quinta-feira, dezembro 28

Boas Festas

Agora só dá tempo para um Feliz Ano Novo. Dia 2 de Janeiro, se a BR101 permitir, estou de volta. Um grande abraço para todos os amigos do Morana. Espero que tenham uma boa virada de ano e que 2007 seja mais leve e livre para todos nós do que foi 2006.

quarta-feira, dezembro 20

"Vou ali carnear uma ovelha e já volto." (Do Vertigo, 2)

"E agora me quiedo meio sem perspectivas diante de uma esquerda cada vez mais enfraquecida. No resto do país, o neopopulismoenganapovo cresce assustadoramente e ocupa 398 prefeituras no país. As tentativas de mobilização global com o Fórum Social parecem ter esbarrado em si mesmas e os movimentos anti-qualquer coisa já não tem o peso indicativo de mudança que tinham há pouco. Enquanto isso, nossos amigos listrados escolhem entre o sujeito claramente comprometido intelectualmente que diz que vai acabar com o mundo e o rosto bonzinho que pratica windsurf e que não fará nada muito diferente disso.

Vou ali carnear uma ovelha e já volto. Vocês perceberam que os jacarandás começaram a florescer?"

(Por Gabriel Gomes Pillar, em 4.10.2004)

Do Vertigo

"Fui. Não volto. Valeu por tudo.
Assim mesmo, em bloco, pra passar desapercebido. A primeira coisa que fiz foi pegar a bicicleta e sair a andar pela cidade. É impressionante como as tardes em Porto Alegre podem ser agradáveis. Poucas pessoas na rua, sento pra tomar um café, ler uma revista e até encaro um sessão de cinema depois. Uma não, foram três na semana - um recorde comparado com as parcas visitas às salas de exibição nos ultimos meses. A tendinite no braço direito começou a melhorar, e chega dez da noite e não estou mais caíndo de sono. Continuo dormindo até tarde, mas isso está tão impregnado em mim que vai dificil mudar tão cedo. Estou feliz, contente com a vida e com os planos para o FUTURO. Aos poucos tiro o pó da lista de projetos interrompidos. Mas não nessa semana. Quero passar alguns dias assim, fazendo nada, e me preocupando com menos ainda. Tomo outro café, tenho uma vontade incrivel de comer algo doce, e fico ali sentado, olhando o movimento da rua."
(Por Gabriel Gomes Pillar, em 13.06.2005)

terça-feira, dezembro 19

Vou passar a noite em Sintra

Depois de dizer que guia sozinho, "quase devagar", e que lhe parece que segue por outra estrada, que segue sem haver deixado Lisboa e sem ir a Sintra, o poema vai assim:

"Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida..."

Poesias de Álvaro de Campos - [463] 11-5-1928

Familiar, não?

"Ao volante do Chevrolet"

Dias atrás saí da Cesma pensando nuns versos de Fernando Pessoa, que lembrava apenas vagamente. Versos raros, nos quais o poeta descreve seus sentimentos, dirigindo um automóvel de Lisboa até Sintra; versos raros, nos quais o poeta declina a marca do carro que dirige; o poema começa assim:
"Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, ao luar e ao sonho, na estrada deserta, sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco me parece, ou me forço um pouco para que me pareça, que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo, que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter, que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?"
Por duas vezes Pessoa fala no Chevrolet, que tem emprestado, apenas: "Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio? Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite, guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente, perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço, e, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível, acelero..."
Lembrei desse poema de Pessoa, caminhando nas proximidades da Cesma, porque fiquei pensando se havia sido justo no meu comentário sobre o início do livro de Lion Goya, "Projeto AIC-Metamorfose", do qual disse que havia empacado por causa da sigla da caminhonete GM-S10. Afinal, a General Motors nada mais é do que a fabricante do venerável Chevrolet (A GM usou esse poema numa peça publicitária aqui no Brasil, faz muitos anos!), e nunca reclamei para mim mesmo do Pessoa usar marca de carro no seu poema.
Pensado isso, fiquei quieto, nesses dias de poucas palavras, mas não deixei de pensar, em mais de uma vez, se não teria eu sido um tanto quanto impertinente na minha postagem.
Hoje recebi um mail do Lion Goya. Transcrevo.
"Caro Ronai,
É com satisfação que vejo o comentário do meu livro no seu blog. Pena não teres tido saco para continuares lendo, quando empacaste, segundo o seu próprio termo, na sigla GM S10 (GENERAL MOTORS modelo S10). A contextualização do cenário em ambiente local e no Brasil foi um das minhas opções. É impossível agradar a todos. Outros, parece que é possível...
Olha que interessante o que foi publicado sobre o meu livro no jornal da tarde em São Paulo, que está disponível no site da CBL (Câmara Brasileira do Livro).
http://www.cbl.org.br/news.php?recid=4400&hl=conspirações%20made%20in%20brazil
Se estiveres interessado em realmente ler todo o livro e quiseres um exemplar para isso, posso pedir para os meus editores te enviarem um. E se as siglas te incomodares vai enviando e-mails que posso ir te traduzindo. Já que pareces ter, pelo menos com siglas, dificuldades.
Abraços,
Att
Lion Goya"

Agradeço a atenção. De fato, tenho muitas dificuldades, a maioria invencíveis, azar meu; conheço bem siglas de automóveis, infelizmente; é mais o detalhismo da sigla que me incomoda; mas o que me incomodou mais, desde a caminhada na Cesma, lembrando o chevrola do Fernando é ter fixado minha atenção em um detalhe na verdade insignificante diante do empreendimento como um todo. Aceita meus cumprimentos pelo teu trabalho, Lion.

segunda-feira, dezembro 18

Filosofia no Peies

A partir de hoje está aberta oficialmente a temporada de avaliação da presença da Filosofia no Peies. Foram oito questões; elas não tem conexão com as demais (ao contrário do que pode ocorrer no Vestibular), mas apontam, em alguns casos, para temas transversais. Esses temas transversais, na maioria dos casos, são simples e pedestres, como é o caso da questão sobre "Morte e Vida Severina". Ainda não tenho uma cópia da questão para transcrevê-la aqui e explicitar a transversalidade nesse caso.
Apenas duas pessoas, professores de filosofia em cursinho e escola, comentaram comigo a prova; disseram que os alunos não se assustaram, que alguns até mesmo gostaram da prova.
Vamos ver.

segunda-feira, dezembro 11

quarta-feira, dezembro 6

Cidades Híbridas


O site da Universidade Federal do Rio do Sul (www.ufrgs.br.lmic/blog) hospeda, como homenagem, a monografia de conclusão de curso que o Gabriel defenderia na tarde de ontem. O trabalho chama-se "Cidades Híbridas: um estudo sobre o Google Earth como ferramenta de escrita virtual sobre a cidade". No horário programado para a defesa, a Fabico fez uma homenagem ao Gabi. A banca foi composta, um dos membros leu o resumo e a conclusão do trabalho e depois deram depoimentos sobre o Gabriel. O orientador do trabalho foi o Prof. Alex Primo, no centro da foto.

Gabriel Gomes Pillar

Os leitores deste blog conhecem o Gabriel. Desde que surgiu, Moranafilosofia tem um link ao lado para "fell the vertigo", o blog do Gabriel; em fevereiro, fiz duas postagens falando sobre ele, e numa delas inseri uma foto, mostrando-o na operação de uma camera de vídeo, no Rincão do Inferno.
Na segunda-feira, de madrugada, Gabriel morreu em um acidente de carro, na descida da Mostardeiros, em Porto Alegre.
Gabriel foi meu incentivador de primeira hora nestas lidas de redes, grosso que sou nesse mundo das virtualidades. Não foi apenas o sobrinho querido ou meu herói familiar da blogosfera quem perdi, pois o parentesco havia virado amizade e a amizade trouxe junto aprendizados e trocas, vinhos e risadas.
Gabriel inaugurou a moda, desde pequeno, de não chamar a gente de "tio". No início estranhei. Depois acho que compreendi. Depois, depois, agradeci.
Hoje é esse buraco na vida.

domingo, dezembro 3

A carroça da Veti


Enquanto a Jai segue em frente, a carrocinha que faz propaganda do churrasco da Veterinária passa em frente ao prédio 74.

sexta-feira, dezembro 1

Sobre adolescentes

Na segunda-feira, 4 de dezembro, às 14h, no Centro de Educação (sala a definir, mas podem se dirigir à sala 3278B), acontece o colóquio sobre "Adolescentes e Identidade: Perspectivas Psicanalíticas Atuais", apresentado por Adriano Oliveira, membro da linha de pesquisa II Educação Política e Cultura do mestrado em educação.

quinta-feira, novembro 30

Bacharelado Interdisciplinar

João Carlos Salles alertou, na palestra da terça-feira, para uma proposta de criação de bacharelados interdisciplinares. A proposta surgiu na UFBahia e será debatida pelas universidades federais, a partir de amanhã, em Salvador, com a presença do ministro da educação. A idéia de alguns reitores tem uma cereja bonita no meio: acaba com o vestibular; usando-se a nota do Enen, entra quem quiser, para fazer um curso de bacharelado em três anos, em grandes áreas: Ciências da Matemática, Ciências da Vida, Saúde, Humanidades e Artes; depois de terminar esse basicão, o aluno pode concorrer, com seu histórico, a uma vaga em sua carreira final. Se a média não der, ele já tem um diplominha.
O Reitor da UFBa quer começar com essa modalidade em 2008.
Os Departamentos de Filosofia estão em polvorosa. Com isso, voltariam a ser grandes departamentos de serviços, pois todo mundo teria que fazer cursos de Filosofia, no tal basicão.
A coruja vai ter que abrir o olho.

quarta-feira, novembro 29

A notícia que sumiu

No dia 28/11/06, a página da ufesm publicou uma notícia com o título "Universidades Federais estudam mudanças no sistema de ingresso para alunos". Depois, a notícia sumiu. Alguém viu onde anda?

Bicho papão

Deu na página da ufesm: que até o início da tarde de terça-feira, dia 28, haviam apenas 5.803 candidatos inscritos ao Vestibular da casa. No caso da Unipampa a tragédia é grande: apenas 312 inscrições para 520 vagas.
Para quem é de fora, convém lembrar: anos há nos quais o vestibular da UFSM atrai mais de vinte mil candidatos; uma média de 10 anos deve andar em torno de 14.000. Quando a inscrição custa pouco, atrai o jovem que quer treinar e está apenas no primeiro ano; quando a prova coincide com as demais federais, vem pouca gente. Este ano é esse o caso e a inscrição custa 75 paus.
As explicações institucionais são essas, segundo a página da ufesm:
"Segundo o professor Dario Trevisan de Almeida, presidente da Comissão Permanente do Vestibular (COPERVES), uma das possíveis causas, que contribui para a redução do número de candidatos ao Concurso Vestibular da UFSM, é o grau de dificuldade das provas com a inserção da disciplina de Filosofia, associada à formatação das provas, que vem sendo utilizada nos últimos anos."
Mal abriu as asas e já virou bicho papão, a corujinha de Minerva.

terça-feira, novembro 28

Orquestra


No final, havia, como sempre, previsão do bis. Foram quatro músicas. O público aplaudia e ficava parado, esperando mais uma.

João Carlos e João Carlos


João Carlos Brum Torres falou primeiro, no início da tarde. Atual secretário de planejamento do RS, professor da UFRGS, uma das poucas grandes cabeças da filosofia política no Brasil, João Carlos apresentou o que considera ser a primeira versão de um ensaio sobre como podemos pensar a experiência do século vinte; a sala estava lotada, com gente em pé no fundo e nas portas; e a recompensa foi uma aula sobre como se pode filosofar com rigor e paixão sobre um tema tão abrangente. João Carlos deteve-se principalmente nas mudanças de nossa forma de pensar a natureza (e o que poderia ser um "novo naturalismo") e nas mudanças de nosso entendimento sobre a noção de sujeito, as novas formas de sociabilidade e política emergentes. Foi ousado e brilhante. No final da tarde João Carlos Salles, atual presidente da Anpof e professor da UFBa, contextualizou o documento das "Orientações Curriculares" do MEC, do qual é um dos autores, mostrando que algumas características do mesmo tem a ver com o momento no qual foi redigido, quando ainda não havia esse quadro atual da obrigatoriedade da disciplina. Entre muitas coisas importantes que foi revelando, incluiu algumas opiniões muito pertinentes sobre a presença da Sociologia junto à Filosofia, na resolução do CNE.
Uma tarde e tanto.
Para encerrar, já na noitinha, um concerto da Orquestra da Universidade.

domingo, novembro 26

O café da Cesma


Em primeira mão para o mundo: uma espiada no espaço do Café da Cesma. Tratava-se de uma sessão experimental, na qual o distinto público visto na foto era cobaia.

Santa Maria


No Flickr tem mais uma foto desse tipo. Para minha surprêsa, já não é mais nenhuma aventura fazer um passeio no Morro da Antena. Na verdade dá para convidar a patroa e tomar um chimarrão de fim de tarde, sem riscos. Na antena da Brasil Telecom há vigilância 24 horas. Conversei com o guardinha de plantão, Ricardo, que me contou que as visitas aparecem durante toda a semana, para apreciar a vista, como se diz. Um rapaz de São Pedro costuma vir ali para praticar asa delta, pois há uma pequena rampa para isso. Para ir até lá basta sair para São Martinho e tomar a direita na placa que diz algo como "Sitio Gaúcho", onde há uma estrada com calçamento. Siga o mesmo. Evite esse passeio em dia de chuva, pois a pedra vira um sabão.

sábado, novembro 25

Solidão

Simples assim: um velho conhecido, solito num lugar qualquer do interior do interior do érreesse, começa a pensar sobre o mais antigo dos temas, "quanto é o bastante?", toma umas e outras e uns remédios fortes e decide pular para fora da ponte da vida, me conta um amigo mais próximo. No caso da Vida e Morte Severina, quem lembra?, a mulher vem avisar o nascimento de uma criança e com isso dá a resposta. No caso do conhecido, algo parecido ocorre, amigos lembram e convidam para um jantar. Como nunca disse Aristóteles, para ficar em solidão convém ter boa solidez.