia, bla-bla-blá e etc. De duas, três. Ou o desocupado queria que a eleição fosse feita em fevereiro, para que os estudantes do Curso de Economia e Arquivologia, etc, elegessem algum bigodudo, ou o desocupado queria que o Centro ficasse amornando o lugar até a metade do ano. A terceira é a seguinte: como diria o Marquês de Sade, "ainda um esforço se queres ser republicano..." Eu, hein?
Eu não vou falar sobre a concepção e a prática da democracia na UFSM, porque eu mesmo não sou desocupado, tenho mais o que fazer, e as pessoas deviam olhar melhor para o próprio rosto.
Vão se catar!

terça-feira, janeiro 31

CCSH (3)

Na manhã de ontem o Conselho do CCSH escolheu o Prof. Rogério Koff como o próximo Diretor de Centro. Com isso meu brevíssimo mandato vai chegando ao fim e vai sobrar mais tempo para atualizar o Morana. A casa nova vai sendo ajeitada aos poucos, tem muito trabalho pela frente. Mas a cada dia vai ficando mais bonita. O Mestre Guina lembra com razão uma nota melancólica em meio a essas novidades. Não era pouca a alegria de poder encontrar, em algum desvão de uma tarde e de surpresa algum colega de prédio ou outros moradores e visitantes ocasionais, como o Valter, o Bressan e tantos outros. É, isso vai fazer falta.

domingo, janeiro 29

A little help

A mudança do Curso de Filosofia foi feita no sábado pela manhã, pela prefeitura da UFSM. Dois caminhões e o grupo de funcionários do setor de manutenção da universidade começaram cedo, por volta das oito horas. E o trabalho foi sem parar até o meio dia. Mas teria demorado muito mais se não fosse a ajuda, de igual para igual, de um grupo de estudantes: Cláudio, Juliana, Diogo, João, Geraldo, Anderson, Adriano, José, lembrei desses, mas tinha mais gente. E mais os professores Frank, Noeli, Christiam, Abel, Róbson, Ricardo. O vice-diretor do Centro, Prof. Rogério Koff também foi dar sua mãozinha. Mas a batuta esteve na mão do maestro Adrian Souza, chefe da secretaria da Filosofia. Edinho, da Manutenção da Universidade, além da empreitada toda, gerenciou o churrasco no intervalo dos trabalhos.

Mudança de Enderêço

A partir de segunda-feira, dia 30 de Janeiro, o Departamento de Filosofia da UFSM e seus Cursos estão em casa nova. Ontem, sábado, foi feita a mudança de móveis, utensílios, velharias, etc., para a nova casa, que fica de frente para a praça central da Universidade, logo após o Planetário e antes do Colégio Agrícola. O prédio, de número 74, tem três andares, com orientação solar diferente dos demais prédios da UFSM. As dependências da Filosofia ficam no terceiro andar e o mínimo que se pode dizer, com honestidade, é que são muito boas. O Prof. Oswaldo Chateaubriand, ao visitar o local uns meses atrás ficou muito admirado, e disse que talvez seja o Departamento de Filosofia mais bem provido de espaço físico que ele conhece no Brasil. Ainda vamos levar alguns dias para desempacotar tudo e arrumar nas estantes, mas em breve já estaremos em condições de receber os visitantes.

segunda-feira, janeiro 16

Las hay!

Por força de algumas circunstâncias estou acompanhando mais de perto o cotidiano do meu centro. Trata-se de um centro grande, como se sabem, com muitos alunos e professores, três mestrados. Isso mostra uma certa característica: um dos maiores centros de ensino da UFSM ainda não tem um curso de Doutorado.
Confesso que me sinto muito desinformado sobre muitas coisas da UFSM. Hoje alguém me disse que existe nela um sistema de bolsas que são pagas a professores que executam projetos através de uma fundação que funciona no Campus. Essas bolsas podem chegar a um valor de mais de três mil reais, e são pagas pelos executores dos projetos aos professores que participam dos mesmos, com cursos, palestras, consultorias. Parece não ser mais um trabalho eventual, pois essas bolsas são pagas a intervalos mensais. Eu não fazia a menor idéia disso. Sempre pensei que esses convênios tinham uma medida de crescimento dada pela necessidade de extensão como complemento formativo da graduação. Pelo que vi, se ouvi bem e se fui bem informado, trata-se de uma espécie de elefantíase extensionista, uma extensão desmedida, que cresce ao sabor das verbas cada vez mais gordas e cada vez mais disponíveis, pois os poderes públicos estaduais e federais abrem as torneiras para essas parcerias. De extensionismo a coisa teria virado um consultorismo.
Bem, pode ser que eu tenha que dar algum desconto. Todavia, no creo. Que las hay, las hay!

CCSH (2)

A casa nova vai abrigar o Curso de História, Ciências Sociais, Arquivologia e Filosofia, este no terceiro andar. É o primeiro passo para a reunião dos cursos e departamentos do Centro, hoje dispersos em cinco prédios diferentes, dois no centro e três no campus.

CCSH (1)

Faltam poucos dias, ao que parece, para o Curso de Filosofia deixar o prédio 13, do CCNE e rumar para a nova casa, o prédio 74. Na quarta-feira a empresa construtora termina os ultimos ajustes na parte elétrica e dá tudo por pronto. Fomos informados hoje que os equipamentos de informática serão instalados apenas nas ultimas horas, pois dali para a frente a segurança dos mesmos corre por conta da UFSM.

quarta-feira, janeiro 11

Iris Murdoch

Uma informação para novos visitantes que desejam ler o trabalho de Iris Murdoch, "Sobre Deus e Bom". A tradução está disponivel no "link" que fica no canto direito desta página, "Quadro de Avisos". Uma vez no Quadro de Avisos, entre na página de "Arquivos". O texto está em pdf.

segunda-feira, janeiro 9

No calor



Hoje tem Valter Noal Filho na 93.5, às 16.00 h. Lembrando dele, vão aqui duas fotos recentes da Cascata de Tres Barras. Acho que esses aí da foto concordam que, como diz Mestre Guina, o sufoco de 2006 para o povo do governo vai ser mais ou menos como o do dia de hoje: pior do que ontem. E falando nisso, quem sabe no domingo se faz uma visita ao local? Nós, os velhos e cansados, poderíamos seguir o exemplo dos mais jovens e refrescar por uns momentos nossas alquebradas carcaças.

domingo, janeiro 8

O morador da Casa de Pedra


O primeiro lagarto apareceu uns vinte minutos após nossa chegada. Não demonstrou receio em chegar perto. Ele me deixou chegar a uns quatro metros, parava quieto, fechava os olhos, abria, depois seguia, devagar. Devia ter uns 80 centímetros de comprimento e o rabo estava perfeito. Lamentei não ter levado um ovo para deixar para o bicho. Depois apareceu um lagarto menor e igualmente caminhou à vontade, perto da gente. Taí uma coisa importante nesses passeios: levar uns ovos para presentear os moradores da Casa de Pedra. Algum antepassado dele pode ter sido saboreado pelo Gumercindo Saraiva.

Pico do Morcego


O Pico do Morcego é um dos sonhos de consumo dos montanhistas gaúchos. Faz parte do complexo da Casa de Pedra. Esta vista é da chegada. Um dos inconvenientes do passeio são as sete (ou oito!) porteiras que a gente precisa abrir para chegar até lá.

Que 2006 nos seja mais leve!


Espero que os amigos e amigas do blog tenham tido bons dias e noites nesses finais e começos! E que 2006 nos seja mais leve. Vou começar devagar, repartindo algumas imagens que podem ajudar a amenizar o calor do dia de hoje, coisa de deixar miolo mole. A primeira série de imagens é um tanto mítica. Dizem que o Gumercindo Saraiva (o chefe maragato nas peleias de 93) tinha uns esconderijos especiais. Um deles ficaria nas proximidades do rio Camaquã, e é conhecido hoje em dia como a Casa de Pedra. Trata-se de uma formação rochosa que também tem sido local de prática de montanhismo no Rio Grande do Sul, tendo em vista a radicalidade de algumas das paredes e rochas. O nome "Casa de Pedra" obviamente tem a ver com o fato de que ali se podem abrigar uns quantos gauchinhos com cavalo e tudo, como se pode ver.