O caranguejo
O caranguejo me levou livre hoje.

O tópico, como se sabe, é imenso, arquipelágico, eu diria, se existisse a palavra. No caso do autor em pauta (ET), vale pensar sobre o que ele escreve na primeira das Lições que escreveu, ainda em 1976: "O que estamos buscando aqui não é a explicação de algo ainda não compreendido, mas o esclarecimento do que já se compreendeu". E esse esclarecimento, ele continua, "só pode ser atingido pela reflexão sobre nossa própria compreensão, e não pela experiência".
Disso se segue que devemos distinguir entre a esfera da "compreensão" e da "experiência".
Os apelos para que a Filosofia se atenha ao "momento" devem levar em conta essa partição; eu me inclino a pensar que a linha divisória entre essas esferas não é das mais claras, é movediça mesmo, mas faz sentido.
Um exemplo seria o que podemos pensar sobre coisas como "família", como alguém - anonimamente - reclamou dias atrás. Que "família" é um tema filosófico, quem negaria, desde o bom Platão? Outro problema é como pensar o tema sem fazer confusões com a dimensão sociológica do conceito. A meu juízo, grande parte das reflexões sobre o tema "família" que tem tom de queixa se beneficiariam com a leitura de sociólogos que abordam o tema e fazem distinções importantes. Um exemplo são os escritos de Anthony Giddens. Um começo seria o livro "Para além da esquerda e da direita". São Paulo. Editora da Unesp, 1996.
Ali a gente vê que dá para falar da "crise da família" sem chorumela e sem Filosofia no meio. Ganha a Filosofia, no final das contas.
Na foto, Alcíbio, Onélia e o gato. Uma família moderna.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:07 PM
4
comments
Está cancelada a aula de hoje, dia 10 de maio, do Prof. Tugendhat.
Desde ontem ele estava um pouco resfriado, e hoje não está se sentindo com forças suficientes para dar aula. Assim, fica suspensa a aula de hoje. Na sexta, esperamos, ele estará melhor. Oxalá.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:42 AM
2
comments
Tem gente que prefere perder o amigo a perder a piada. Eu, que gosto muito da Wrana, mulher de muita força e coragem, que defende com muita garra a universidade, fiquei pê da cara com essa piada, em especial porque foi contada na frente dela, que não merece ouvir isso. Na frente dela e na frente de centenas de professores, pois se tratava de um encontro de professores. Eu acho que o emessetê pode e deve ser visto como, em parte, eu disse, em parte, uma expressao compreensível dessa horrorosa estrutura social do Brasil. Quero dizer com isso que seria meio maluco e triste se não houvesse nenhum berreiro nesse lado de nossa sociedade, com esse indice de Gini que temos e que só piora. O que entristece é a apropriação disso por pretensos intelectuais de engenharia social, como o Stedile, na medida em que empulham com um discurso ambíguo - de um lado falam mal da academia, de outro, sem reconhecer isso, dão a entender que essa conversa sobre socialismo é bem fundada, com bases "científicas", rumos da sociedade futura, etc. O Stedile, por vezes me inclino a pensar assim, visto como sintoma, é compreensível, mas pouco mais, na medida em que faz uso descarado de estratégias de "manobrar" o discurso sobre socialismo e outras esperanças científicamente administradas. Esse negócio sobre a invasão da universidade me foi contado por um progrado da atual administração: a ufesm somente não teria sido invadida na época , isso quer dizer, poucas semanas atrás, porque o plano teria vazado e a segurança foi reforçada.
Sobre as postagens anônimas eu não permito nem despermito nada: o santo google é quem decide como funciona o template do blogue. Eu mesmo acho que o espírito da coisa não tem nada ver com anonimato. Se pode escolher uma máscara, brincar de personagem? Um pseudônimo? Isso eu entendo. Mas pseudo-anônimo? Isso é mais difícil de entender. Em todo caso, desde domingo, estou em fase de intensa aprendizagem de tanta coisa que por ora apenas digo isso, acho que anonimato é um lugar onde a gente se perde. Se isso é bom ou ruim? Depende só da gente, no mais das vezes.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:18 PM
4
comments
Estão definidos os dias e os temas das duas palestras de Ernst Tugendhat em Santa Maria. Ele falará sobre Antropologia Filosófica e sobre Eutanásia. Uma delas será na quinta, 18, e a outra, na quinta, 25. Uma, no Campus, outra na Cidade. Uma, na sala 218, outra, se der certo, na Cesma. Estou meio atrapalhado sobre qual onde quando, amanhã vejo na agenda que esqueci no Campus. Tirando um resfriado de conseqüências incertas, ele vai indo bem. Pela segunda vez foi ao Ponto de Cinema.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:49 PM
0
comments
Começa amanhã, às 16.00 horas, na sala 2323 do Prédio 74, no Campus Universitário, o curso de ET sobre Ética. Ele já está na cidade. Veio direto de Tubingen, pela Air France, mas teve que enfrentar o busão da Planalto na tarde do domingo. Sobreviveu. Até lá.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:42 PM
5
comments
Acrescentei nos links ao lado a ponte para a página de jornalismo da Unifra. O sítio é bem bom, coordenado pela Rosana Zucollo. Vale a visita. Coloquei também um laço com a página de Monica Herrera, do país hermano ao sul, aluna do mestrado em filosofia do prédio 74 e dona de um belo texto.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:09 AM
6
comments
Depois de pegar o autógrafo de Gilda May Cardoso, Newton Marchiori, Theresinha Santos e Valter Noal, no belíssimo livro "A Arte Fotográfica e o Teatro em Santa Maria", de Getulio Schilling, uma bela iniciativa da Câmara de Vereadores, executada de forma magnífica pelos editores, começou o Sarau Literário feito pela Deborah Finocchiaro e Zoravia Betiol. Deborah declamou versos de Mario Quintana e Zoravia mostrava, no telão, obras que executou, inspirada em Quintana. Foi de dar sufoco no peito, de tão bonito. Não resisti e taquei a maquininha nelas. 






Posted by
Ronai Rocha
at
11:24 PM
9
comments
A piada do Estedile, se me lembro bem, era assim:
Um professor universitário andava pela Cordilheira dos Andes, na Bolívia (já comecei a inventar...) quando encontra um velho quechua, pastoreando ovelhas. O sujeito desliga o motor da xeroki, furunga no painel, desce do jipão. "Tem duzentos e cinco ovelhas ali no rebanho, não?", diz o teacher para o pastor. O velho olha para o sujeito, meio maravilhado, e confirma, sim, mas como é que você sabe isso, nem parou para contar?"
"Well, liguei meu GPS, conectei com as antenas da boca do monte, peguei imagem do satélite e as ovelhinhas pularam aqui na minha tela."
- "E você é um professor universitário, não?",
- "Sim, sou. Mas como é que você sabe disso?"
- "Bueno ("bueno" é de gaúcho, mas dá o clima), tu chega no meu campinho sem ser convidado, me ensina coisa que eu não te perguntei e que eu estou cansado de saber, só podia ser professor de universidade..."
A Wrana Panizzi estava no auditório, e, respeitosa como é, havia feito aquela cara de ouvinte atenta para o Estédile. Aí ela foi desmanchando, ficou puta da cara, é fácil imaginar. Como Reitora, falou depois, tentou remendar, não é bem assim, etc. Mas o clima estava criado.
Caricatura tem hora. Que tem vagal e maluco nas ufesm da vida, quem vai negar isso? Mas isso tem nome, diria o Prof. Sautter, "parte pelo todo", etc.
Deixa prá lá...
Posted by
Ronai Rocha
at
12:18 AM
1 comments
O tema me lembrou Drummond. "Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina."
Esses versos, que até hoje me incomodam, me ocorrem diante dessa conversa sobre eucaliptos e carvalhos. Eu não desconheço que tem quem queira desfazer Drummond, meio moda nos setenta, hoje deslembrado, quem sabe. Baita provocação, um guri criado no fundo do campo do Saicã, perto do Rosário, depois removido para o norte do Paraná, quer cantar a cidade, as coisas do dia, e lhe metem Drummond nas vistas, "não faças versos sobre acontecimentos, e etc.".
Olavo pega a Simone, operária da Renault, tuberculosa, combatente da Guerra Civil Espanhola, que pega os acontecimentos pela goela e pega seus sentimentos - dela - e tormentos pela goela e tenta dar-lhes voz - sai o que sai, danem-se, a responsabilidade é de quem a lê! - aí, seu Olavo pega ela pela goela e tenta tirar dali o quadrado das oposições, terceiro excluído, não-contradição, vamos, venhamos e me faça o favor!
Conceda-se: Olavo tem um bom livro, ao menos, sobre Aristóteles, comprei, li, tem outros, etc. Mas depois de escrever um belo livro sobre o velho Ari, empeza a filosofar sobre acontecimentos. "Pão ou pães, é questão de opiniães", como dizia o velho Rosa, Guima, Grande Sertão, logo ali na primeira página, para facilitar nossa vida.
Eu não lembro quem me colocou Drummondo nas mãos:
"Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"
Bueno, segue a trova, no mais, que tá bom!
Posted by
Ronai Rocha
at
11:50 PM
1 comments

As guanxumas, como se vê, escasseiam no Rincão. Lá embaixo, no entanto, na charge de Santiago, estão animadas.
Eucalipto, para mim, é como cinamono, árvore da infância, cheiro bom e mato limpo embaixo. Muito tempo depois descobri que as duas eram de longe, das austrálias uma, de onde não sei, a outra. Hoje, tem essa conversa que a primeira é beberrona, seca campo. O que me incomoda no assunto da mudança da paisagem? Talvez a legitimação apressada que a ufesm conferiu à empresa, ao contrário da ufrgs, talvez o pesadelo de ir até Santana do Livramento vendo apenas os tais.
Mestre Guina se preocupa com a possível invasão da ufesm por quetais mulheres e semelhantes finalidades. Que eu saiba, estava previsto, sim, e foi por pouco. Stedile odeia as universidades, não perde uma chance de desancar "professores universitários". Vocês não lembram da piada que ele contou em Porto Alegre faz poucos anos? Se quiserem, eu conto.
A cabrita, que não é alçada, está lá no Rincão.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:22 AM
7
comments
"A liberdade de opinião e a liberdade de associação são geralmente mencionadas juntas. É um erro. Salvo no caso dos agrupamentos naturais, a associação não é uma necessidade, e sim um expediente da vida prática.
Ao contrário, a liberdade de expressão total, ilimitada, para toda opinião qualquer que seja, sem nenhuma restrição nem reserva, é uma necessidade absoluta para a inteligência. Por conseqüência, é uma necessidade da alma, pois quando a inteligência não está à vontade, toda a alma está doente".
Simone Weil, "O Enraizamento".
O livro está na caixa de saldos da Ana Terra, na feira do livro, pela bagatela de 15.
Fica como homenagem dupla ou tripla ou quádrupla: à Ana Terra, à Simone, ao dia da Liberdade de Imprensa, que parece ter sido hoje, à Feira do Livro de Santa Maria. Comprei ali faz pouquinho um pequeno pacote, incluindo essa Simone, para reserva técnica, para emprestar para os amigos.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:59 PM
2
comments

Pago no fim de maio a dívida. Fui de novo no Rincão. A desculpa era preparar melhor o acesso das gentes, ver a luz de maio, sentir o primeiro vento frio, comer a fruta do cactus, fotografar as cabritas. E achar um canto para as barracas, Valter, Guina, Luís.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:50 PM
0
comments

A charge é de autoria de Santiago, que mandou para Bressan, que mandou para mim, obrigado e segue em frente.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:10 PM
23
comments
Cresce a blogosfera filosófica. Entrou no ar, faz alguns dias, o blog da Gisele, sobre filosofia no vestibular. Para quem não sabe, Gisele é a mais recente mestre do Curso de Pós-Graduação em Filosofia da UFSM (espero que já tenha entregado o texto definitivo!!!). Mais recentemente foi contratada pelo Fóton para responder pelas aulas de Filosofia.
Boa Sorte, Gi!
Posted by
Ronai Rocha
at
6:02 PM
4
comments
O sítio da Coperves mudou a enquete. A boa notícia é que na nova enquete a pessoa é convidada a escrever sua opinião sobre a inclusão da disciplina e oferecer sua percepção sobre que diabo de coisa é a tal da filosofia. Na seqüência está prevista uma pequena discussão sobre as eventuais postagens. Vamos ver se funciona.
Sobre a Simone: o Sr. Olavo de Carvalho, tanto quanto eu lembro (mais imagino do que lembro), do alto das tamancas de seu catolicismo, não pode mesmo gostar da forma como Simone se refere a Deus.
Posted by
Ronai Rocha
at
5:40 PM
2
comments
Escolho uma das passagens citadas pelo anônimo:
"O desejo é impossível: ele destrói seu objeto. Os amantes não podem ser um nem Narciso ser dois. Don Juan, Narciso. Como desejar alguma coisa é impossível, deve-se desejar o nada."
A tradução é de Paulo Neves, da edição da Martins Fontes, p. 103/104.
O anônimo é alguém que desdenha Simone Weil, cita e traduz da edição francesa. Quem desdenha, quer o quê? Eu mesmo não sei. Agradeço sinceramente a ele, no entanto, por ter chamado a atenção para passagens como essa, de puro cristal.
Vale lembrar que as críticas de Simone Weil ao socialismo (que parecem ter incomodado o cujo) estão em outro livro, que ao contrário de "A Gravidade e a Graça", nada tem de aforístico.
Bom mesmo é o Frei Beto, não?
Posted by
Ronai Rocha
at
11:11 PM
2
comments
17/04/06
"Os professores da UFSM, Sérgio Prieb e Diorge Konrad, ministram o Curso de Formação Política - Da sociedade à revolução socialista. O evento, que acontece no auditório do curso de História, Antigo Hospital Universitário, no dia 27 de abril, das 19h às 21h30min, discutirá a História da organização política dos trabalhadores, A luta de classes, Projeto socialista, O que é a Formação Econômico-Social?, O que são Classes Sociais?, e O processo de trabalho.
Mais informações podem ser obtidas no curso de História da UFSM.
Falando nessas coisas, a Cesma já recebeu o livro do Frei Beto, "A Mosca Azul", uns vinte e seis reais. Folheei e tive uma vontadezinha de comprar, para ver como ele se sai dessa.
Deixei a vontade passar, por enquanto.
Formação política no Departamento de História? Não entendi.
Posted by
Ronai Rocha
at
11:31 PM
2
comments

A estrada parece terminar no rio. Mas segue do outro lado. Devagar, a gente acha o passo, por entre as corredeiras. O lugar chama-se Passo da Ilha, fica perto de Tainhas, nos campos de cima da serra.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:41 PM
1 comments
Convite aos navegantes: está funcionando, no prédio novo, um grupo de leitura do livro de Ernst Tugendhat, "Egocentricidade e Mística". As reuniões são às quintas, das 19.00 às 21.00 horas, no terceiro andar. Não há pré-requisitos. Foram feitas até agora duas sessões apenas.
Está confirmada a vinda do Prof. Tugendhat, para o mês de maio. Ele vai dar um curso, a partir da segunda semana de maio, sobre temas fundamentais de ética. O pré-requisito é a leitura dos dois primeiros capítulos da "Fundamentação da Metafísica dos Costumes", de Kant. Ele fará também duas conferências abertas ao público.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:35 PM
0
comments

As tarefas de ensino dos professores das federais decorrem, em sua imensa maioria, dos projetos pedagógicos aprovados pelos Conselhos Superiores, quer na graduação, quer na pós-graduação. Esses projetos passam por discussões nos Colegiados de Cursos, onde, na maioria das vezes, o assunto é escrutinado publicamente com algum cuidado. Depois, em tese, sucedem-se avaliações dos currículos e é possível acompanhar o andamento das disciplinas pelo diário de classe, etc.
Na pesquisa, as coisas se passam de forma diferente. A forma canónica da pesquisa nas federais segue um princípio de livre iniciativa combinado com o controle dos pares. Cada docente pode livremente decidir pelo objeto de suas pesquisas e submeter seu projeto aos orgãos finaciadores. Estes, no anonimato, julgam o mérito do projeto e liberam as magras verbas. Estou falando aqui, obviamente, dos projetos que envolvem grana.
Existem variantes, no entanto.
Surgiu nos ultimos tempos um modelo que envolve dinheiro - grosso - e nada tem a ver com controle de pares. Sobra apenas a livre iniciativa. Esta iniciativa livre, em um dos casos mais importantes que estamos vivendo, procura, na Universidade, um docente, devidamente titulado e capaz, por óbvio, e oferece a ele grana grossa, para financiar as pesquisas que ele quiser. Falo de muito dinheiro. Ele decide o que quer comprar e o quer pesquisar - obviamente, uma pesquisa que tem a ver com os interesses do financiador. Assim, suprime-se essa coisa de controle dos pares. Fica apenas a livre iniciativa, que não é tão livre assim, como se vê.
Um exemplo disso está no ultimo número do jornal da UFSM, na matéria sobre as relações entre a Stora Enso e a UFSM. O que a empresa quer, além da grife da UFSM para legitimar seu investimento e amenizar as futuras ondas de críticas? Pesquisa? Nem a velhinha de Taubaté acredita nisso, já que as tais de pesquisas nunca são discutidas em alguma instância pública: não passam pelos colegiados departamentais, pelos conselhos, e muito menos por algum referee anônimo.
Na UFRGS ficou falada a proposta da Stora Enso de morrer com grana alta num departamento que pesquisa impacto no meio ambiente. O pessoal tremeu a perna ao ver o tamanho do cheque que seria preenchido. De uma unica folha do talão da Stora sairia mais dinheiro do que de todos os projetos das agências de fomentos nacionais e internacionais juntos. Até agora estão resistindo. Não sei até quando.
Deixei com um desses professores o exemplar do jornal da UFSM, que casualmente tinha levado no carro.
A foto no alto é de um episódio do confronto entre o campo nativo e os exércitos invasores nos campos de cima da serra, arredores de Cambará do Sul.
Ali, o capim caninha, dono dos campos, meio bêbado do sol do entardecer, contempla as fileiras organizadas dos pinus, e espera o fim.
Aqui, nos campos da metade sul, a guerra do eucalipto contra a guanxuma vai apenas começando. E pelo jeito, com a benção da ufesm.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:15 PM
0
comments
Desde o final das aulas, no longínquo ano de 2005, que não tiro férias. Particularmente hoje, dia 11, cansei um pouquinho, mais pela emoção do que pelo trabalho. Amanhã pego meu exemplar de "A Gravidade e a Graça" e vou tirar cinco dias de descanso. Vou pensar um pouco no destrato do qual ela foi alvo (nos comentários abaixo ), certamente que não por causa dela, mas por alguma coisa que eu disse sobre ela que incomodou um anônimo.
Hoje passamos um dia de trabalho com esse assunto da filosofia no vestibular. No final das contas, ficou assim: cinco questões por dia, nos três primeiros dias. E as questões - essa foi a corrida atada - devem se pautar por temas bem fundamentais, sem decoreba de história da filosofia e erudição estéril.
Entre tapas e feridas, sobrevivemos. De minha parte, gostei do pessoal do Departamento. Essa moçada trabalhou direito e ainda vai dar muito o que falar: Frank, Gallina, Jair, Noeli, todos estavam ótimos. E os professores que participaram do evento: exageraram um pouquinho nos elogios, a caminhada vai ser bem dura, podiam ser mais críticos; mas no final das contas, tá só começando, faz bem começar com entusiasmo.
Não tem vitoriosos nem derrotados nessa história, by the way. Tem quem queira pegar junto, quem não queira.
A caravana segue.
E daqui uns dias volto à Simone.
Posted by
Ronai Rocha
at
11:15 PM
2
comments
Procure, com um desses buscadores de música, "Hildegard von Bingen". Pode ser por meio de um grupo de artistas chamado "Sequentia". Existem muitos outros intérpretes. Hildegard foi uma religiosa medieval (1098-1179), cuja obra inclui não apenas textos, mas música. Da melhor que se pode ouvir. Evite as versões "new age", com instrumentos.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:33 AM
0
comments
Faz dias que estou por comentar que foi publicado no Brasil mais um título de Simone Weil. Trata-se de "Opressão e Liberdade". Saiu pela EDUSC (Editora da Universidade do Sagrado Coração), com capa de João Luiz Roth. A data de publicação é de 2001. Quem me chamou a atenção para o livro, à venda na editora da UFSM, foi o Róbson Reis.
Para quem foi iniciado na crítica ao marximo por Cornelius Castoriadis, nos anos setenta, o livro é uma fascinante surpresa. Ali a gente descobre que o careca Castoriadis tinha predecessores importantes. O essencial da crítica ao estalinismo, à burocracia, etc, etc, foi feito por Simone Weil desde os anos trinta. Um dos textos mais importantes do livro, "Reflexões sobre as causas da liberdade e da opressão social" é uma antecipação dos principais argumentos de Castoriadis, que surgirão vinte anos depois. Se esssa gurizada que fala hoje em socialismo lesse esses livros não diriam tanta bobagem, eu acho. Mas para isso seria preciso ler essa moça e o grego careca. Uma vez (uma das ultimas vezes) eu tentei convencer um desses rapazotes que "socialismo" era apenas uma expressão que indicava uma certa disposicão de luta por justiça social, e que como rótulo não fazia a menor diferença. Era como se, para dizer "sim" a gente deixasse de usar a palavra e apenas girasse o polegar para cima. Ou seja, "sim" não tem propriamente conteúdo, apenas marca uma tomada de posição. Assim, "socialista" seria como que uma tomada de posição desprovida de conteudo particular, uma espécie de marcador semântico. Ou seja, nada de compromisso com coisas muito especificas, salvações da humanidade em particular. O Marcos Rolim, lembro bem, achou interessante a idéia. Os outros me olharam tipo marciano.
Ah, se eu tivesse lido Simone Weil antes! Mas será que eu estaria receptivo? Essas leituras de Simone Weil estão valendo para algumas pessoas conhecidas nossas o rótulo de "místicos ateus".
Mas vou deixar esse assunto para mais adiante. É uma história que vale a pena contar em mais detalhes.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:34 PM
4
comments
E mestre Guina me manda, pelo velho e mal-falado Correio, uma entrevista com a filósofa Maria Sylvia de Carvalho Franco, esposa de Roberto Romano, outro filósofo, no qual ela se junta àqueles que entre Lula e Alkmin ficam p. cara, que escolha!!! A entrevista é muito boa, e só não transcrevo umas belas passagens sobre a consternação de Dona Maria porque deixei o xerox no Campus. Obrigado, Guina!
Posted by
Ronai Rocha
at
9:29 PM
1 comments
Outro amigo e leitor do blog, Ney Gomes, me faz chegar às mãos dois belos textos em português de Martha Nussbaum. Um deles interessa sobretudo a professores da área de humanidades e direito, e tem como título "Cultivando a humanidade na educação jurídica". A traducão foi feita por Luiz Reimer Rodrigues Rieffel, mestrando em Teoria Geral do Direito na UFRGS, e a cópia que o Prof. Ney me alcançou indica que o trabalho foi feito pelo amor à arte.
O outro texto em português de Martha Nussbaum chama-se "A República de Platão: a boa sociedade e a deformação do desejo". O texto foi publicado por uma editora chamada "Bestiário", de Porto Alegre, "www.bestiario.com.br".
Obrigado, Ney.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:19 PM
5
comments
Ainda bem que escrevi "parece", no post anterior. O assunto está em debate. É possivel que surja uma proposta nova, mais ao encontro da idéia de uma integração maior da Filosofia com as demais disciplinas. Mas vamos deixar as novidades para a atividade de terça-feira, no Itaimbé. A programação do evento está disponivel na página da Coperves. Se você é professor ou aluno de Filosofia não deixa de ir, pois a gente vai se esforçar na parte que nos toca no latifundio. Um sagaz amigo deste blog me fez notar algo que eu não havia me dado conta. Se você digitar um ponto com depois de coperves, vai acessar a página da mesma, através de um dispositivo de redirecionamento. Eu mesmo não havia percebido isso.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:13 PM
1 comments
Serão ao redor de quinze perguntas de Filosofia, feitas no último dia do vestibular, junto com a prova de Redação. Essa parece ser a decisão da Coperves, a ser oficializada em breve. Para o próximo Janeiro.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:39 PM
4
comments
O Prof. Paulo, ex da Ufesm, convoca as lideranças bocamontanas no Jornal "A Razão" de hoje para uma mobilização "para a defesa da manutenção da coordenação atual das atividades locais e da qualificação" e etecetera e tal, do Inpério, isto é, as atividades satelitais que ocupam aquela formosura de prédio que fica na direita de quem entra no campus. Expliquemos assim, no curto e grosso vernáculo: desde que o primeiro rabisco no papel foi feito o coordenador do Inpério é o mesmo. Registre-se que o dito cujo parece ser um gênio no assunto e nem a menor das minhas vírgulas questiona a competência do atual coordenador do Inpério. O porém é o seguinte: na democracia dos outros, vai tudo; na nossa, é diferente. O Prof. Paulo Jorge diz que a intenção da direção do INPE de substituir o coordenador da direção da subnidade local é uma regressão, é calar a voz da grande liderança das antenas, mesquinharia, etc. Eu, que nunca botei meus pés na tal da subunidade, mas que já tive que engulir as perguntas sobre afinal o que faz tanto vidro preto e tão pouco movimento (sem falar no panfleto recentemente publicado por uma casa editorial local, onde o que se lê são as loas de praxe a preço da praça) tenho uma perguntinha que é a de muitos: afinal, que instituição republicana é essa que tem o mesmo diretor faz uns bons - por baixo - dez anos?
Antes que me recriminem por falta de memória, eu me corrijo. Faz mais tempo, eu sei. Mas vamos dar um desconto. Dez anos de mandato equivalem a dois reitorados e meio. Que tal a gente ter um mandato dessa idade sem frescuras de eleição, nem direta, nem indireta? Já teve um caso importante na boca, eu sei, mas os tempos supostamente seriam outros.
Eta Prof. Paulo! Com todo respeito, uma no cravo e outra no bom senso da gente!
E o que dizer da coisa mesma, antenas e quetais? Com esses panfletos coloridos que começaram a circular por aí, quem somos nós para contestar, não é mesmo?
Posted by
Ronai Rocha
at
9:44 PM
4
comments

O Prof. Koff assume a direção do CCSH na sexta-feira, dia 24 de março, às 10.30 horas. É o primeiro Diretor do CCSH que vem do Campus. A Professora Darcila não conta nessa lista, pois era do Campus mas já tinha se mudado para o Centro quando assumiu a Direção.
O campo, como se sabe, assusta algumas pessoas. Meio aberto demais, aquela coisa de alma que se sente confrangida diante dos horizontes. Armindo Trevisan, numa conversa pessoal, no dia em que fez sessenta anos, numa festa perto da praia, disse que gente como a gente, nascida nos entreveros de coxilhas e bocas do monte, costuma ficar com o peito meio assustado diante dos vazios da geografia da praia, aquelas lonjuras no olhar. A pobre alma do vivente se esvai diante das planura. Assim.
O CCSH, com um pouco de sorte, vai crescer no campo.
São meus votos.
Boa Sorte, Professor Koff.
A foto é de hoje de tarde, da minha janela, no terceiro andar do prédio 74.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:34 PM
1 comments

Se nada há de Martha Nussbaum nas prateleiras, o mesmo não se pode dizer agora de Arthur Danto. Ele é um dos maiores filósofos, ponto. Escreveu um belo conjunto de livros sobre temas fundamentais da filosofia – ação, conhecimento, história, ética, mente e corpo; escreveu também um excelente livro de introdução à filosofia, Conexões com o Mundo, do qual traduzi alguns capítulos para uso em aulas. Seus últimos livros são todos na área de filosofia da arte, no entanto. Saiu agora, pela Cosacnaify, “A transfiguração do lugar comum”, traduzido por Vera Pereira. Não conferi se a Cesma já recebeu. Pode ser comprado na condição de um clássico contemporâneo, indispensável para a gente ter o panorama das discussões sobre o sentido da arte, em especial a partir das “instalações”. Em Santa Maria, um leitor fiel, quase um viciado, é o Prof. Casanova, do CAL.
Posted by
Ronai Rocha
at
6:06 PM
0
comments
Muita gente pergunta sobre a presença de Filosofia no Peies e no Vestibular da UFSM. Vamos recapitular. Nos dias 22 e 23 de outubro de 2003 houve uma reunião da comissão de programas do Peies, da qual participou um representante do Departamento de Filosofia da UFSM e professores que representavam as diversas regiões do Peies. Esse grupo de professores elaborou um conjunto de quinze itens, como sugestão de um programa para Filosofia. Essa sugestão foi revisada por um grupo interno da Coperves, que manteve o espírito da coisa; no dia 27 de fevereiro de 2004 foi homologado, pela Coperves, o novo curriculo básico do Peies, que incluiu esses tópicos para a terceira série. Assim, em 2004 começou a contagem, que chega agora ao terceiro ano. Conclusão: em 2006, nas provas finais do Peies, está prevista a presença de uma avaliação em Filosofia. E em 2007, no Vestibular, idem. É isso, não?
Tanto quanto eu sei, os cursinhos já estão em plena temporada de contratação de professores, e em plena elaboração de apostilas.
Quem entrar no sítio da Coperves vai ver até uma enquete sobre se é bom ou ruim a tal de filosofia no Peies. Até hoje tem uns 1300 votos, e o ruim está ganhando de relho. Esse mundo não é fácil!
Posted by
Ronai Rocha
at
5:52 PM
0
comments

Uma aluna escreveu pedindo uma dica de leitura sobre as relações entre filosofia e literatura. Eu mesmo, como diria o Mestre, leria o livro da Sra. Martha Nussbaum, Justiça Poética (Poetic Justice, 1996). Ocorre que o bom do livro somente está disponivel em inglês e em uma quase inacessível tradução para o espanhol. Vale tentar. Em espanhol: Justicia Poetica. La Imaginacion Literaria y la Vida Publica. Barcelona, Ed. Andres Belo, 1997. Há um outro estudo dela sobre o tema publicado em Estudios de Filosofia 11, Medellin, de fevereiro de 1995.
Martha Nussbaum é um desses vazios inexplicáveis nas editoras brasileiras.
Posted by
Ronai Rocha
at
5:50 PM
0
comments

A discussão sobre a santeria me deixou meio pensativo. Uma das postagens falou na questão do fetiche das bugigangas de consumo, e aquilo me cutucou. Continuo mantendo meu ponto de vista, mas acho que ele pode ser mais bem caracterizado; fiquei a semana toda tentando achar um gancho para voltar àquele ponto em especial. I'll be back, com uma boa dose do velho Jack. Abro o saloom em breve. Obrigado pela provocação, e um abraço.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:52 PM
0
comments
Deu hoje no Diário de Santa Maria: "Justiça proíbe novos cursos pagos na UFSM." Mas Ufesm vai recorrer, diz a matéria. Uma autoridade da mesma diz que esses cursos não visam lucro e que até ajudam a manter os cursos de pós-graduação não-pagos. O negócio funciona assim: diz-me onde tem desses cursos pagos que a gente fica sabendo onde o espírito de Humboldt foi expurgado.
Por falar em noticias, o Morana deu a notícia na semana passada. O Diário, hoje. Mas até agora a página da Ufesm não tá nem aí.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:42 AM
3
comments
Quando eu crescer quero fotografar como meu sobrinho Gabriel. Vejam no Vertigo (link ao lado) o que saiu do Inferno na maquininha dele, uma coisinha de nada. O que ele não contou é que o assado da fotogênica ovelha foi um clássico do gênero.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:41 PM
1 comments

Outros membros da equipe: Pedro e Laura filmando Alcíbio. Nem ele, que parece ter parentesco com cabrito, dispensa o bastão para andar nas pedras. Assim fica o aviso para os convidados; podem ir providenciando um bom bastão para as caminhadas. Em tempo: vendo um Focus Ghia, 2001, bom de tudo, malvadão. Nunca fez trilha!
Posted by
Ronai Rocha
at
10:28 PM
0
comments

Os cactos do Rincão são um espetáculo à parte. Aqui, a flor de um deles, visitada pelas lichiguanas.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:21 PM
0
comments

Clarice comenta sobre as rochas conglomeradas do Rincão. Benvinda, Clarice. Não entendo do assunto, mas lembrei do livro do Padre Balduíno Rambo, S.J., "A Fisionomia do Rio Grande do Sul", que tenho numa edição da Livraria Selbach, de 1956. A região ali é a da Serra do Sudeste, e ele diz: "A natureza geológica da Serra do Sudeste é sintetizada numa unica palavra: GRANITO." E ali o viajado padre se estende por páginas e páginas sobre o granito, suas formas de solidificação, sobre as idades geológicas. Ele escreve na página 95: "No vale do Camaquão (sic), ao sul de Caçapava, as condições geológicas forneceram o material de construção para a paisagem mais grandiosa no interior do Sudeste." O padre da geografia gaúcha não economiza na descrição. Na foto dessa postagem, fica parecendo que uma das paredes como que se derramou, líquida, sobre o paredão de pedra.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:04 PM
0
comments

A Pedra Amarela é um dos pontos de referência no Rincão do Inferno. Ela fica na margem leste do Rio Camaquâ, bem na beira do rio, e tem esse formato regular, lembrando uma taça de pedra. Ela marca um dos locais mais usados para acampamentos e banhos no rio. O nome vem do fato que ela tem as paredes de baixo amarelada, pois ali algumas partes caíram (100, 200 anos?) e contrastam com a parte alta, que é cinza, algo esbranquiçado. Como quase todas as grandes rochas do Rincão, é possível ir até lá na parte superior, onde se vê a arvorezinha. Descer, segundo o seu Alcídio, é que são elas.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:30 PM
0
comments

Nesse trecho do Rincão do Inferno, o leito do Rio Camaquã é interrompido por enormes pedras que dificultam a passagem de canoas ou mesmo as caminhadas. Em alguns locais se formam pequenas praias. A água é extremamente limpa, pois ali quase não existem lavouras. Com um bom guia, como o Alcíbio, é possível caminhar por muitas horas por trilhas de todos os níveis de dificuldades, com pequenas escaladas. Acho que uns três dias não bastariam para explorar os principais caminhos. Faço aqui um compromisso público com alguns leitores do blogue que gostam de caminhadas, em especial Valter e Mestre Guina: levo vocês lá, é óbvio!
Posted by
Ronai Rocha
at
9:19 PM
5
comments

Alcíbio mora num rancho de barro sobre uma gigantesca rocha do Rincão do Inferno. Ele, a mãe, a sogra e o irmão moram sobre quarenta hectares de pedra, por generosidade de uma patronagem centenária. Eles não tem a escritura das pedras. No antigamente haviam duas lavourinhas, milho, mandioca, coisas assim, do tamanho de terreninhos urbanos, localizadas em intervalos entre as pedras e repartidas com as pacas e capivaras. Os cincoenta e tantos anos de pedra e sol hoje lhe pedem atividades mais amenas, como pequenas changas para os vizinhos, criação de abelhas, algumas cabras ariscas e duas dúzias de ovelhas. Sobre o nome do local ele diz que só o nome é feio: "Isso aqui é um paraíso." A luz é uma promessa, a água brota num fio de pedra, numa cacimba a cincoenta metros do rancho de barro. Ele caminha seis quilômetros para pegar um ônibus no Cerro do Malcriado, quando tem que carregar a bateria do celular, que fica ligado duas horas por dia.
Na foto, o rancho de barro, com Nenê sesteando. Repare na vista que ele tem do Rincão. Este é um dos tantos ranchos de barro ainda ativos na região. Eu visitei outros dois, no Passo do Salso, nas proximidades das Minas de Camaquâ: o do seu João e o do seu Pedroso. Ambos tem mais de sessenta anos, moram em lugares com vistas maravilhosas. Os três são negros.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:22 PM
0
comments

Nessa outra foto Gabriel filma o lado oeste, como se estivesse procurando as bandas de Santana do Livramento.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:45 PM
0
comments

Gabriel filma o nascer do sol na segunda-feira de Carnaval. Ele está no lado sul do Rincão, no ponto mais alto das rochas. Em alguns dos dias do carnaval o nascer do sol se fazia em meio à intensa cerração.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:36 PM
1 comments

O Rincão do Inferno é uma formação rochosa localizada entre os municípios de Bagé e Lavras do Sul. No Google Earth, informe as coordenadas 30º 51' 56.84 S e 53º 42' 36.29 W, e verá a formação. O local é uma das divisas entre os dois municípios. A área total da formação deve ocupar uns oitenta hectares, imagino eu. No verão, o rio é muito calmo e baixo, e suas águas são muito limpas. Na época de chuvas, o nível do rio sobe muito, pois a caixa do mesmo é bastante estreita na maioria dos pontos. Há um local no Rincão do Inferno no qual se pode ter um pé em cada município e o Camaquâ passando embaixo. A pessoa na foto é o Sr. Alcíbio, morador do lado norte. Os cachorros são o Estrangeiro e o Nenê.
Posted by
Ronai Rocha
at
6:59 PM
5
comments
Devo, não nego, pago quando puder: a) retomar a conversa sobre a santeria: b) falar sobre o Rincão do Inferno e seus habitantes, etc. Por ora quero agradecer as visitas do carnaval, os comentários, a visita de Ana, e dar divulgação para um ofício que li hoje, na Ufsm, assinado pelo pró de pós-graduação, no qual ele comunica que a dita nossa Universidade perdeu a ação civil movida pelo Ministério Publico Federal contra a UFSM, sobre os cursos de especialização. Como até agora a página da universidade não noticiou o assunto, transcrevo:
"foi dada decisão em desfavor da UFSM (...). A imediata proibição da abertura de novos cursos eventuais (pagos), inclusive aqueles que estão com edital aberto ou em vias de abrir. Permitindo (sic) apenas a continuidade daqueles cursos que já estão com alunos em aula. Destacam ainda que foi fixada uma multa diária por descumprimento da decisão, no valor de RS10.000,00 (dez mil reais)."
O processo, na raiz, teve a voz dos estudantes. Os mesmos que hoje questionam a Afundação e seus desvairios pedagógicos.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:56 PM
0
comments
Vou ficar uns sete dias longe da internete, num lugar chamado Rincão do Inferno, nas bandas de Lavras do Sul. Prometo contar algo sobre isso na volta.
Eu quero agradecer a série de postagens feitas hoje, sobre a santeria, e não me importa que o autor tenha ficado anônimo. Ele foi franco e direto, e é evidente a seriedade da reflexão ali presente. Acho que estamos pensando junto, por alguns momentos, e isso é o que importa, no final das contas.
Obrigado, até breve.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:26 PM
5
comments
Se o calçadão da Bozzano tivesse pedras, até elas teriam ouvido falar coisas escabrosas sobre um certo projeto da Afundação. O mal afamado projeto foi administrado de forma a provocar grandes buracos na falta de previsão orçamentária da mesma. Na quarta-feira passada, o Conselho Superior da Afundação reuniu-se para aprovar as contas de 2005. Tudo estava nos conformes, aparentemente, mas em nome do decoro as contas do tal projeto ficaram para outro dia, pois para ele foi contratada uma auditoria.
Eia sus, oh sus! Fica a curiosidade: como foi possível que tais despautérios passassem no meio dos fios das barbas dos mais experientes profetas? A gente fica na torcida para ver a qual será a aprendizagem institucional resultante do episódio.
Acho que vou fazer vestibular para Contabilidade e tentar uma vaga na bancada estudantil no Consu, para ajudar a pedir vistas nestas contas e auditorias.
Posted by
Ronai Rocha
at
2:54 PM
2
comments
A respeito de um comentário aqui no blog sobre as eleições no CCSH: o que me chateou foi um problema semântico: "tapetão" (a expressão foi usada por um e-jornal local) é uma expressão consagrada para designar os tribunais que decidem sobre problemas não resolvidos no campo de futebol. Isso possibilita outros usos. O ex-reitor Benetti, por exemplo, costumava se referir ao fato que ganhou as primeiras diretas feitas na UFSM e que "perdeu no tapetão", referindo-se ao fato bem conhecido que os Conselhos não deram pelotas para as eleições.
Eu repito o que escrevi antes: as alternativas do CCSH eram fazer a consulta ampla com meia dúzia de alunos e professores, e com isso nada teria de ampla, ou deixar para junho, dando uma esticadinha de quatro meses no prazo previsto do estatuto.
O Conselho do Centro escolheu fazer a escolha no próprio Conselho e acho despropositado falar em "tapetão". Falando nisso, a matéria, no e-jornal, que usou esta expressão não estava assinada e minha chateação não visou ninguém em particular. Eu, se fosse eles, chamaria o CCSH de "legalista" ou coisa que o valha. Mas "tapetão"?
O CT, que estava na mesma canoa, mandou uma consulta ao Reitor para saber se podia descumprir os prazos. A resposta, dada na semana passada, foi - adivinhem só - que não podia. O prazo termina no dia 26 de fevereiro. E?
Vou pensar. Quem sabe não seria essa uma nova e revolucionária maneira de administrar? Do Estatuto, a gente só cumpre o que nos convém.
Desse jeito, daqui a quatro anos sou candidato a Diretor de Centro. De preferência, no campo, prá poder conversar bastante sobre a história da nossa Ufesm.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:36 PM
0
comments
Dei uma olhada no organograma e no estatuto da Fundação. Tem apenas um Conselho Superior, e a ele cabe a tarefa de examinar e aprovar as contas.
Entendi a preocupação do tal conselheiro. Onde achar o tempo necessário para mergulhar na papelada? E não basta ter tempo. Essas tarefas, nos dias de hoje, não são para diletantes. "O tempora, o mores", diria o catilinista!
Posted by
Ronai Rocha
at
8:29 PM
0
comments
Na única reunião do Conselho Universitário que fui neste nano mandato, vi coisas interessantes. Os estudantes haviam pedido vistas de um processo sobre a Fundação de Apoio, que continha o relatório de atividades do ano base de 2004. Pediram que fosse feita uma auditoria pública nas contas. Deu para ver que tem muita coisa para ser conversada sobre como anda funcionando a Fundação. O presidente da sessão chegou a dizer, na fala inicial, que "concorda com os fatos levantados pela bancada estudantil". Os "fatos", por certo, não são muito claros, mas no caso tinham a ver com as atividades vinculadas ao Detran, que funciona dentro da Universidade. Problemas de natureza conceitual, pelo que me pareceu; os estudantes queriam ter mais clareza sobre as relações didático-pedagógicas do Detran com a Universidade.
Outro conselheiro, que é Diretor de um importante centro, reconheceu que o "assunto é polêmico" (não especificou qual), e que "não compartilho com muitas coisas que ali existem". Um outro Diretor disse que existem problemas pontuais, que talvez fosse o caso de "auditoria num determinado projeto". Puxa e afrouxa, as contas de 2004 foram homologadas. 2004, veja bem.
Dias depois, conversando com outro membro da fundação, me assustei um pouco mais. Ele me deu a entender que existe um Conselho Diretor, que se relaciona com uma Secretaria Executiva. Nem sombra haveria de um Conselho Fiscal.
Se é assim, eu fiquei me perguntando, "que tal?".
O conselheiro me falou também sobre polêmicas sobre como interpretar regras de leasing. Como se sabe, o leasing gera uma posse temporária, digamos assim, de um bem, por um período xis (um aluguel, de certa forma), findo o qual o contratante pode optar por pagar o valor residual e ficar com o bem ou devolver o dito. A polêmica seria sobre os direitos gerados pelo pagamento do valor residual, se esse pagamento fosse feito depois de cessado um projeto qualquer. O conselheiro parecia preocupado, e eu lamentei entender pouco de santeria e zero de leasing.
Bom, gestão nova, vassoura nova. A esperar.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:00 PM
0
comments
Segundo o Everyday Indonesian (Thomas Oey, Periplus Editions, 1992), contrariamente aos hábitos ocidentais, é muito comum para os indonésios perguntar ao visitante sobre sua religião. Para a maioria dos indonésios a religião não é tanto uma questão de crenças pessoais e sim uma parte da ética da pessoa ou de sua identidade cultural. Se o visitante disser que não tem religião ou que é ateu, a maioria das pessoas não compreende o que se está querendo dizer; não ter uma religião é parecido como não ter nome ou nacionalidade. As religiões mais professadas são o Budismo, o Hinduísmo, o Islamismo, o Catolicismo e o Protestantismo.
Tana Toraja, se lembro bem das histórias contadas por minha filha que andou por lá uns anos atrás, é famosa, entre outras coisas pelas cerimônias funebres que duram muitos dias; o morto fica exposto em construções especiais para a festa, e enquanto é velado muitos búfalos são sacrificados. Quanto mais bichos, melhor. Fortunas são gastas nestas ocasiões.
Alguém (não sei se bapak ou ibu - homem ou mulher, em indonésio) me pergunta como proceder com os talismãs no tal do reitorado republicano. A tal da caneta fica no bolso de cada um, deixa assim. O que me impressiona são coisas como o crucifixo que está pendurado na sala do Conselho Universitário, a imagem da Medianeira na antesala do Gabinete do Reitor. Eu apearia os dois, pois são espaços públicos ocupados por gente que tem efegê e cedê patrocinadas pela viúva.
A viúva tem nome e não tem religião.
Gostei muito do comentário, tanto que fui atrás do manual de indonésio que nunca pensei em usar.
Em tempo: Apa kabar quer dizer "como vais?"
Posted by
Ronai Rocha
at
5:30 PM
0
comments
Faz alguns anos entrei num gabinete de uma assessora de um assessor, etc, no terceiro andar da Reitoria, para tratar de um assunto graduado qualquer. A senhora me recebeu muito bem, com todas as alegrias do cargo nem tão pesado assim. Minha atenção na conversa, no entanto, logo foi desviada por uma interminável coleção de imagens religiosas que cercava a mesa peninsular da senhora: santos e santas, anjos e anjinhos, gnomos, fadas, enfim, qualquer fauna capaz de benção morava ao redor das mesas, disputando espaço com carimbos, bandejas de a responder e recebida, potes de canetas e de clipes. Ela parecia incapaz de imaginar que alguém pudesse sentir-se incomodado com tanto despacho na mesa. Na hora, me lembrei que no meu centro de ensino, na sala principal de reuniões, havia um crucifixo pendurado na parede, dominando todo o espaço, abençoando, em primeiro lugar, o presidente das sessões. Lembrei também que um colega de Departamento me acompanhou na queixa (bem humorada!) contra aquela intromissão da fé privada no espaço público. Chegamos a ponderar junto ao pendurador que ele não deveria fazer aquilo, colocar sua fé pessoal no espaço republicano da sala de reuniões. O dirigente, com humor aquoso, respondeu que ele era o diretor, e que o crucifixo era dele, colocava onde queria. O dirigente se foi, faz algum tempo, e o crucifixo foi ficando. Desde ontem, ao final da tarde, ele está à disposição do ex-dirigente.
Não pude fazer quase nada nesse meu nano mandato. Baixei o crucifixo da parede, por exemplo. É muito pouco. Eu gostaria de ser reitor, um dia, para baixar uma diretriz administrativa - talvez várias - que limpasse também essas mesas de santerias.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:38 PM
10
comments

Boas novas sobre Chesterton, obrigado ao Mestre Guina e ao Luis Valério. Temos então três possibilidades em língua nativa:
1) Chesterton, Ortodoxia, Editora: LTR Editora, ISBN: 8536101555, Ano: 2001.
2) Na tradução de Eduardo Pinheiro, Porto, Livraria Tavares Martins, 1974 (5.ª edição).
3) Luis Valério informa sobre um exemplar disponivel na Fapas, da mesma tradução de Tavares Martins, edição de 1958.
Gratíssimo.
Meu interesse súbito pelo Chesterton vem de duas fontes. Uma delas tem a ver com minha leitura do livro de Ernst Tugendhat, "Egocentricidad y Mistica" (ainda existem dois exemplares disponíveis na Cesma). O livro de Tugendhat é a melhor coisa que li nos últimos anos. Trata-se de uma ampliação muito bem feita do pequeno artigo que ele apresentou em Santa Maria, poucos anos atrás, ali no auditório do CCSH, sob o título de "As raízes antropológicas da religião e da mística". A palestra foi depois publicada no pequeno volume "Não somos de arame rígido", organizado pelo Valério Rohden e publicado pela Ulbra, em 2002. A Editora da UFSM costuma ter esse livro à venda. Vale cada centavo. Pois bem, depois desse artigo o velho Tuga entrou para valer no tema (raízes antropológicas da mística e da religião) e escreveu esse volume, publicado recentemente e já traduzido para o espanhol pela Gedisa. O livro é simplesmente imperdível. Não conheço nenhum texto que seja páreo para ele na qualidade do tratamento do tema, se a regra do jogo é a de falar da religião de um ponto de vista exclusivamente filosófico. É o tipo da leitura que nos estimula a querer ler mais. Daí entram esses autores que disseram coisas importantes sobre o tema, partindo de suas crenças: Chesterton, Simone Weil, C. S. Lewis seriam casos exemplares: gente que defendia credos particulares, mas com genialidade e graça. Tem mais sobre Chesterton, espero, amanhã.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:50 PM
0
comments
Alguém sabe de alguma edição em português da "Ortodoxia", de Chesterton? Cartas para a redação.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:06 PM
3
comments
E como perguntou um blogueiro: mas se não tem imagem de Maomé, como sabem que é com ele?
Posted by
Ronai Rocha
at
9:05 PM
0
comments
Visitei o sítio do Mec e li um documento sobre o programa de expansão das Universidades Federais. Foram criadas recentemente quatro universidades federais: do ABC, do Pampa, da Grande Dourados e do Reconcavo da Bahia. Se eu somei direito, serão necessários nos próximos anos ao redor de 1.900 professores (para mais) e mais de 1.500 funcionários. As vagas docentes, segundo o governo, estão sendo tomadas emprestadas daquelas que ele deve às universidades já existentes (ao redor de 4.000, ocupadas por substitutos). As de funcionários, todos sabemos como vai o caso: à beira do caos em várias situações. Lembrando que a idéia de não dar aumento vem passando de governo a governo, há uma década, como fica essa história de "expandir"? Expandir o quê mesmo? Quem vai bancar e como essa expansão? E depois dessas quatro, novas em folha, tem mais seis universidades novas, a partir de unidades menores já em funcionamento. E é impressão minha ou quase não se fala nesses assuntos delicados?
Posted by
Ronai Rocha
at
8:55 PM
1 comments
Para quem não sabe, presidi duas reuniões do Conselho do CCSH, na qualidade de Diretor Pro-Tempore, a convite do próprio Conselho. Na primeira reunião ficou decidido que haveria eleição do Diretor no próprio Conselho; na segunda, foi feita uma votacão secreta e uninominal, da qual saiu como eleito, com todos os votos dos presentes, o Prof. Rogério Koff.
Entre as razões pelas quais o Conselho decidiu pela escolha da lista tríplice no interior do próprio Conselho destacam-se duas que eu mesmo defendi junto aos conselheiros.
a) pelo Estatuto da UFSM o prazo para elaborar a lista tríplice termina no dia 26 de fevereiro;
b) no mês de fevereiro temos apenas um punhado de estudantes do CCSH em aulas; na melhor das hipóteses, trinta por cento; os demais não tiveram greve e somente voltarão em maio. A opção pela consulta à comunidade implicaria de duas, uma: consulta dentro do prazo, com esses trinta por cento; consulta fora do prazo, por volta do final de junho, com todos; a segunda opção implicaria descumprir o Estatuto da UFSM e deixaria o CCSH por seis meses com um Diretor pró-tempore. Diante desse quadro o Conselho optou pela eleição no interior do Conselho. Foi dado um prazo de oito dias para as inscrições, amplamente divulgado no Centro. Somente o Prof. Rogério se apresentou. Foi eleito por unanimidade. Isso inclui o voto dos estudantes presentes.
Algum desocupado (porém, de plantão!) chamou o que eu expus acima de "desculpas esfarrapadas". Disse ainda que essa escolha pelo Conselho atenta contra a democracia, bla-bla-blá e etc. De duas, três. Ou o desocupado queria que a eleição fosse feita em fevereiro, para que os estudantes do Curso de Economia e Arquivologia, etc, elegessem algum bigodudo, ou o desocupado queria que o Centro ficasse amornando o lugar até a metade do ano. A terceira é a seguinte: como diria o Marquês de Sade, "ainda um esforço se queres ser republicano..." Eu, hein?
Eu não vou falar sobre a concepção e a prática da democracia na UFSM, porque eu mesmo não sou desocupado, tenho mais o que fazer, e as pessoas deviam olhar melhor para o próprio rosto.
Vão se catar!
Posted by
Ronai Rocha
at
9:49 AM
1 comments
Na manhã de ontem o Conselho do CCSH escolheu o Prof. Rogério Koff como o próximo Diretor de Centro. Com isso meu brevíssimo mandato vai chegando ao fim e vai sobrar mais tempo para atualizar o Morana. A casa nova vai sendo ajeitada aos poucos, tem muito trabalho pela frente. Mas a cada dia vai ficando mais bonita. O Mestre Guina lembra com razão uma nota melancólica em meio a essas novidades. Não era pouca a alegria de poder encontrar, em algum desvão de uma tarde e de surpresa algum colega de prédio ou outros moradores e visitantes ocasionais, como o Valter, o Bressan e tantos outros. É, isso vai fazer falta.
Posted by
Ronai Rocha
at
7:40 PM
0
comments
A mudança do Curso de Filosofia foi feita no sábado pela manhã, pela prefeitura da UFSM. Dois caminhões e o grupo de funcionários do setor de manutenção da universidade começaram cedo, por volta das oito horas. E o trabalho foi sem parar até o meio dia. Mas teria demorado muito mais se não fosse a ajuda, de igual para igual, de um grupo de estudantes: Cláudio, Juliana, Diogo, João, Geraldo, Anderson, Adriano, José, lembrei desses, mas tinha mais gente. E mais os professores Frank, Noeli, Christiam, Abel, Róbson, Ricardo. O vice-diretor do Centro, Prof. Rogério Koff também foi dar sua mãozinha. Mas a batuta esteve na mão do maestro Adrian Souza, chefe da secretaria da Filosofia. Edinho, da Manutenção da Universidade, além da empreitada toda, gerenciou o churrasco no intervalo dos trabalhos.
Posted by
Ronai Rocha
at
4:20 PM
0
comments
A partir de segunda-feira, dia 30 de Janeiro, o Departamento de Filosofia da UFSM e seus Cursos estão em casa nova. Ontem, sábado, foi feita a mudança de móveis, utensílios, velharias, etc., para a nova casa, que fica de frente para a praça central da Universidade, logo após o Planetário e antes do Colégio Agrícola. O prédio, de número 74, tem três andares, com orientação solar diferente dos demais prédios da UFSM. As dependências da Filosofia ficam no terceiro andar e o mínimo que se pode dizer, com honestidade, é que são muito boas. O Prof. Oswaldo Chateaubriand, ao visitar o local uns meses atrás ficou muito admirado, e disse que talvez seja o Departamento de Filosofia mais bem provido de espaço físico que ele conhece no Brasil. Ainda vamos levar alguns dias para desempacotar tudo e arrumar nas estantes, mas em breve já estaremos em condições de receber os visitantes.
Posted by
Ronai Rocha
at
4:10 PM
1 comments
Por força de algumas circunstâncias estou acompanhando mais de perto o cotidiano do meu centro. Trata-se de um centro grande, como se sabem, com muitos alunos e professores, três mestrados. Isso mostra uma certa característica: um dos maiores centros de ensino da UFSM ainda não tem um curso de Doutorado.
Confesso que me sinto muito desinformado sobre muitas coisas da UFSM. Hoje alguém me disse que existe nela um sistema de bolsas que são pagas a professores que executam projetos através de uma fundação que funciona no Campus. Essas bolsas podem chegar a um valor de mais de três mil reais, e são pagas pelos executores dos projetos aos professores que participam dos mesmos, com cursos, palestras, consultorias. Parece não ser mais um trabalho eventual, pois essas bolsas são pagas a intervalos mensais. Eu não fazia a menor idéia disso. Sempre pensei que esses convênios tinham uma medida de crescimento dada pela necessidade de extensão como complemento formativo da graduação. Pelo que vi, se ouvi bem e se fui bem informado, trata-se de uma espécie de elefantíase extensionista, uma extensão desmedida, que cresce ao sabor das verbas cada vez mais gordas e cada vez mais disponíveis, pois os poderes públicos estaduais e federais abrem as torneiras para essas parcerias. De extensionismo a coisa teria virado um consultorismo.
Bem, pode ser que eu tenha que dar algum desconto. Todavia, no creo. Que las hay, las hay!
Posted by
Ronai Rocha
at
9:19 PM
1 comments
A casa nova vai abrigar o Curso de História, Ciências Sociais, Arquivologia e Filosofia, este no terceiro andar. É o primeiro passo para a reunião dos cursos e departamentos do Centro, hoje dispersos em cinco prédios diferentes, dois no centro e três no campus.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:17 PM
0
comments
Faltam poucos dias, ao que parece, para o Curso de Filosofia deixar o prédio 13, do CCNE e rumar para a nova casa, o prédio 74. Na quarta-feira a empresa construtora termina os ultimos ajustes na parte elétrica e dá tudo por pronto. Fomos informados hoje que os equipamentos de informática serão instalados apenas nas ultimas horas, pois dali para a frente a segurança dos mesmos corre por conta da UFSM.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:11 PM
0
comments
Uma informação para novos visitantes que desejam ler o trabalho de Iris Murdoch, "Sobre Deus e Bom". A tradução está disponivel no "link" que fica no canto direito desta página, "Quadro de Avisos". Uma vez no Quadro de Avisos, entre na página de "Arquivos". O texto está em pdf.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:52 AM
0
comments


Hoje tem Valter Noal Filho na 93.5, às 16.00 h. Lembrando dele, vão aqui duas fotos recentes da Cascata de Tres Barras. Acho que esses aí da foto concordam que, como diz Mestre Guina, o sufoco de 2006 para o povo do governo vai ser mais ou menos como o do dia de hoje: pior do que ontem. E falando nisso, quem sabe no domingo se faz uma visita ao local? Nós, os velhos e cansados, poderíamos seguir o exemplo dos mais jovens e refrescar por uns momentos nossas alquebradas carcaças.
Posted by
Ronai Rocha
at
3:03 PM
2
comments

O primeiro lagarto apareceu uns vinte minutos após nossa chegada. Não demonstrou receio em chegar perto. Ele me deixou chegar a uns quatro metros, parava quieto, fechava os olhos, abria, depois seguia, devagar. Devia ter uns 80 centímetros de comprimento e o rabo estava perfeito. Lamentei não ter levado um ovo para deixar para o bicho. Depois apareceu um lagarto menor e igualmente caminhou à vontade, perto da gente. Taí uma coisa importante nesses passeios: levar uns ovos para presentear os moradores da Casa de Pedra. Algum antepassado dele pode ter sido saboreado pelo Gumercindo Saraiva.
Posted by
Ronai Rocha
at
11:25 PM
0
comments

O Pico do Morcego é um dos sonhos de consumo dos montanhistas gaúchos. Faz parte do complexo da Casa de Pedra. Esta vista é da chegada. Um dos inconvenientes do passeio são as sete (ou oito!) porteiras que a gente precisa abrir para chegar até lá.
Posted by
Ronai Rocha
at
11:05 PM
0
comments

Espero que os amigos e amigas do blog tenham tido bons dias e noites nesses finais e começos! E que 2006 nos seja mais leve. Vou começar devagar, repartindo algumas imagens que podem ajudar a amenizar o calor do dia de hoje, coisa de deixar miolo mole. A primeira série de imagens é um tanto mítica. Dizem que o Gumercindo Saraiva (o chefe maragato nas peleias de 93) tinha uns esconderijos especiais. Um deles ficaria nas proximidades do rio Camaquã, e é conhecido hoje em dia como a Casa de Pedra. Trata-se de uma formação rochosa que também tem sido local de prática de montanhismo no Rio Grande do Sul, tendo em vista a radicalidade de algumas das paredes e rochas. O nome "Casa de Pedra" obviamente tem a ver com o fato de que ali se podem abrigar uns quantos gauchinhos com cavalo e tudo, como se pode ver.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:02 PM
1 comments

"Os Viajantes Olham Porto Alegre" ganhou o Açorianos (de ensaios) deste ano! Este prêmio, para quem não sabe, é o Oscar da literatura gaúcha. Sábado, no Caderno Cultura de ZH, o livro ganhou duas páginas de comentários, trechos e ilustrações. A Zero Hora de hoje fez uma bonita e merecida homenagem ao Valter, na página 3, com direito à foto e tudo o mais. Na companhia do Mestre Guina presto aqui minha homenagem ao Valter, que traz para casa este belíssimo prêmio, que antes de mais nada é um reconhecimento mais do que merecido ao trabalho preciso e precioso que ele faz, quieto no seu canto.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:45 AM
2
comments
Estou fazendo um breve recesso de Natal. Volto logo. Do pouco que estou acompanhando da cena universitária federal, apenas ontem o comando nacional jogou a toalha, segundo a Folha. Ufa!
E a Bolivia? Um dos meus projetos de viagem era me internar na Bolivia, em algum momento deste ano, que só vai começar em maio (?), mas agora que a Petrobrás está na alça de mira dos bolivianos, sei não...
MAS vai dar o que falar... Luciana Genro foi conferir as eleições. Tarso Genro foi conferir as jogadas do neto no clássico juvenil, mão no queixo... Não se faz mais socialismo como antigamente... E se antigamente a coisa já era estranha, o que dizer agora?
Posted by
Ronai Rocha
at
11:15 AM
1 comments

A foto é de Paulo Fernando Machado. Trata-se de uma vista da cascata chamada Lava-Pés, próxima ao vizinho municipio de São Martinho. O arquivo me foi passado pelo Valter.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:17 PM
1 comments
As redondezas da Boca do Monte oferecem belos riachos e dezenas de cascatas. O Valter - exímio nadador e habilíssimo no caminho das pedras - alegrou minhas retinas com fotos maravilhosas (do Paulo), de uma cascata chamada Lava-Pés, que vou tentar postar aqui. Assim, no que posso, ofereço meus préstimos ao Mestre Guina (salve!!!) e aos demais visitantes deste molhado blogue para uma excursão de lava-pés à esses recantos. Podemos comer o mingau pelas beiradas, iniciando por Ivorá, quem sabe, que tem lugares tão bonitos quanto esses outros.
Afinal (1), como foi muito bem observado alhures pelo referido Mestre, com a Copa do Mundo que vem por aí, quem sabe o semestre letivo começa pelas calendas de julho?
Afinal (2), greve cansa!
Posted by
Ronai Rocha
at
10:03 PM
0
comments

O gordinho (não se trata mais do editor de textos anteriormente mencionado) da foto (tomada por volta das 19.00 horas, o que explica, mas não justifica, a baixa qualidade da mesma) dá uma idéia das proporções das piscinas e cascatas que podem proporcionar um bom refresco para a canícula de janeiro, nas proximidades da UfSM!!!
Posted by
Ronai Rocha
at
11:07 PM
2
comments

Opções para a canícula de janeiro: na foto, um exemplo de uma boa alternativa de refresco para a canícula de janeiro. O paraíso gelado se encontra a poucos minutos de caminhada do balneário do Zimmerman, em Três Barras, ao módico custo de um real per escalpo, tarifário que o PL do MEC recentemente encaminhado à casa das leis pode certamente cobrir. O atleta que ilustra a foto, by the way, é editor de texto e programador visual de uma das mais importantes revistas de divulgação científica do sul do país.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:50 PM
0
comments
O caderno Mix do final de semana traz uma entrevista com o Padre Lauro Trevisan, o do poder da mente. Nela, o padre assume sua condição de padre e diz, lá pelas tantas: "O dinheiro não traz felicidade, mas a felicidade traz dinheiro. Sacrifício e penitência são bobagens."
Eu só registro esse besteirol porque o dito cujo um dia fez os créditos do Mestrado em Filosofia da UFSM e quis defender uma tese, sobre o poder da mente. Felizmente o então Coordenador do Curso lhe informou que não ia dar. Vai daí que ele resolveu publicar o tal do livro, ficou rico, depois ficou milionário e comprou uma mercedez benz, bem faceiro, como se vê nas fotos da reportagem.
"Sacrifício e penitência são bobagens."
Como diria minha falecida avó, só dando nele com um gato morto, até o bicho miar.
Posted by
Ronai Rocha
at
6:16 PM
2
comments
Hoje, dia 12 de dezembro, quase às vésperas de Natal, três meses e vários dias depois, acabou a greve na UFSM.
Posted by
Ronai Rocha
at
6:14 PM
1 comments

Na quarta-feira, dia 7, às 20 horas, começa o Segundo Simpósio Internacional de Filosofia, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFSM. Ele será aberto com uma palestra de Hans Sluga, sobre o tema "A Verdade e a Imperfeição da Linguagem".
Hans Sluga nasceu e cresceu na Alemanha. Estudou em Bonn e Munique, onde conheceu a lógica moderna, filosofia da ciência e filosofia da linguagem, mas também estudou a obra de Heidegger. Estes estudos iniciais provocaram nele a convicção que a divisão entre filosofia analítica e continental é artificial. "Eu nunca me senti obrigado a assumir um lado nessa disputa estéril", diz ele.
Seus estudos continuaram em Oxford, onde trabalhou com R. M. Hare, Gilbert Ryle, e Michael Dummett. Foi também em Oxford que ele diz ter recebido a influência do pensamento de Wittgenstein, que se tornou decisivo para ele.
Depois de concluir seus estudos em Oxford, trabalhou por alguns anos na University College London (The University of London). Depois foi para a University da California, em Berkeley, onde está até hoje. Veja o que ele diz sobre seus interesses filosóficos:
"Eu tenho me interessado nesses anos todos por uma grande variedade de temas e autores. Em acréscimo a um interesse continuado nos começos da filosofia analítica (Frege, Russell e o primeiro Wittgenstein), eu tenho, mais recentemente, pensado sobre o conhecimento humano, e mais ativamente, sobre temas de filosofia política. Em minhas aulas eu tenho me interessado crescentemente também pelos escritos de Nietzsche, Heidegger, e Foucault. Depois de muitos anos de trabalho, sinto que agora começam a surgir alguns frutos."
A palestra de Hans Sluga será em inglês.
Posted by
Ronai Rocha
at
3:22 PM
0
comments

O destaque literário do final de semana foi o lançamento de uma nova tradução do Folhas de Relva, de Walt Whitman (1819-1892). A publicação é da Iluminuras, e o autor da tradução é Rodrigo Garcia Lopes. Há comentários na Veja e na Folha de São Paulo, e a edição é bem elogiada. Vou colocar no Quadro de Avisos uma passagem das mais famosas do "Canto de Mim Mesmo".
Geir Campos e José Agostinho Batista, anteriormente, fizeram traduções de Whitman.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:45 PM
0
comments
Zilbra é um país no qual a filosofia é muito cultivada. Pouca gente vive sem filosofia em Zilbra, onde também acontecem muitos encontros e congressos sobre tal flor da cultura. Para um desses encontros foi sugerido um texto sobre a busca de caminhos. Eis o início do resumo do texto:
"A leitura de um texto é um momento da leitura da vida. Vista desse modo, se insere no quadro de um acontecimento mais amplo, que inclui não apenas a possibilidade de interagir o mesmo, mas de exercitar o sentimento de fruição do ato de ler. Pois, quando o texto nos diz algo, participamos desse dizer ante aquilo que é sugerido, em sua estrutura, a um pensar que o ordena e perspectiva para acolher e recriar sentidos. O texto sugere caminhos, a serem reinaugurados a partir das relações virtuais que cada leitor possa estabelecer com as suas próprias experiências vivenciais e a sua posição parcial de observador."
Um leitor zilbreiro, que gostaria de entender o resumo, reclamou.
a) em que consiste "interagir o mesmo"?
b) "exercitar o sentimento de fruição do ato de ler" parece estar incluido nos acontecimentos mais amplos da leitura. O que ele deve concluir disso?
c) "ante aquilo que é sugerido" parece ter algo a ver com dizer algo, "a um pensar que o ordena"?. Mas o que isso quer dizer?
d) o leitor pode estabelecer "relações virtuais" com suas próprias experiências... Virtuais? E que tal ""próprias experiências vivenciais"?
Em Zilbra ou alguns filósofos gostam de escrever obscura e redundantemente, ou o fim de ano nos deixa um tanto cansados e de mau humor, o que explicaria o texto do resumo e o comentário.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:59 PM
0
comments
Um leitor do blogue e aluno do Curso de Filosofia propôs, por mail, algumas questões sobre o relativismo do conhecimento. O ponto de partida foi um artigo de Paul Boghossian sobre o famoso artigo de Alan Sokal, que conseguiu fazer com que uma importante revista de humanidades publicasse um artigo que era um besteirol sem fim. Para levar adiante a conversa, que parece interessar a muitos, tratei de colocar o artigo de Boghossian nos Arquivos, aqui do lado, no link. Vamos ver no que dá.
Posted by
Ronai Rocha
at
10:07 PM
0
comments
Um leitor do blogue estava na dúvida sobre se a UFRJ entrou em greve. Não. Na assembléia do dia 10 de setembro a greve foi rejeitada. No dia 10 de novembro o assunto entrou em pauta de novo, e foi aprovado um indicativo de greve. Sem data... É bom lembrar que a UFRJ é a maior universidade federal brasileira. E a segunda maior é a Federal de Minas, se não me engano. Que não entrou em greve. E a Federal do Paraná, que não entrou em greve...
Posted by
Ronai Rocha
at
6:12 PM
0
comments
Sai no Mix de amanhã. Aqui vai uma versão mais leve, mas essencialmente a mesma.
O Deputado Babá (PSol) estava presente numa recente reunião com o MEC e o comando de greve dos professores das universidades federais e saiu-se com essa: ele acha que deve ser feita uma lei que exclui do reajuste quem não faz greve. Ele disse que “é fácil ficar na academia, dando aula e opinando sobre uma greve. Se vocês estivessem certos, já tinham convencido o Brasil inteiro”.
Babá tomou muito sol na cabeça. É uma bobagem isso que ele disse. E se a moda pega do outro lado e alguém propõe que os sindicatos de professores paguem retroativamente os prejuízos à formação do povo brasileiro com as paralisações intermináveis em todos os níveis de ensino, ano sim, ano não? Ou que os sindicatos sejam responsabilizados pelas trapalhadas nas negociações dos últimos anos, que, ao contrário de ganhos, podem ter provocado perdas salariais?
Mas Babá viu um negocio importante na segunda parte da frase, onde ele diz que “se vocês estivessem certos, já tinham convencido o Brasil inteiro”. O “vocês” do Babá, são mais ou menos 12.000 professores de universidades federais que desde o ano passado romperam com a Andes e constituíram outra entidade de defesa da categoria, que reúne universidades como a Federal do Rio Grande do Sul, de Minas, de Goiás, etc. Nessa atual campanha salarial, a tal entidade, denominada de Proifes, foi recebida no Ministério junto com a Andes e a discussão sobre a representatividade sindical ferveu.
Seria bom lembrar ao Babá o fato que se alguém está certo em uma opinião, isso nada tem a ver com êxito no convencimento dos outros. Mas isso seria uma sutileza. O que vale é que Babá prestou esse serviço de trazer a dissidência (logo ele!) para a cena.
Não sou filiado ao Proifes nem faço muita idéia do mesmo. Mas o tal Proifes é o sintoma de um sentimento um tanto vago e difícil de colocar em palavras. É um sentimento de que as coisas do nosso sindicalismo não vão muito bem, na medida em que as greves se banalizaram; os estudantes falam claramente em “greves de pijama”, greves de “ano sim, ano não”, greves do “fora todos”; e quem é que gosta do tom amarelo que acompanha os comentários sobre a qualidade da recuperação das aulas?
Babá tem razão. Há hoje um “vocês” que não pode mais ser ignorado. Alguns desses professores que tem falado contra as greves “ano sim, ano não” estão invertendo o conselho de Babá e responsabilizam a Andes por trapalhadas, como é o caso de colegas de Goiás. É só entrar no site deles e ver.
A greve desse ano foi deflagrada sem a participação das das grandes universidades federais brasileiras. Em particular, a maior delas, a UFRJ não entrou em greve. Ninguém deu muita bola para a UFRJ quando ela se posicionou contra, em setembro, dizendo que não havia condições de se colocar na rua um movimento forte. Ao contrário, foo deflagrada uma greve pelas beiradas, fraca, desunida; apostou-se no crescimento inercial da mesma, expondo à opinião pública um movimento fraco, fragmentado, de cintura e cabeça duras.
Posted by
Ronai Rocha
at
6:01 PM
1 comments
O NYT de domingo passado publicou uma entrevista com Jean Baudrillard. Como diz meu sobrinho e blogueiro Gabriel Pillar, vale a pena ler para dar umas boas risadas. Tem um trecho dela e um link para a mesma no Vertigo, ao lado neste blog.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:09 AM
0
comments
A ironia da reunião do tal do Conselho de Cidadania de Santa Maria, que vai dar conselhos sobre um novo projeto para o CDM: a reunião vai ser feita no auditório da Fadisma! E o tal projeto, pelo que se ouve, vai ser de um enorme edificio multiuso, o que quer dizer: vamos continuar sem um auditório público na cidade. Desde que o Centro Cultural foi transformado em Teatro 13 de Maio, não há mais um auditório do municipio para eventos. Pelo jeito, vamos continuar sem. Sinal dos tempos e das sensibilidades (ou melhor, da falta delas...). E as próximas reuniões do Conselho da Cidadania, por certo, vão continuar sendo feitas em auditórios privados... Eta cidade!
Posted by
Ronai Rocha
at
8:04 AM
0
comments
A Comissão de Educação da Câmara, aproveitando a maré, diz que quer fazer uma proposta de regulamentação do direito de greve nas Universidades. Uma conversa fiada, para aproveitar o momento, pois ela fala em fazer uma lei específica para as universidades federais. É uma gracinha, pois o Deputado Paulo Delgado (PT) diz que "a idéia é estabelecer áreas essenciais que não possam ser paralisadas durante as greves, como as turmas dos últimos semestres nas áreas de saúde, tecnologia e pedagogia."
No Jornal o Globo, tem a repercussão dessas belas idéias.
"A presidente do Andes-Sindicato, Marina Barbosa, já se posicionou contra a proposta do deputado:
— O direito de greve está previsto na Constituição. Qualquer regulamentação irá restringir este direito. A greve causa transtornos. Infelizmente, é a única forma de sermos ouvidos.
O presidente da UNE, Gustavo Petta, concorda que os estudantes são as maiores vítimas das greves. Ele vê equívocos da parte do governo e do Andes nas negociações, mas pondera que o direito à greve é legítimo:
— Não se pode encarar com naturalidade essa situação de greve prolongada, mas não podemos também retirar um direito legítimo de professores e funcionários.
O ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF) não vê como viabilizar a regulamentação. Quando era ministro, ele propôs que as greves só pudessem ser declaradas quando os três segmentos —- estudantes, professores e técnicos — concordassem:
— Uma greve que ultrapassa cem dias mostra que a universidade não é mais necessária da forma como está estruturada. Imagine um banco parado por cem dias.
Para Maria Helena Guimarães, da Universidade Estadual de Campinas, a forma de evitar os prejuízos que as greves causam é discutir uma proposta de autonomia das universidades. Ex-secretária-executiva do MEC no governo Fernando Henrique Cardoso e hoje secretária estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, ela diz que o governo Lula deveria dar mais importância à autonomia universitária.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, por meio de sua assessoria, informou que analisará a proposta de Delgado para depois se pronunciar."
Por aí afora. No domingo, no Diário de Santa Maria, no MIX, tem mais um round da discussão. Depois eu posto aqui o que escrevi, inspirado por uma dica do Prof. Robson Reis.
Posted by
Ronai Rocha
at
4:15 PM
2
comments
Perdi de novo. Vai ter chope no Bar. Falta a dança. Ultimamente, perco todas.
Posted by
Ronai Rocha
at
4:08 PM
0
comments
Mais uma conversa de pé de inauguração. O Café da Cesma, o futuro, deve vender cerveja e chope? Então vamos chamar logo de Bar da Cesma e botar um barrigudo de bigode por trás do balcão, oferecendo chopes com chucrutes de acompanhamento. Eu não nego que gosto de tomar um chopes com chucrutes de fez em quanto, mas vender chopes na Cesma... Então já teria nome o bar, Bar da Cesva... Francamente!
Posted by
Ronai Rocha
at
8:26 PM
0
comments
Imagino que os alunos do Prof. Róbson Reis tenham me aguardado hoje, às 10.30, para a aula sobre Filosofia da Linguagem Comum. Em vão. Peço desculpas a todos, é o que posso fazer, por ora. Eu me lembrei do compromisso perto do meio dia. Meus alunos sabem que não me atraso e não falto aulas marcadas. Mas hoje aconteceu. Aceitei de bom gosto o convite para dar essa aula, tinha tudo pronto, mas hoje - quem sabem a emoção da inauguração da Cesma, o mormaço de matar gente, a idade, quem sabe tudo isso e mais o que não se sabe bem o quê - tudo isso junto, faltei. Me adesculpem, se puderem. Devo, não nego, pago quando marcarem novo dia.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:19 PM
0
comments
Ceres Zasso Zago, ao meu lado, na Cesma, comenta a chacina de trânsito do final de semana, trinta e poucas mortes. Mas não vai desistir de sua luta por mais calma no trânsito. Télcio Brezolin continua recebendo os cumprimentos das pessoas que não puderam vir pela manhã. Nos alto-falantes do salão principal a trilha sonora é feita com Madeleine Peyroux (semana que vem, no Teatro do Sesi). E uma conversa começa ao lado, sobre se o Café da Cesma, quando abrir, deve ou não vender cerveja. Dezenas de pessoas já andam pelos corredores de livros. Isto é Cesma, na primeira tarde de funcionamento. Faço esta postagem dentro da própria Cesma, que é um dos primeiros lugares de Santa Maria onde tem internet sem fio. Longa vida à Cesma.
Posted by
Ronai Rocha
at
3:26 PM
2
comments
No Livro Azul, Wittgenstein faz uma afirmação intrigante, diante da qual é difícil ficar indiferente: “Se, por exemplo, chamamos as nossas investigações 'filosofia', este rótulo, por um lado, parece apropriado e, por outro, tem seguramente induzido as pessoas em erro. (Poderíamos dizer que o assunto com que nos ocupamos é um dos herdeiros do que costumava ser chamado de 'filosofia'.)”. Esse tópico é abordado duas vezes no livro, no primeiro e no segundo ditado. Veja a página 110 da tradução de Jorge Mendes.
Um dos melhores artigos sobre esse tema foi escrito por Anthony Kenny, “Wittgenstein on the Nature of Philosophy” (publicado no livro The Legacy of Wittgenstein, Blackwell, 1984). Ali Kenny cita um manuscrito no qual Wittgenstein reflete sobre a diferença entre as coisas que ele diz e o que diziam filósofos anteriores:
“Uma pessoa comum, quando lê filósofos mais antigos, pensa –de forma bastante certa – ‘Puro absurdo!’. Quando ela me ouve, pensa – corretamente, de novo – ‘Nada além de truísmos triviais’. Esse é o modo como a imagem da filosofia mudou.”
Mais, sobre esse tema, no blogue de Linguagem.
Posted by
Ronai Rocha
at
5:02 PM
0
comments
Um dos parágrafos mais citados das Investigações Filosóficas de Wittgenstein é o 241:
"Assim, pois, você diz que o acordo entre os homens decide o que é verdadeiro e o que é falso?" - Verdadeiro e falso é o que os homens dizem; e na linguagem os homens estão de acordo. Não é um acordo sobre as opiniões, mas sobre o modo de vida."
Este parágrafo, com ligeiras adaptações e correções na tradução, foi objeto da questão 32 do Enade. Ela é assim:
(...). "Verdadeiro e falso" é o que os homens dizem; e na linguagem os homens estão de acordo. Não é um acordo sobre as opiniões, mas sobre o modo de vida.
De acordo com o texto acima, analise as seguintes asserções.
Na linguagem, os homens estão de acordo
porque
a linguagem concerne apenas à verdade e à falsidade dos enunciados.
Acerca dessas afirmativas, assinale a opção correta.
a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificação correta da primeira.
b) As duas asserções sao proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
d) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira.
e) Tanto a primeira como a segunda asserções são proposições falsas.
E?
Posted by
Ronai Rocha
at
9:58 PM
0
comments
Pela Vozes, ao preço de 47 reais, saíram "As Obras do Amor", de Soeren Kierkegaard. O tradutor do livro é um conhecido de Santa Maria, o Professor Alvaro Valls, que assim inicia o elogio do livro: "Na primeira página, coloca em dúvida a dúvida (cartesiana) quando aplicada ao amor. Não se deve duvidar do amor. Melhor ser enganado amando do que desistindo do amor. Melhor ser enganado amando do que desistindo de amar. Deve-se crer no amor." Com essa tradução, Valls amplia a obra de Kierkegaard ao nosso alcance: As Migalhas Filosóficas (Vozes), O Conceito de Ironia (Vozes), É Preciso Duvidar de Tudo (Martins Fontes), tudo traduzido do original dinamarquês.
Posted by
Ronai Rocha
at
9:51 PM
0
comments
A prova de Filosofia do Enade teve 10 questões de Formação Geral e 25 na parte específica de Filosofia. Destas, quatro foram de Lógica. Os autores cujos textos foram objeto de avaliação, no estilo de múltipla escolha, foram Demócrito, Platão, Aristóteles, Pirro, Tomás de Aquino, Ockam, Boécio, Abelardo, Locke, Descartes e Hume, Kant, Spinoza e Schopenhauer, Locke, Wittgenstein, Apel e Habermas, Sartre, Kuhn, Foucault. E ainda questões discursivas, de 15 linhas cada, abordando temas como a distinção entre verdade e validade na lógica formal, ato e potência, Agostinho, a ética de Kant, Carnap (metafisica e ciência).
A maioria das questões de múltipla escolha foram formuladas de modo a requerer não tanto o conhecimento das idéias do autor quanto uma capacidade de interpretação de textos. Com isso, a exigência de conhecimentos de Filosofia ficou, em muitas questões, quase que no mesmo pé de igualdade com a capacidade de análise de textos. O recurso é válido, por certo, e diminui a possibilidade de anular questões por divergências de interpretação de conceitos do autor. Para quem queria ter uma idéia sobre como podem ser formuladas questões de vestibular para conteúdos de Filosofia, talvez a prova do Enade seja um exemplo.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:22 PM
0
comments
No domingo de tarde ocorreu a prova do Enade, da qual participou o Curso de Filosofia. Algum aluno participante pode contar como foi a prova?
Posted by
Ronai Rocha
at
9:09 AM
0
comments
Tem data a inauguração da nova sede da Cesma: dia 16 de Novembro. Tem gente vindo de longe para a cerimônia. A casa está ficando muito linda, mas não só isso. O estoque de livros foi ampliado, nova seção com devedês clássicos escolhidos a dedo, internet, café (talvez com internet sem fio), enfim, coisa sem comparação no mundo ao redor.
Posted by
Ronai Rocha
at
8:40 AM
2
comments
Fiz uma previsão e errei. Na greve de 1998, no dia 6 de abril, eu disse que a greve terminaria no dia 15 de junho. Acertei. Foi uma trágica sorte. Desta vez errei. A greve do Andes segue, por mais algumas semanas, quem sabe até o ano que vem. A da Receita Federal já tem oitenta dias e segue firme. A dos servidores da Universidade vai pelo mesmo caminho, que leva aonde mesmo?
Posted by
Ronai Rocha
at
8:28 AM
2
comments
A língua materna pode ser vista como um instrumento?
Nas discussões da DCG sobre Linguagem Comum surgiu o tema da linguagem como um instrumento. O tópico é relevante pois não é raro encontrar-se caracterizações da linguagem natural como um instrumento de expressão dos pensamentos (idéias, sentimentos, etc). Nossas reflexões na DCG tiveram como inspiração o texto de Hans-Georg Gadamer, “Homem e Linguagem” (disponível nos Arquivos, no link ao lado). Nele, Gadamer apresenta argumentos contrários às concepções instrumentalistas da linguagem, a partir de uma reflexão sobre a natureza e função dos instrumentos.
Para seguir nessa linha de reflexão, transcrevo o trecho final de uma passagem da Gramática Filosófica, de L. Wittgensteins, que aborda o mesmo tema.
“Onde a linguagem consegue sua significação? Podemos dizer ‘Sem a linguagem, não poderíamos nos comunicar um com o outro’? Não. Não é como ‘sem o telefone, não poderíamos falar da Europa com a América’. Podemos realmente dizer ‘sem boca, os seres humanos não poderiam comunicar-se entre si’. Mas o conceito de linguagem está contido no conceito de comunicação.” (Gramática Filosófica, §140)
Acho que a ultima frase fala por si. Ou não?
Posted by
Ronai Rocha
at
5:19 PM
0
comments