domingo, julho 23

Dois novos links


Acrescentei na lista ao lado dois links. Um deles é para o blogue do Mestre Guina, com importantes dicas de blogues de ciências, entre outras coisas; o outro é para algum fotografismo de final de semana. Neste final de semana cliquei a meninada do Grupo de Percussão de Camobi, um belo trabalho que foi apresentado na tarde cinzenta do domingo.
Vale lembrar que amanhã, segunda-feira, tem apresentação do Quinteto de Sopro por volta de 18.00 horas em Vale Vêneto.
Aproveito para agradecer ao Frank a dica do "Mercador de Veneza", com Al Pacino no papel de Shylock. Demais de bom!

Tanques invadem Vale Vêneto


Tanques invadem Vale Vêneto
Originally uploaded by ronairocha.
A semana cultural de Vale Vêneto não é mais a mesma.

quinta-feira, julho 20

Carlos Gerbase e a jornada de Lula

Para quem curte a elaboração de roteiros e tem uma idéia do tema da jornada do herói, o texto de Carlos Gerbase que está no endereço abaixo é imperdível. O que Carlos Gerbase fez foi colocar Lula no lugar do personagem da jornada do herói, em especial para dar seu pitaco sobre os motivos e causas do prestígio que ele desfruta no imaginário popular. Vale a visita. Obrigado ao Pedro pela dica.
http://www.nao-til.com.br/nao-82/jornada.htm

terça-feira, julho 18

Si non e vero e bene trovato

A entrevista de Marcola que se encontra em diversos sites da internet é o assunto da hora de muitas rodas da classe média brasileira. Li, acho que não é verdadeira; que ele leia Dante, não me parece o ponto; as perguntas são patéticas, o texto tem um tom pseudo geral, e o autor se trai nas "soluções" que coloca na boca do Marcola. Agora, reconheço que algumas passagens fazem sentido nessa geléia em que vivemos. Se você ainda não leu, de uma gogleada em "marcola entrevista". Vai entender o pânico branco. By the way, se o Marcola leu Dante, ao menos não citou corretamente. Mas isso importa?

quarta-feira, julho 12

Discutindo Filosofia

Transcrevo o mail que recebi, que pode ser do interesse de algum leitor:

"A revista DISCUTINDO FILOSOFIA está recebendo colaborações para a edição n°5.
Trata-se de uma revista de divulgação que integra um projeto didático da editora Escala Educacional. O projeto, em linhas gerais, é o seguinte: uma revista de filosofia voltada para o público do ensino médio, mas lida também por universitários ou pessoas interessadas no assunto. Em especial, para este número, estamos interessados em um texto de 6 páginas sobre a obra e o pensamento de Freud. A revista tem uma tiragem de 40.0000 exemplares e tem tido boa aceitação. Em parte porque há um crescente interesse social pela filosofia, em parte porque a filosofia enquanto disciplina curricular do ensino médio carece de material paradidático e em parte também porque a revista tem um preço de mercado bastante acessível R$6,90. O n°1 alcançou o total de 20.000 exemplares vendidos, o n°2 17.000. Não sabemos ao certo o quanto o n°3 vendeu, mas deve estar em torno desta média. A expectativa é que a circulação da revistaaumente, especialmente em razão da aprovação, pelo Conselho Nacional de Educação, da obrigatoriedade da disciplina no ensino médio em todo o país.
O n°4 da DISCUTINDO FILOSOFIA, que trás Lévinas na capa, deve chegar às bancas nas próximas semanas. Gostaria de convidar a todos a colaborar, escrevendo para a revista. Os textos são curtos, devem adequar-se ao público alvo (os alunos do ensino médio) e podem versar sobre os mais variados temas do campo filosófico. Todas as colaborações serão remuneradas, embora ainda seja bastante tímida. Em anexo segue esclarecimentos que explicam em detalhe o que se espera das colaborações. Terei prazer em dar maiores informações aos interessados. Os que quiserem conhecer os números anteriores, ao menos o índice e alguns textos, podem consultar a página eletrônica da revista:
http://www.discutindofilosofia.com.br
Nela também estão contidas informações sobre assinatura.
Agradeço a todos a atenção e as possíveis colaborações. Igualmente, agradeceria imenso a gentileza de divulgarem o lançamento do n°4 e o pedido de colaborações para o n°5. Ponho-me à disposição para qualquer outro esclarecimento.
Cordialmente,
Marta Vitória de Alencar
Coordenadora geral
Profª de filosofia da Escola de Aplicação FE/USP"

terça-feira, julho 11

"Vendo um crioulinho"


Dias atrás passei no prédio antigo do Forum, atual Centro Cultural do Município, para dar uma olhada. Visitei o Arquivo Municipal e conversei um pouco com a estagiária que ali trabalha. Entre outras coisas perguntei para ela qual seria o documento mais antigo ali existente. Ela abriu a gaveta da escrivaninha e me mostrou uma folha A4, amarelada, que conteria, segundo ela, um contrato de compra e venda de um "crioulinho", datado de 1867. Hoje voltei lá e fiz uma foto do mesmo, da qual transcrevo aqui o que entendi.
"Pelo presente escripto de venda declaro, que sou senhora e ligitima possuidora, de um crioulinho por nome Fernando, de idade trêz annos pouco mais ou menos, livre de hypotheca, embargos ou outra qualquer obrigação; e com todos os achaques vizíveis ou invizíveis, dele faço venda como pelo presente vendido tenho ao (...) Joaquim da Silveira, pelo preço e quantia entre nós ajustado de seis-cento e cincoenta mil réis - que recebi do presente em moeda legal; ficando (...) Silveira obrigado a satisfação da respectiva (...) correspondente a esta importância. E para que o referido (...) possa gosar d'hoje em diante do dito crioulinho, lhe transmitto todo o direito, senhorio, domínio e posse que no mesmo tenho: podendo por esta forma considerá-lo como sua verdadeira propriedade d'hoje para sempre; obrigando-me a fazer boa e valiosa venda, dando aqui (...) bem expressadas quaisquer cláusula ou cláusulas das de esse direito permittidas que aqui deixem de ser especificadas como se de cada uma fizesse particular asserção. - Em firmeza do que, faço esta venda de (...) espontânea vontade e livre de constrangimento algum pelo que pedi a Firmino Carneiro da Rocha que, por eu não saber ler nem escrever este por mim fizesse; o qual depois de me ser lido o achei bem conforme (...) do que assigna o mesmo (...) a meu rogo, com as testemunhas que abaixo vão assignadas.
Vila (...), 13 de março de 1867
Maria Antunes Paz"
Isso é um pouco do passado de Santa Maria. Fiquei pensando se um neto do Fernando não mereceria uma cota dessas que o povo erudito anda discutindo.

domingo, julho 9

A pedido

Andar


"É certo que quem anda devagar às vezes não alcança a meta, mas quem corre demais muitas vezes também pode passar por ela sem parar." O texto é de Kierkegaard, nas Migalhas Filosóficas.
Fiquei deitado no chão, olhando pro jabuti e pensando nos méritos da ligeireza. Para um sujeito que carrega todo esse peso nas costas, o bicho até que anda muito rápido.
Baita migalha, essa aí do Kierkegaard, pensei.

sábado, julho 8

A cauda do pavão


O pavão também mora ali no Passo da Ferreira, no Criatório Conservacionista São Brás.

O olho da coruja e a cauda do pavão


Estou ficando velho. No final deste ano estarei a apenas quatro anos dos sessenta, e certos pensamentos nessa idade nos assaltam com naturalidade, pedem intimidade e, na nossa distração, vão ficando. Um deles me acompanha faz tempo. Dividir as pessoas entre as boas e as más deixaria muita gente boa de fora - a imensa maioria de nós transita entre momentos disso e daquilo -, mas sempre a mania taxionomica volta. Assim, inspirado numa frase de um amigo distante, pensei em classificar as pessoas da seguinte forma: diante de um problema, as que se sentem como parte dele, ou como parte da solução. Por problema, aqui, entendo desde esse tema de ensino de filosofia (e essa carona que a sociologia pegou, vamos reconhecer!) até a questão da violência urbana. De um lado, a turma da imaculada concepção, que tem a solução para todo e qualquer problema: o mundo visto de fora; de outro, a plebe, que faz parte do desgraçado do problema. Eu, que tenho sangue de português, uma antepassada negra e outro índio, faço parte do problema; eu mesmo tenho vontade de não dizer nada e esperar mais um pouco, até que a coruja me pisque o olho.
O ensino de Filosofia, por certo, vai ter que disputar espaço com outras disciplinas. Se não for bem feito - isto é, apoiado em muita pesquisa séria, corre o risco que ser diluído e gradativamente perder espaço. Nunca escondi que defendo a volta da Filosofia de forma gradual, passo a passo; e dessa forma, ela já está voltando em 17 estados, como reconhece o MEC. Essa "volta por cima" tem seu riscos, sim.
A coruja está ali no São Brás, no Passo da Ferreira. Ainda não achei nenhuma no Campus. Quem souber, me avise.

sexta-feira, julho 7

Deu na Voz do Brasil

Deu na Voz do Brasil, faz poucos minutos:
"O Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu nesta sexta-feira, 7, por unanimidade, que as escolas de ensino médio devem oferecer as disciplinas de filosofia e sociologia. A medida torna obrigatória a inclusão das duas matérias no currículo do ensino médio em todo o país, ampliando o que já era praticado em 17 estados.

Segundo o relator da proposta, conselheiro César Callegari, a decisão vai estimular os estudantes a desenvolverem seu espírito crítico. “Isso significa uma aposta para que os alunos possam ter discernimento quando tomam decisões e que sejam tolerantes porque compreendem a origem das diversidades”, declarou.

Na avaliação do titular da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), Francisco das Chagas, a medida vai ampliar o número de vagas para profissionais de filosofia e sociologia. “A falta de professores em algumas situações também vai se adequar porque, com o ensino obrigatório das duas disciplinas, os cursos de graduação formarão mais profissionais para atuarem no setor”, disse.

A proposta de mudança foi feita pelo Ministério da Educação em 2005, mas como é do CNE a prerrogativa de definir as diretrizes curriculares nacionais, a deliberação foi feita pelos conselheiros. Agora, o parecer será homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Segundo o documento aprovado, os estados terão um ano para incluir a filosofia e a sociologia na grade curricular do ensino médio.

Mudança – Para o professor de filosofia Aldo Santos, de São Paulo, a decisão vai promover uma mudança na estratégia educacional que desenvolve o pensamento, a reflexão e a ação dos estudantes. “Agora, o jovem vai entender o seu papel na história e saber que ele pode ser um agente transformador na sociedade”, analisou.

A inclusão das disciplinas de sociologia e filosofia no currículo do ensino médio foi comemorada por cerca de 150 professores e estudantes, que compareceram ao auditório do CNE. Houve até champanhe após a aprovação do parecer pelos conselheiros."

quinta-feira, junho 29

quarta-feira, junho 28

O BRAÇO CURTO DO PODER PÚBLICO

Delmar Bressan*

Está em curso no sul da América uma rumorosa polêmica tendo como epicentro uma essência florestal de origem australiana, o eucalipto.
Introduzida no Brasil em maior escala no alvorecer do século XIX e destinada à produção de lenha para as locomotivas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a espécie transformou-se no ícone do atual modelo de plantios extensivos para produção de celulose e papel.
Na situação mais próxima em exame – os plantios na metade sul do Rio Grande – as contradições e insuficiências são visíveis. Entre elas, observa-se, desde o princípio, uma inversão da ordem lógica das coisas, determinada pela dificuldade crônica dos agentes estatais de planejar o desenvolvimento regional e, a partir daí, de antecipar-se às demandas mediante a fixação de regras claras e duradouras.
Ao poder público, independente do governo em exercício, cabe planejar a ocupação do espaço territorial sob seu domínio e, por conseqüência, definir previamente as posições geográficas que apresentam potencial para receber as diferentes alternativas econômicas. Para o caso em foco, é possível adotar, por exemplo, as divisões hidrográficas como referência espacial, definindo áreas preferenciais para (re)florestamento, grau aceitável de transformação da paisagem, zonas de proteção previstas na legislação etc.
Além do ordenamento territorial, será sempre conveniente, à parte os já repetitivos estudos de impacto ambiental, exigir o desenvolvimento paralelo de pesquisas científicas – feitas por grupos independentes e financiadas por instâncias públicas – capazes de esclarecer o efeito das florestas de eucaliptos sobre a água, o solo e a biodiversidade regional, além de suas repercussões na estrutura fundiária e nas relações de trabalho. Se não existirem tais investigações, ficaremos todos à mercê de informações desencontradas, que ora prevêem um caos hídrico na região por conta dos eucaliptos beberrões, ora vaticinam a redenção econômica do sul decadente. Um pouco de ciência e de bom senso não fará mal a ninguém.
No entanto, o braço estatal, nesses tempos bicudos, anda curto. E tende a ficar cada vez mais curto, diante da “fuga iminente” de investimentos. Sendo assim, a definição destes regramentos, até onde se pode vislumbrar, passa a ser feita ou influenciada pelos interesses empresariais. Basta ver o modelo de aquisição de glebas de terras adotado por parte de empresa multinacional e o choque previsível com a Constituição brasileira que dificulta a concentração fundiária nas zonas fronteiriças em mãos estrangeiras. Ou ainda as sutis tentativas de cooptar setores do meio acadêmico e do parlamento estadual para obtenção de algum tipo de salvo conduto.
As críticas pertinentes à origem da espécie representam segregação duvidosa. Sem desconsiderá-las, há outras questões decisivas: o modelo de ocupação dos amplos espaços regionais, as pesquisas com o selo e o zelo públicos e o monitoramento das transformações socioeconômicas advindas das florestas implantadas em meio aos outrora gloriosos campos sulinos.

* Professor da Universidade Federal de Santa Maria

segunda-feira, junho 26

Fauna do Campus (I)


No entardecer da sexta-feira, nas proximidades do Prédio 74.

Postagens


Saiu uma fornada nova de postagens para a disciplina "Filosofia e Ensino de Filosofia". Elas estão numeradas, e tratam do tema da primeira unidade, que diz respeito ao problema da caracterização da Filosofia. De todas elas, a que mais me comove é um trecho de Sêneca, de uma carta que ele escreve para consolar uma nobre senhora da sociedade romana (Calígula era o imperador daqueles dias...) que havia perdido o filho, na flor dos anos. A passagem está numa das raras traduções de Sêneca para o português, nas "Cartas Consolatórias", publicada por uma obscura editora chamada Pontes, em 1992. A "carta consolatória" foi um gênero literário típico desse período, mas que perdurou por um bom tempo. Acho que ainda hoje faz sentido. Afinal, tem mãe que perde o filho, e tem filho que perde o rumo.
Na foto, Sêneca, que foi preceptor de Nero, posteriormente seu algoz.

terça-feira, junho 20

"O braço curto do poder público"

Delmar Bressan, na Zero Hora de hoje, retoma o tema dos eucaliptos, "ícone do atual modelo de plantios extensivos para produção de celulose e papel", com um artigo, na página 17 que tem o título que transcrevi acima. Bressan toca em feridas das quais pouco se fala, entre as quais a falta de pesquisas independentes sobre certas aludidas conseqüências do plantio da segregada australiana. Para quem não sabe, Delmar Bressan é professor do Departamento de Engenharia Florestal e editor da revista Ciência & Ambiente, aquela que, segundo algumas línguas, ia durar dois ou três numeros e se converteu, depois de trinta e duas edições numa referência conhecida em todo o Brasil.

sábado, junho 10

Carta de Londrina em favor da Filosofia

O encontro sobre Ensino de Filosofia, realizado recentemente em Londrina, decidiu por um manifesto em favor do ensino de Filosofia, como parte dos movimentos de pressão para a institucionalização do mesmo. Luis Valério postou a carta de Londrina no comentário do post abaixo.

quinta-feira, junho 8

Bloomsday

Tomo a liberdade de reproduzir o convite que recebi de Mestre Guina:

A CESMA, Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria, e o Ponto de
Cinema, convidam você para comemorar Bloomsday Santa Maria 2006.

Bloomsday 2006 Santa Maria – RS (BRASIL)

"Bloomsday: the day on which James Joyce's masterpiece Ulysses is set"

16 de junho de 2006
Leituras, Filmes, Música, Arte, Poesia e Prosa
(tudo com um leve tempero Joyceano)

Sexta-feira, 16.06.2006 as 16:00 horas
Centro Cultural Cesma
Rua Professor Braga, 55
97015-530 Santa Maria - RS (Brasil)
fone: +55 55 3221.9165

Sexta-feira, 16.06.2006 as 18:30 horas
Ponto de Cinema Bar
Rua Ângelo Uglione, 1567
97010-570 Santa Maria - RS (Brasil)
fone: +55 55 3221.8800
http://amseverino.sites.uol.com.br/bloomsday.html
bloomsday.santamaria@gmail.com

terça-feira, junho 6

Praxis


Ontem foi inaugurada a nova sede do Praxis. O que eu sabia do Praxis era muito pouco. Alguns alunos do Curso de Filosofia participavam dele, e comentavam sobre as aulas de Filosofia, que faziam parte do mesmo. O Praxis era apresentado como um "cursinho pré-vestibular" popular, e funciona faz já vários anos. Andei pelo quarto andar, visitando as salas, para fazer umas fotos. O que vi me deixou impressionado. Segundo contam, ao redor de quinhentos alunos da UFSM, das diversas licenciaturas, já participaram. Vi gente de todas as áreas, de Matemática a Artes. O que mais me chamou a atenção foi o entusiasmo dos "professores". Não, os alunos também me pareceram muito contentes. A foto ali é do grupo de estudantes=professores da área de Letras. Não coloco uma dos alunos porque deu pane no meu hagadê e estou sem espaço para as fotos. Segundo me contou a Gisele, os alunos da Filosofia andam meio encolhidos na participação.

quarta-feira, maio 31

Os cancros de Ghiraldelli


Andrei, no post sobre Eutanásia, chama a atenção para o blogue do Ghiraldelli. Fui lá ver. Há um texto sobre o que ele chama de "cancros da filosofia" no Brasil de hoje. São três, ensino de filosofia, filosofia para crianças e filosofia clínica.
Transcrevo um trecho sobre o ensino de filosofia:
"Disse e digo mais uma vez: filosofia é, já, no momento em que está sendo feita, diálogo pedagógico, portanto, em certo sentido, ensino. Separar ensino e filosofia para, agora, tentar agrupá-los através da criação de uma área institucional chamada “ensino de filosofia”, que iria fazer uma reflexão sobre o assunto, é não entender nada de filosofia. Quem quer ver como se ensina filosofia ou como se aprende filosofia, uma vez que é filósofo, já viu. Pois se é filósofo, leu filosofia e viu que filosofia é assim: o estudante lê acompanhado do filósofo, que aponta para ele relevâncias no texto. Quanto mais leituras ricas, mais relevâncias distintas e boas, melhor sua formação. E assim, em determinado momento, ele, aluno, se verá filosofando. Não há mágica. Nem ao menos, em certo sentido, há didática. Não há “ensino de filosofia” como algo que mereça uma reflexão. Quem fala em “ensino de filosofia”, em geral, é quem não conseguiu lugar na filosofia propriamente dita. “Ensino de filosofia” é lugar de fracassado da filosofia."
Eu não imagino quem é o alvo dele nesse caso. O que fica evidente é que parece haver, no entender dele, quem separa e depois tenta juntar, etc. O texto tem dois "em certo sentido" que precisariam ser especificado e uma caracterização do aprendizado de filosofia que conclui que não há didática para a mesma. No que me toca, acho que tudo isso merece nossa reflexão, mas vá lá saber quem ele quer cutucar.
A senhora da foto é Simone de Beauvoir, no alto dos seus quarenta e dois anos, clicada por Art Shay. Está no livro que saiu agora sobre ela, no Brasil.